
Entre a sala de aula e a redação: Faculdade de Jornalismo e Grupo EP lançam o “Foca EPronto”
Projeto oferece aos estudantes a oportunidade de transformar pautas em reportagens com orientação de profissionais do g1, EPTV e CBN
A formação de novos jornalistas ganhou uma nova oportunidade de aproximação com o mercado profissional na PUC-Campinas. Em parceria com o Grupo EP, a Faculdade de Jornalismo lançou, nesta quarta-feira (19), o Foca EPronto, primeiro prêmio de jornalismo universitário desenvolvido pela Universidade em parceria com o Grupo EP. Mais do que uma competição, a iniciativa propõe uma experiência de formação prática, na qual os estudantes serão acompanhados por profissionais do g1, EPTV e rádio CBN durante diferentes etapas da produção jornalística, da elaboração das pautas à finalização das reportagens em diferentes formatos.
O lançamento, realizado na Arena Manacás, reuniu estudantes e profissionais do jornalismo para uma Aula Magna sobre IA, desafios e transformações da profissão. Participaram Luiza Tenente, repórter de Educação do g1 e apresentadora do g1 em 1 Minuto; Ben-Hur Correia, coordenador do Núcleo de Estratégia do Jornalismo da Globo, especialista na adoção de inteligência artificial em redações e professor da PUC-Rio e da PUC-MG; e Pedro Bassan, jornalista com 34 anos de carreira, sendo 29 deles na TV Globo, onde atuou como correspondente na China e em Portugal e cobriu oito Olimpíadas, oito Copas do Mundo e cinco temporadas de Fórmula 1.
Ao falar sobre as transformações provocadas pela inteligência artificial, Ben-Hur destacou que a tecnologia acompanha uma característica histórica do próprio jornalismo: a incorporação de novas ferramentas para ampliar as possibilidades de produção e distribuição da informação. Para ele, os futuros profissionais precisam conhecer as potencialidades da IA, mas também desenvolver uma postura crítica diante de seu uso.
“Temos que ensinar essa nova geração a lidar com essa ferramenta, entender quais são as capacidades que ela tem e o que pode trazer para a nossa profissão, mas também ter uma postura crítica com relação à adoção e ao desenvolvimento dessas ferramentas”, afirmou.
A importância da experiência prática durante a graduação também foi ressaltada por Luiza Tenente. Para a jornalista, o contato com profissionais que estão no cotidiano das redações ajuda os estudantes a compreenderem as transformações do mercado e amplia as possibilidades de atuação profissional.
“É importantíssimo que você tenha essa oportunidade, na universidade, de já conviver com profissionais que estejam no dia a dia das redações e que possam falar dos novos formatos. É uma baita experiência poder escutar profissionais e, principalmente, experimentar”, destacou.
Luiza também compartilhou com os estudantes uma experiência de sua própria trajetória profissional para mostrar como o jornalismo pode mudar rapidamente. Quando estava na faculdade, em 2013, tinha como objetivo trabalhar em revistas, mas seu primeiro emprego formal já foi como repórter de site. “O segredo é não se fechar. Você precisa se abrir a diferentes formatos, porque tudo muda muito rápido”, aconselhou.
Para Pedro Bassan, a aproximação entre universidade e mercado beneficia não apenas os estudantes, mas também os próprios profissionais que participam da iniciativa. “O jornalismo é uma profissão muito voltada para a prática. Então, é importante praticar desde cedo na faculdade. E, para nós, também é uma vivência incrível, porque, vindo para cá, a gente se renova. A gente convive com pessoas mais jovens, que enxergam o mundo de uma maneira diferente. É um aprendizado para todos, uma troca de experiências”, afirmou.
Diferentes plataformas
O projeto combina oficinas, reuniões de pauta, mentorias e produção de conteúdo para televisão, rádio e internet, proporcionando aos estudantes contato direto com profissionais que atuam diariamente nas redações. A proposta é contribuir para uma formação conectada às transformações do jornalismo e, ao mesmo tempo, preservar fundamentos da profissão, como a apuração, a relevância social e a qualidade da informação.
