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Estudantes de Mídia levam projetos da PUC-Campinas para a sociedade

 Projeto de extensão na Graduação focou o Estatuto da Criança e do Adolescente e produziu vídeos, animações e gibis para a comunidade

 O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – que dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente em diversos setores – comemora, em julho, 32 anos. Passo importante para o desenvolvimento da sociedade, ele foi o tema escolhido pela Faculdade de Mídias Digitais no componente Projeto Integrador para criar um produto que pudesse ultrapassar a barreira da Universidade e alcançar a sociedade, por meio de escolas, instituições e organizações.

O projeto de extensão dentro da Graduação foi orientado pela Profa. Dra. Juliana Sangion e resultou em oito trabalhos inovadores e criativos sobre os direitos da criança e do adolescente, abordando temas como trabalho infantil, abuso sexual, violência psicológica, saúde mental e comunicação não violenta. Todos os trabalhos começaram dentro da sala de aula, criaram vida e levaram à comunidade, de forma lúdica, problemáticas que envolvem as crianças e adolescentes em forma de animação, de vídeo e, até mesmo, de uma revista interativa.

Após serem finalizados, os trabalhos foram apresentados e alguns foram escolhidos como destaque por uma plateia que contou também com entidades que lidam com o tema. O primeiro deles, foi a websérie “Todos por Um” – uma produção focada no trabalho infantil –, criada pelos alunos Beatriz Sayuri, Bianca Mazzer, Matheus Pandin, Vanessa Yahiro, Ramom Brito, Felipe Damasi e Samuel Regis Cardoso.

“Decidimos fazer essa websérie com vários objetivos: estimular e encantar o público infantil, buscar a formação de uma sociedade que conheça e valorize o Estatuto da Criança e do Adolescente, realizar exibições gratuitas a toda a população, sensibilizar e promover reflexão do público para o tema e ampliar o acesso à produção cultural”, explicou Matheus Pandin, integrante do grupo que produziu o primeiro trabalho.

A produção traz no conteúdo situações em que uma missão é criada com o objetivo de salvar uma criança que está em perigo. Com isso, a tentativa é de informar crianças e adolescentes sobre o Estatuto, trazendo, de diferentes formas, os problemas enfrentados e o caminho para resolvê-los.

O local escolhido pelos alunos desse grupo para exibir o trabalho foi o Instituto Bem Querer (IBQ), em Sumaré. Uma organização que começou em 2009 e que trabalha com assistência a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, com diversas atividades e apoio. Ao todo, segundo o IBQ, o atendimento chega a 500 pessoas por ano.

Ao final dos trabalhos, dois eventos foram realizados no instituto para a apresentação. Ver o material ser aproveitado na sociedade trouxe um sentimento de dever cumprido aos alunos. “As crianças do instituto adoraram! Tínhamos essa ideia de fazer o evento, para poder mostrar para as crianças a websérie. Na ocasião, tivemos uma apresentação de flauta, das crianças do instituto, e, logo em seguida, a websérie foi exibida. Depois, fizemos uma discussão sobre o tema tratado no episódio e, por fim, uma apresentação de hip hop das crianças do instituto”, relembra o aluno.

A Profa. Juliana Sangion, que ministra o componente, reforça a importância de ter um projeto que tenha a vocação de trazer benefícios aos estudantes e à sociedade. “Os estudantes recebem essa proposta de maneira muito positiva: primeiro, é um jeito de aprender na prática; segundo, é um jeito de aplicar, de fato, na realidade da nossa sociedade, o conteúdo que eles estão aprendendo; e, por último e não menos importante: é a maneira de devolver para a sociedade um pouco do conhecimento que é gerado no ambiente acadêmico para ajudar a transformá-la”, explica.

Outro destaque produzido pelos estudantes foi a “Fábrica de Sonhos”, projeto criado pelo grupo composto por Daniele Silveira, Giovana Santarosa, Flávia Möller, Guilherme Almeida e Matheus Graia. A equipe produziu um gibi e um curta de animação focado na perspectiva de a criança poder sonhar e nas oportunidades de realizarem seus sonhos.

O local escolhido para levar o projeto foi a Escola Estadual Prof. João Solidário Pedroso, em Americana. “A ideia surgiu após a conversa com a pedagoga da escola, que nos contou sobre um projeto que é feito lá há alguns anos, chamado ‘Jardim dos Sonhos’. Esse projeto é uma adaptação da pedagoga e coordenadora de área, Cristina Hirata Santarosa, para estudantes do ensino fundamental, e visa justamente explicar para as crianças a importância de ter sonhos a curto, médio e longo prazo. Então, o nosso trabalho ‘Fábrica de Sonhos’ teve como objetivo apoiar e complementar o projeto da escola por meio de uma animação e gibi de atividades”, explica o aluno Matheus Graia.

