
Déficit da balança comercial da RMC em 12 meses supera o rombo de todo o estado de São Paulo, aponta Observatório PUC-Campinas
Mesmo com exportações crescendo quatro vezes mais rápido que importações em julho, saldo negativo acumulado se estabiliza em patamar elevado
O déficit da Balança Comercial da Região Metropolitana de Campinas (RMC) acumulado nos últimos 12 meses atingiu a marca de US$ 12,75 bilhões, superando o saldo negativo de todo o estado de São Paulo, que fechou o período em US$ 10,77 bilhões. Os dados constam no mais recente Informativo da Balança Comercial, referente a julho, divulgado pelo Observatório PUC-Campinas. O resultado indica que a RMC é, isoladamente, responsável por um rombo maior que o do estado inteiro, cabendo às demais regiões paulistas gerar saldos positivos que compensem parcialmente as perdas da região de Campinas.
No recorte mensal de julho, as exportações da RMC totalizaram US$ 551,42 milhões, um avanço de 14,89% em comparação com julho de 2025. O ritmo das vendas externas foi quatro vezes superior ao das importações, que cresceram 3,37% e somaram US$ 1,86 bilhão no mesmo período. Apesar desse dinamismo, o saldo do mês permaneceu negativo em US$ 1,31 bilhão, uma queda de 0,83% frente ao ano anterior, o que reforça o caráter estrutural e persistente do déficit da região.
O fluxo comercial da RMC destaca-se pela alta complexidade tecnológica de sua pauta, que responde por 39% das exportações e 65% das importações regionais. No acumulado de 12 meses, as vendas desse segmento de maior valor agregado cresceram 3,6%. Embora as exportações de baixa complexidade tenham apresentado um salto de 138,6% em julho, a variação ocorreu sobre uma base pequena (cerca de 15% do total) e não representa uma alteração na tendência de longo prazo.
Destaque para platina e oscilação em medicamentos
Entre os principais produtos vendidos pela região em julho, as telas ou grades catalisadoras de platina mantiveram a liderança, somando US$ 40,11 milhões no mês — uma alta expressiva de 292,3% em relação a julho de 2025. O item também lidera o crescimento no acumulado de 12 meses, registrando uma expansão de 95,9% – totalizando US$ 208,19 milhões. Outro destaque de alta em julho foi o coque de petróleo, que somou US$ 23,04 milhões, registrando um salto expressivo de 4.573,6%.
Por outro lado, as vendas de medicamentos em doses para venda a retalho, principal item de exportação da RMC no acumulado de 12 meses (com US$ 407,03 milhões), sofreram um recuo mensal de 22,1% em julho.
Nas importações, os inseticidas e herbicidas continuaram liderando a pauta, atingindo US$ 319,11 milhões em julho. As compras externas de computadores e máquinas de processamento de dados também registraram crescimento acentuado, com alta de 177,1% (somando US$ 107,79 milhões).
Mudança nos parceiros e relação com Estados Unidos
No cenário de destinos das exportações, a Alemanha assumiu temporariamente o posto de principal parceiro comercial da RMC em julho, com um salto de 171,4% (atingindo US$ 83,85 milhões), acompanhada por um avanço robusto das vendas para a China (+379,1%). Contudo, no acumulado dos últimos 12 meses, a Argentina permanece na liderança do ranking (US$ 960,35 milhões). Nas importações, a China mantém-se dominante (com US$ 5,29 bilhões em 12 meses), embora a Coreia do Sul tenha se destacado com uma alta de 171% no mês, apontando para uma provável diversificação de fornecedores.
A relação comercial direta com os Estados Unidos apresentou recuo em ambas as pontas em julho, com queda de 3,01% nas exportações regionais e de 4,68% nas importações. No acumulado de 12 meses, o comércio bilateral gerou um déficit de US$ 1,90 bilhão para a RMC. De acordo com a análise do Observatório, a volatilidade mensal observada neste fluxo específico é explicada pelas políticas de imposição e suspensão temporária de tarifas adotadas pelo governo norte-americano ao longo do período.
Cidades líderes na região
No âmbito municipal, Campinas manteve a liderança na geração de exportações na RMC, somando US$ 115,36 milhões no mês de julho (alta de 19,1% em relação ao ano passado). No acumulado de 12 meses, a liderança campineira consolidou-se em US$ 1,29 bilhão. Outro município que chamou a atenção no mês foi Hortolândia, registrando um crescimento expressivo de 309,4% em suas vendas externas, que totalizaram US$ 23,56 milhões no período.
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