A aproximação entre a sala de aula e a rotina das redações transforma a formação do estudante, destaca o Prof. Dr. Rogério Bazi, Diretor da Faculdade de Jornalismo. Segundo ele, a parceria permite vivenciar, ainda durante a graduação, experiências que fazem parte do cotidiano profissional, como a dinâmica de apuração, o rigor na checagem, o cumprimento de prazos e a responsabilidade ético-social no tratamento da informação.
“Essa imersão também contribui para que o estudante desenvolva inteligência emocional, jogo de cintura e comunicação interpessoal diante das situações de pressão características da profissão. Ao vivenciar o cotidiano das redações, o futuro jornalista compreende, na prática, o peso da precisão e o valor do interesse público”, afirma. Para Bazi, a experiência ajuda o aluno a construir sua identidade jornalística com mais maturidade crítica, autonomia e senso de urgência, além de fortalecer sua capacidade de adaptação a um cenário midiático em rápida transformação.
Lana Torres, gerente de Jornalismo do g1, conta que a iniciativa nasceu da necessidade de aproximar diferentes atores do ecossistema da informação em um momento de profundas transformações na profissão.
“O projeto nasce desse nosso desejo de se aproximar da universidade e de contribuir de alguma forma com a formação da nova geração, que é quem vai, no futuro, ser responsável pela manutenção do jornalismo”, explica.
Segundo ela, o diferencial está justamente em acompanhar os estudantes durante o desenvolvimento dos trabalhos. “A gente não queria apenas premiar as iniciativas como bons conteúdos, mas também acompanhar os alunos de perto durante todo o caminho, até a conclusão dessas reportagens”, destaca.
Os grupos participantes serão formados por três a cinco estudantes, que deverão apresentar uma proposta de reportagem relacionada à região de Campinas. As melhores pautas avançarão para reuniões com profissionais do Grupo EP e, posteriormente, para a etapa de produção, que contará com mentorias de jornalistas da CBN, do g1 e da EPTV.
A proposta é que cada grupo desenvolva um projeto multiplataforma, contemplando conteúdos para rádio, televisão e ambiente digital. No digital, os estudantes poderão explorar diferentes recursos e formatos, enquanto as equipes do Grupo EP contribuirão com orientações específicas para cada linguagem.
“A gente trouxe para eles o desafio que nós temos no Grupo EP também, que é de contar as nossas histórias em múltiplas plataformas”, explica Lana. Para ela, a experiência permite que os estudantes conheçam, na prática, diferentes formas de construir uma narrativa jornalística.
Da sala de aula à redação
Para os estudantes, a iniciativa representa a oportunidade de conhecer mais de perto a rotina profissional e experimentar diferentes possibilidades dentro do jornalismo. Pietro de Próspero, aluno do quarto semestre, vê no projeto uma chance de transformar em experiência concreta um mercado que, até então, parecia distante. Interessado em produção de conteúdo para redes sociais, ele destaca a importância de ter contato com grandes veículos ainda durante a graduação.
“É quase inacreditável pensar que agora a gente pode vivenciar algo que um dia foi tão distante, que foi um sonho mesmo. Ter essa oportunidade agora vai nos ajudar muito quando entrarmos de fato como estagiários e, depois, quem sabe, como jornalistas. É uma experiência que pode fazer diferença para a gente aprender a produzir tudo com a melhor qualidade possível”, afirma.
O contato com diferentes linguagens também desperta o interesse do estudante. “Transcrever e transformar um produto que há muitos anos é feito para a TV em uma linguagem acessível e num tempo curto, e ainda assim conseguir passar informação, é de extrema importância”, avalia.
Para Gabriel de Almeida, aluno do segundo semestre, a experiência ganha um significado ainda maior por sua trajetória anterior. Graduado em Produção Audiovisual, ele chega ao curso de Jornalismo com experiência nos bastidores da produção e agora busca ampliar seu repertório também diante das câmeras e na prática jornalística.
“Na faculdade, principalmente no começo, a gente está sempre um pouco perdido. Então, ter esse contato logo de entrada é muito importante, porque conseguimos enxergar melhor as áreas em que podemos atuar e também aquelas que podemos descobrir e aprender mais”, conta.