O conteúdo do vídeo trouxe um incentivo às crianças para acreditarem nos sonhos e também reforçar a importância de sempre sonhar. “A história é conduzida pela personagem Cecília, que é uma criança de 10 anos que quebra a quarta parede e conversa com o público como se fosse uma amiga dele”, detalha o estudante.

Outros dois projetos receberam destaque: o documentário “Cicatrizes da Juventude”, que aborda os sofrimentos que o jovem pode ter durante o seu desenvolvimento, como, por exemplo, a depressão, produzido por Bianca Pedroso, João Nóbrega, Marcus Miklos, Natália Eleuteria, Shayanne Cezario, Sofia Grandi, Victoria Sant’Ana e Vinicius Oliveira; e a produção da música “Meu corpinho”, que alerta as crianças sobre abuso sexual, produzido por Paula Aparecida Ribeiro, Giuliana Lameira Jangeli, Aurea Carolyne Sobral Germano, Carlos Renato Ignacio Junior e Sabrina Valladão.

“No nosso documentário curta-metragem trouxemos depoimentos de jovens, uma psicóloga e uma mãe, expondo problemas dessa fase e falando sobre as maneiras para lidar com isso. Ainda tem muitos pais que enxergam a depressão, por exemplo, como ‘uma frescura’, e nós queremos mostrar que não é isso, queremos mudar esse pensamento”, explica João Nóbrega, um dos alunos que produziram o “Cicatrizes da Juventude”. O material será exibido em uma escola de Campinas.

Além da comunidade acadêmica, instituições da região, como a Ecobrinquedoteca, Movimento Vida Melhor, Centro Educacional Integrado e Casa sem Preconceito, estiveram presentes na apresentação e puderam avaliar os projetos e a importância deles para a sociedade.

Em agosto, será a vez do Jornalismo apresentar suas soluções, com uma websérie sobre crianças e adolescentes. Ao todo, serão 20 capítulos focados também no ECA.

Para Tereza Miriam Pires Nunes, idealizadora da Ecobrinquedoteca – que trabalha a recreação com foco no desenvolvimento do indivíduo, usando ecobrinquedos, a iniciativa de levar esses trabalhos produzidos na Universidade para a sociedade é algo fundamental. “A academia é necessária, mas a ‘mão na massa’ é realmente onde se aprende. Teoria e prática têm que seguir de mãos dadas”, comenta.

Para Ana Paula Araripe Fragoso, do Movimento Vida Melhor – que atua na assistência e suporte a crianças e adolescentes, existe uma necessidade desse tipo de conteúdo que pode ser construído dentro da sala de aula. “Quem está na ponta tem tanta necessidade desse tipo de material que às vezes muitas pessoas trabalham individualmente ao mesmo tempo, mas a gente não se reúne para somar. Então a possibilidade de estreitar essa parceria com a PUC-Campinas está sendo uma oportunidade muito bacana”, reforça.

Aprender com os problemas e trazer soluções

 O Projeto Integrador existe em toda a PUC-Campinas e consiste exatamente em reunir o conteúdo recebido pelos alunos durante as aulas e realizar um trabalho voltado para a comunidade. Para a Diretora da Faculdade de Jornalismo da Universidade, Profa. Dra. Rose Bars, a atividade provoca várias competências dos alunos e está alinhada à missão da PUC-Campinas.

“A experiência acadêmica além dos muros da Universidade é um dos diferenciais do nosso curso. Apresentamos aos alunos um problema e eles nos apresentam a solução. Com isso, trabalhamos a proatividade, a iniciativa, a criatividade, a percepção do aluno sobre a realidade social – muitas vezes distante da realidade vivenciada por ele”, explica. “Os alunos, com esses trabalhos, fazem a diferença na comunidade e ajudam na transformação da realidade social”, completa a professora.

No final, fica a emoção de quem lida e trabalha diariamente com os temas. E conseguiu ver, na apresentação, um olhar importante para fora da Universidade e para assuntos sensíveis. “Amei participar de um trabalho sério que teve como tema gerador o ECA e também com as jovens tão entusiasmadas em conhecer e valorizar o brincar, que é tão necessário nessa fase de criança e adolescência”, reforça a idealizadora da Ecobrinquedoteca, Tereza Miriam Pires Nunes.

 

 



Carlos Giacomeli
29 de junho de 2022