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Estudo do Observatório PUC-Campinas expõe vulnerabilidade social das mulheres, em especial pretas e pardas

Com recorte no município de Hortolândia (SP), análise mostra desnivelamento da renda entre homens e mulheres; pretas e pardas vivem a pior situação

Entre as 53.645 pessoas residentes na cidade de Hortolândia (SP) e inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), voltado à inclusão de famílias de baixa renda em programas assistenciais, 31.331 (58,4%) são mulheres. Com renda média mensal de R$ 145,43, a população feminina declarada preta ou parda compõe o grupo mais vulnerável do município, indica estudo do Observatório PUC-Campinas.

A análise expõe a condição socioeconômica dos habitantes de Hortolândia, localizada na Região Metropolitana de Campinas (RMC), onde quase ¼ da população vive com renda inferior a R$ 500 por mês. Embora a condição de vida precária acometa todos os cadastrados no CadÚnico, cujos dados foram atualizados em fevereiro deste ano, chama a atenção o achatamento da renda das mulheres em relação à dos homens, bem como a disparidade nas estatísticas envolvendo pretos e pardos, que convivem com os piores patamares de renda.

De acordo com a nota técnica, a renda média mensal dos registrados no programa de assistência social se revela desigual considerando o sexo e a raça dos grupos: entre os homens, a média dos declarados brancos é de R$ 272,08, enquanto a dos pretos e pardos é de R$ 238,40. No caso das mulheres, a renda média das brancas é de R$ 147,73 ante R$ 145,43 das pretas e pardas, dados que evidenciam a desigualdade até mesmo entre os indivíduos de baixa renda.

Na perspectiva de renda familiar inferior a um salário mínimo, ainda que os números expressem renda superior dos homens em relação à das mulheres, as diferenças envolvendo a cor das famílias ganha notoriedade. Das 41.740 que vivem com renda familiar total igual ou menor que 1 salário mínimo, 29.329 (70,2%) são compostas de homens e mulheres da raça preta ou parda. Segundo a Profa. Dra. Stela Godoi, que coordenou a análise, os dados reforçam a racialização da pobreza existente no Brasil. “Ou seja, a raça/cor preta e parda mais que dobra o risco de vulnerabilidade social na sociedade brasileira”, afirma a docente extensionista, que é economista e doutora em sociologia.

Com a contribuição da estudante de Psicologia Vitória Debroi Silva, a nota técnica, que elucidou as desigualdades sociais por gênero e raça em Hortolândia, mostra ainda que as mulheres são a maioria no que diz respeito à chefia de seus lares: elas representam 32% do total de indivíduos cadastrados no banco de dados do CadÚnico, enquanto a parcela dos homens chefes de família é de apenas 6%. As mulheres pretas e pardas, mais uma vez, apresentam a pior renda per capita, sendo essa população a maior responsável por seus grupos familiares.

“Podemos assim afirmar que as mulheres pardas e pretas, em consequência da rede de cuidado que se forma a partir de sua atuação na comunidade, são um alvo estratégico na construção de demandas estruturadas de políticas públicas ao enfrentamento da pobreza e da desigualdade social”, aponta Stela.

O estudo completo está disponível no site do Observatório PUC-Campinas: https://observatorio.puc-campinas.edu.br/mulheres-e-vulnerabilidade-social-no-municipio-de-hortolandia-sp/

Observatório PUC-Campinas

O Observatório PUC-Campinas, lançado no dia 12 de junho de 2018, nasceu com o propósito de atender às três atividades-fim da Universidade: a pesquisa, por meio da coleta e sistematização de dados socioeconômicos da Região Metropolitana de Campinas; o ensino, impactado pelos resultados obtidos, que são transformados em conteúdo disciplinar; e a extensão, que divide o conhecimento com a comunidade.

A plataforma, de modo simplificado, se destina à divulgação de estudos temáticos regionais e promove a discussão sobre o desenvolvimento econômico e social da RMC.  As informações, que englobam indicadores sobre renda, trabalho, emprego, setores econômicos, educação, sustentabilidade e saúde, são de interesse da comunidade acadêmica, de gestores públicos e de todos os cidadãos.



Vinícius Purgato
29 de julho de 2020