Entre as possibilidades apresentadas pelo projeto, Gabriel se identifica especialmente com o rádio, uma linguagem que passou a despertar seu interesse durante a graduação. “Tenho bastante interesse em rádio. Descobri essa vontade de aprender agora na faculdade e estou ansioso para conhecer mais esse formato”, afirma.
A relação com a televisão também aparece entre as expectativas de Yasmin Malerba Del Passo Silva, aluna do quinto semestre. Para ela, a parceria entre a PUC-Campinas e o Grupo EP representa uma oportunidade inédita de aprofundar conhecimentos em uma área que desperta interesse e de ampliar a formação prática para além da sala de aula.
“A TV me desperta mais curiosidade. Existem muitos desafios além da sala de aula, principalmente na rotina, nos roteiros e nas gravações. É algo que gostei muito de fazer no telejornalismo e estou muito ansiosa para conhecer um pouco mais do que acontece por dentro”, afirma.
Além da experiência profissional, Yasmin destaca o significado pessoal de participar do projeto e acompanhar de perto jornalistas que já fazem parte de sua trajetória como espectadora.
“Fiquei muito contente de ver profissionais que admiro participando dessa abertura. São pessoas que acompanho desde muito nova e que têm uma história comigo. Por isso, acredito que esse projeto terá um significado muito grande para mim”, completa.
Conselhos para os “focas”
O nome Foca EPronto faz referência ao termo tradicionalmente utilizado nas redações para se referir a jornalistas em início de carreira. Durante o lançamento, os profissionais convidados também compartilharam orientações para os “focas” – estudantes que estão dando os primeiros passos na profissão.
Para Ben-Hur, as novas tecnologias ampliaram as possibilidades de produção jornalística e permitem que jovens profissionais desenvolvam trabalhos relevantes mesmo fora das grandes redações. “Comece a produzir para ontem. Hoje você não precisa estar em uma grande redação para fazer um jornalismo de impacto. É possível produzir conteúdo de qualidade em diferentes espaços, e as grandes redações também observam quem está fazendo um bom trabalho fora delas”, afirmou.
Luiza Tenente reforçou a importância de experimentar e desenvolver uma identidade própria. “A principal dica é treinar bastante e encontrar o seu próprio jeito de apresentar. Não adianta imitar o que você já vê. O importante é encontrar uma forma que seja natural para você, na qual se sinta à vontade e consiga construir sua credibilidade”, aconselhou.
Já Pedro Bassan destacou a importância de conciliar atualização e formação sólida. Para ele, os futuros jornalistas precisam acompanhar as novas tecnologias, sem deixar de lado o conhecimento construído ao longo da história da profissão.
“É preciso se atualizar sempre, mas também manter a base que sempre caracterizou o jornalista. É preciso ler muito, conhecer as obras fundamentais e entender o país. Olhar para o futuro e para o passado é o que nos ajuda a vivenciar melhor o presente”, afirmou.
Entre as obras que considera importantes para a formação dos estudantes, Bassan citou Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro, e Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre. Para o jornalista, conhecer profundamente o Brasil é parte essencial da formação de quem pretende contar suas histórias.
Como participar
As inscrições para o Foca EPronto seguem até 7 de setembro. Podem participar estudantes da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas, matriculados no sexto e oitavo módulos, organizados em grupos de três a cinco integrantes, que deverão apresentar uma proposta de reportagem sobre temas de interesse da região de Campinas, com planejamento para diferentes plataformas, como televisão, rádio e internet.
As propostas deverão apresentar o tema, justificativa, possíveis fontes, abordagens para cada linguagem e a composição da equipe. Os projetos selecionados participarão de uma reunião de pauta com profissionais do Grupo EP, etapa em que os estudantes poderão apresentar suas ideias, receber orientações e aprimorar as propostas antes da seleção dos trabalhos que avançarão para a produção.
A iniciativa valoriza pautas relacionadas à realidade local e a histórias ainda pouco conhecidas. Nesta edição, não serão contempladas propostas de jornalismo esportivo. Clique aqui para acessar o regulamento.



