
39ª Semana Filosófica celebra 85 anos da Faculdade de Filosofia com reflexão sobre lei, justiça e bem comum
Evento reuniu reflexão filosófica, homenagem a ex-docente da Universidade e lançamento de caderno comemorativo dos 85 anos da Faculdade
A PUC-Campinas realizou, entre os dias 8 e 11 de setembro, a 39ª Semana Filosófica, edição especial que integrou as comemorações pelos 85 anos da Faculdade de Filosofia, que surgiu em 1941 como Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, e que mais tarde, viria a se tornar PUC-Campinas. Com uma programação marcada pelo diálogo entre diferentes áreas do conhecimento, o evento também refletiu sobre temas fundamentais à formação humanística.
Entre os destaques da programação, a palestra “Tratado da Lei em Santo Tomás de Aquino”, ministrada pelo Decano da Escola de Ciências Humanas, Jurídicas e Sociais (HJS), Prof. Dr. Pe. Adriano Broleze. A partir do pensamento de Santo Tomás de Aquino, o docente propôs uma reflexão sobre os conceitos de lei, justiça e bem comum, relacionando uma discussão filosófica desenvolvida no século XIII a questões que permanecem atuais na sociedade.
“São Tomás, lá no século XIII, já definiu o que é lei, o que é justiça, e deu uma metafísica para a lei, ou seja, uma obrigação de se cumprir a lei não meramente pelo poder da norma, mas por um dever de realização pessoal. O grande fim da lei humana é o bem comum. A lei divina tem como finalidade a salvação dos homens, enquanto a lei humana, no tempo, está voltada para o bem comum”, destacou.
Para ele, o estudo de Santo Tomás de Aquino permanece fundamental tanto para a Filosofia quanto para a Teologia e para a compreensão do Direito. “É uma formação humanista em um sentido amplo. São Tomás de Aquino foi professor da Universidade de Paris, no período do surgimento das grandes universidades, e, ao longo da história, seu pensamento foi muitas vezes retomado. Ele aparece em diferentes momentos, inclusive quando o direito meramente positivo não conseguiu responder a determinadas questões e foi necessário resgatar a ideia do direito natural”, complementou.
Homenagem ao Prof. Antônio Joaquim Severino
A programação dos 85 anos também foi marcada pela homenagem ao Prof. Dr. Antônio Joaquim Severino, ex-docente do Curso de Filosofia e ligado a momentos importantes da história da Faculdade.
O Diretor da Faculdade de Filosofia da PUC-Campinas, Prof. Dr. Sergio Fazanaro, destacou a trajetória do professor e sua contribuição para a consolidação de iniciativas acadêmicas que permanecem como referências na instituição. Para ele, reconhecer essa trajetória significa também preservar a memória de uma Faculdade que se construiu a partir da contribuição de diferentes gerações de professores.
“O professor Antônio Joaquim Severino demarca um pouco da história da Faculdade de Filosofia nesses 85 anos. Nos anos 1970, ele estava presente aqui e foi um dos idealizadores da revista Reflexão, bem como de um primeiro programa de Pós-Graduação em Filosofia. Teve uma importância significativa, passando pelos cursos da Universidade”, afirmou.
A trajetória de Severino na PUC-Campinas inclui a atuação na coordenação do Departamento de Filosofia, a partir de 1975, em um período de renovação institucional. Como docente, permaneceu na Universidade entre 1976 e 1981.
Surpreendido pela homenagem, Antônio Joaquim Severino destacou a emoção de retornar à Universidade e reencontrar uma comunidade acadêmica que considera parte importante de sua história. “Eu me senti retornando em casa, como se fosse um retorno normal, e aí a gente fica muito grato com esse reconhecimento por parte dos colegas, das novas gerações, mesmo daqueles que não puderam conviver com a gente. Foram cinco anos proveitosos, muito fecundos, muito ricos, esperançosos. A gente tinha muitas ideias, muitos projetos. Foi tudo muito bom”, afirmou.
Caderno comemorativo dos 85 anos
Outro momento de destaque da Semana Filosófica foi o lançamento do caderno comemorativo dos 85 anos da Faculdade de Filosofia, publicação que reúne memórias e registros relacionados à trajetória do curso pioneiro da Universidade. Confira a publicação aqui.
De acordo com o Prof. Sergio Fazanaro, a proposta não foi produzir uma narrativa definitiva sobre a história da Faculdade, mas reunir diferentes testemunhos e registros capazes de preservar parte dessa trajetória e abrir espaço para futuras contribuições.
“Neste momento comemorativo, gostaríamos de deixar uma marca, compilando um pouco das memórias de professores mais antigos da nossa casa, de registros que o Museu Universitário nos ajudou a compor e também de egressos que contribuíram coletivamente para esse compilado. A ideia é que seja uma revista aberta, para que, em próximas edições, possamos continuar alimentando essa história da Universidade e da Faculdade de Filosofia”, explicou.
Filosofia em diálogo com diferentes áreas
A proposta de ampliar o diálogo da Filosofia com outros campos do conhecimento esteve presente em diferentes momentos da programação. A Semana Filosófica levou palestras e debates para outras Escolas da Universidade, aproximando estudantes de diferentes cursos e criando espaços de reflexão interdisciplinar.
Na Escola de Arquitetura, Artes e Design, a atividade “Estética da presença: olhar, experiência e pensamento” promoveu uma reflexão sobre as relações entre estética, experiência e pensamento. Já em parceria com a Escola de Linguagem e Comunicação, o debate “Quando tudo vira aposta, ainda há espaço para a reflexão?” aproximou Filosofia e Comunicação, com a participação da jornalista Alicia Klein, colunista e comentarista do UOL e do SporTV, e do Prof. Dr. Luis Gabriel Provinciatto.
A Filosofia também esteve presente na Escola de Economia e Negócios, na Arena Manacás, com duas atividades que aproximaram a reflexão filosófica de questões relacionadas à política, à economia e às relações de poder. O Prof. Dr. Samuel Mendonça conduziu a palestra “Conflito sem confrontação: Filosofia, poder e convivência em um mundo plural”, enquanto o Prof. Me. Antonio Carlos de Azevedo Lobão abordou “A ordem mundial em disputa: hegemonia, guerra econômica e os dilemas do Brasil”.
Na Escola Politécnica, também no Manacás, a programação promoveu outro encontro entre Filosofia e áreas específicas do conhecimento, com a palestra “O que pode uma filosofia da matemática?”, ministrada pelo Prof. Dr. Marco Antônio Chabbouh Júnior.
