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No dia 21 de junho, o Ensino Médio figurou como tema principal do Fórum Permanente de Desafios do Magistério, realizado na Unicamp com apoio da Rede Anhangüera de Comunicação e da Associação Cooperativa Regional para o Desenvolvimento da Educação (Acorde).

Os participantes convidados discutiram o tema tanto sob o aspecto quantitativo, baseado em dados sobre o acesso e permanência de alunos matriculados neste nível de ensino, docentes, financiamento, políticas públicas, quanto sob o aspecto qualitativo, relativo às perspectivas de melhorias curriculares, formação de professores, entre outros assuntos.

O que mais chamou a atenção, ao lado dos números alarmantes, foi a questão da qualidade da oferta do Ensino Médio, sobretudo se relacionada à socialização do acesso à universidade, envolvendo questões sociais e estratégicas de inclusão e exclusão dos jovens brasileiros em meio ao processo de globalização.

Os parâmetros curriculares para o Ensino Médio referem-se ao artigo 35 da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), ao dispor que esse nível da educação básica, além de possibilitar o prosseguimento de estudos, deve também garantir a cidadania e a preparação básica para o trabalho.

Dentro desta perspectiva, as instituições educacionais podem promover dispositivos para auxiliar os jovens na difícil decisão de optarem por uma área de atuação profissional e um curso para a continuidade dos estudos.

Deve-se considerar que a dualidade da educação brasileira ainda não foi vencida, o que resulta na natural ansiedade dos jovens e dos seus familiares tanto por ocasião da conclusão do Ensino Fundamental quanto do Ensino Médio. Com a conclusão do Ensino Fundamental vem o dilema de seguir ou não a orientação para o curso técnico. E com a conclusão do Ensino Médio, a orientação para o Ensino Superior.

O assunto é preocupação freqüente no Colégio de Aplicação Pio XII e em outros estabelecimentos de ensino básico de Campinas, que têm desenvolvido atividades para ajudar seus alunos. Existem várias iniciativas neste sentido: programas de orientação vocacional e profissional, feiras de profissões, visitas às universidades, programas de integração entre escolas e empresas.

O Colégio Pio XII realiza no dia 28 de junho uma de suas ações com esse objetivo: o Fórum de Profissões. Trata-se de um evento no qual os estudantes do Ensino Médio têm oportunidade de conhecer as áreas pelas quais se interessam, desde a primeira série, diretamente com os profissionais.

O fórum vem sendo realizado há quatro anos. Soma-se a um conjunto de ações de orientação educacional implementadas no colégio. Os profissionais são indicados com base em pesquisas com os próprios alunos. No dia do evento podem conversar, entrevistar e confrontar suas expectativas com as experiências dos convidados.

São chamadas pessoas dos vários segmentos do mercado de trabalho: empresas, institutos, órgãos públicos, serviços, entre outros. Também constam entre os convidados professores universitários, que oferecem informações detalhadas sobre os cursos nos quais ministram aulas e, ainda, especialistas em recursos humanos que falam sobre currículos, aptidões, indicações de livros e filmes que possam contribuir para as reflexões dos estudantes.

Não pretendemos que o evento solucione todas as dúvidas. Inclusive porque o Fórum de Profissões, como as demais ações de orientação educacional do colégio, são permanentes e os alunos têm outras oportunidades de esclarecê-las.

Mas temos, sim, o intuito de pelo menos amenizar a ansiedade dos estudantes diante da dura realidade de se “preparar” para o mundo do trabalho, que, segundo o estudioso alemão Robert Kurz, não permite mais ao jovem globalizado fazer a pergunta “o que quero ser” mas a fazer a dura indagação “como posso vender-me a mim mesmo”.

Antônio Luís Risso
Professor e assessor pedagógico do Colégio de Aplicação Pio XII, mestrando em Educação e autor do livro Uma década de Projetos – metodologias,



Portal Puc-Campinas
22 de junho de 2006