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Debates sobre IA e formação humanizada marcam o Dia do Enfermeiro

Evento organizado pela Faculdade de Enfermagem reuniu estudantes, docentes e profissionais da saúde para discutir os desafios contemporâneos da enfermagem e reforçar o papel humano no cuidado

A Faculdade de Enfermagem da PUC-Campinas realizou, na quarta-feira, 12 de maio, um evento científico em comemoração ao Dia do Enfermeiro, no Auditório Monsenhor Salim, no Campus II.

O encontro reuniu docentes, enfermeiros, residentes e estudantes em uma programação voltada à valorização da profissão e à discussão dos desafios atuais da enfermagem, com destaque para os impactos da Inteligência Artificial na educação e na assistência à saúde. O evento abordou temas como as lutas históricas da categoria, avanços da profissão e perspectivas para o futuro da enfermagem no cenário nacional.

De acordo com a estudante do segundo ano do Curso de Enfermagem e integrante da comissão organizadora, Maria Eduarda Brandolin, a organização do evento e a definição do tema mobilizou cerca de 45 pessoas entre representantes do PET Enfermagem, Diretório Acadêmico, Atlética e docentes do Curso. “O Dia do Enfermeiro é um momento que a gente tem para acolher os estudantes, tirar dúvidas e levar um conhecimento a mais para a Graduação. Nós tivemos várias reuniões e observamos que a Inteligência Artificial está cada vez mais inserida na saúde. Por isso, precisamos preparar os profissionais para lidar com ela”, explicou.

Segundo a Diretora do Curso de Enfermagem da PUC-Campinas, Profa. Dra. Gabriela Marchiori Carmo Azzolin, os estudantes são os protagonistas e fazem o evento acontecer, com o suporte da Universidade. Para ela, o evento já faz parte da tradição da Faculdade de Enfermagem e representa um importante espaço de reflexão e fortalecimento profissional. Todos os anos, no dia 12 de maio, nós realizamos essa celebração junto da Associação Brasileira de Enfermagem, trazendo discussões importantes para a formação dos estudantes e para a profissão”, destacou.

Ela reforçou ainda que o debate sobre Inteligência Artificial é necessário, mas deve estar alinhado aos princípios humanizados da enfermagem. “A trajetória histórica da enfermagem é construída sobre o cuidado holístico. Essa fortaleza do cuidado é insubstituível por qualquer tecnologia. A Inteligência Artificial pode contribuir, mas jamais substituir o olhar humano, a ética e o cuidado do enfermeiro”, afirmou.

O futuro da enfermagem

Na abertura do evento, o Decano da Escola de Ciências da Vida (ECV), Prof. Dr. Gustavo Henrique da Silva, destacou que o futuro da Enfermagem é de expansão. Segundo ele, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que, até 2030, o mundo precisará de mais 10 milhões de profissionais de enfermagem para suprir a demanda global. No Brasil, o envelhecimento populacional e a ampliação dos serviços de saúde devem gerar crescimento anual de 6% a 8% na demanda por enfermeiros qualificados.

“Isso significa que nossos estudantes e profissionais não estão apenas entrando em um mercado aquecido; estão entrando em um mercado em transformação, que exige visão crítica, capacidade de adaptação e liderança. A Enfermagem moderna é guiada por evidências, protocolos, pesquisa e tecnologia. É uma profissão que exige raciocínio clínico, tomada de decisão rápida e domínio técnico de alta complexidade. Nosso compromisso é oferecer uma formação que integra ciência, ética, tecnologia e humanização”, afirmou.

A programação

A programação teve início com a conferência de abertura “ABEn 100 anos: lutas, avanços e perspectivas”, ministrada pela Profa. Dra. Dalvani Marques, representante da ABEn-SP , além de oficinas voltadas aos impactos da Inteligência Artificial na educação e na saúde. A Profa. Dra. Eliane Fernandes Azzari abordou a temática “Desafios da IA na educação, ética e integridade”, e Prof. Dr. Wemerson Delcio Parreira discutiu com os estudantes o tema Utilização da IA na saúde: experimentação de algumas plataformas e seus usos”.

O encontro também contou com uma atividade cultural da banda “Soro na Veia”.

Homenagem à trajetória na enfermagem

Durante o evento, a Faculdade de Enfermagem prestou uma homenagem à profa. Me. Maria Aparecida Gramper, enfermeira há 50 anos, integrante da terceira turma de Enfermagem da PUC-Campinas e docente da Instituição há quase quatro décadas. Maria Aparecida também atuou por quase 30 anos como coordenadora do Curso de Enfermagem e foi a responsável por introduzir a lamparina como símbolo dos eventos.

A lamparina simboliza a vigilância constante, o cuidado humanizado, a dedicação e o conhecimento científico na enfermagem. O símbolo homenageia Florence Nightingale, que usava uma lamparina a óleo para cuidar de soldados feridos durante a Guerra da Crimeia (1853-1856), tornando-se conhecida como a “Dama da Lâmpada”.

Para ela, o Dia do Enfermeiro é um espaço de reflexão sobre os desafios da profissão. “Esse é um momento muito importante de reflexão da profissão, do que está acontecendo no mundo e daquilo que ainda podemos avançar, crescer e compartilhar com as novas gerações. A IA não vai substituir o cuidado da enfermeira. O acolhimento, o toque e o estar junto são fundamentais. A tecnologia pode ajudar, mas não substitui o cuidado humano”, afirmou.



Jean Spaduzano
13 de maio de 2026