
Durante o mês da mulher, PUC-Campinas integra ação no Centro Pop II com entrega de absorventes e promoção da saúde bucal
Por meio do programa PDHI:LA, Universidade soma forças à iniciativa do poder público
A PUC-Campinas, por meio do Programa de Desenvolvimento Humano e Integral: Levanta-te e Anda (PDHI:LA), participou, nesta quarta-feira (06), do “Dia da Beleza”, evento dedicado ao acolhimento de mulheres em situação de rua no Centro POP II, em Campinas. Inserida na programação do mês dedicado às mulheres do atendidas no espaço, a iniciativa marcou o início de uma série de atividades voltadas ao fortalecimento do debate sobre direitos, dignidade e o enfrentamento às violências que atingem as mulheres, especialmente as que vivenciam a realidade da rua.
Durante a atividade, as próprias trabalhadoras do Centro POP II ofereceram às participantes momentos de cuidado e atenção, realizando maquiagem, cuidados com o cabelo, unhas e massagens, criando um espaço de afeto, valorização e fortalecimento da autoestima. A atuação da Universidade consistiu na orientação de saúde bucal e na distribuição de kits de higiene menstrual, com o objetivo de promover a saúde básica e a garantia de direitos.
A estudante de odontologia, Gabriela de Abreu Encarnação, orientou as mulheres sobre práticas de autocuidado e adaptou o conhecimento para a realidade das ruas. “Vim ensinar sobre a importância da escovação e a maneira correta de fazer. Trouxe espelho para que elas possam se ver e aprender e, assim, vou ajustando a escovação. Também trouxe um manequim para demonstrar. É minha primeira vez aqui e me sinto muito feliz em poder doar o meu tempo para ajudar outras pessoas. Eu acho muito importante termos a oportunidade de sentir que estamos realmente fazendo a diferença na vida das pessoas, que é o meu maior propósito. É muito bom também para aprendermos a acolher”.
Cidinha Régis, Coordenadora do Centro POP II, enfatizou que, ao pensarmos na população em situação de rua, é necessário um olhar diferenciado. “Para essas mulheres, um ato simples como passar um batom é muito significativo; é um instrumento de resistência. A mulher na rua sofre todas as violências a que os homens estão expostos, mas com agravantes: na maioria das vezes, o companheiro que a agride é, de maneira contraditória, o mesmo que a protege das ameaças da rua. Além disso, ela sofre abusos da própria sociedade. Um evento como este, que cuida e ampara, é transformador, pois faz com que essa mulher entenda que o corpo é dela, que ela pode se cuidar, lutar e buscar ajuda contra as agressões. O silêncio é fruto da invisibilidade. Por se sentirem invisíveis ou com vergonha, muitas deixam de denunciar ou de procurar a equipe da Unidade. Essa ação quebra essa barreira, criando um vínculo de confiança para que elas tenham respaldo em momentos de violência. Todas as mulheres merecem ser vistas e ter seus direitos garantidos”.

