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PPG em Direito lança projeto para capacitar advogados negros para ingresso no mestrado e doutorado

Projeto será realizado em seis encontros em agosto e setembro, abordando temas como elaboração de projeto de pesquisa, ética e inteligência artificial

O Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD) da PUC-Campinas lançou, na terça-feira, 11 de agosto, o projeto “Advocacia Negra na Ciência: capacitação para ingresso no Mestrado e Doutorado”. A iniciativa é voltada à preparação de advogadas e advogados negros para o ingresso, a permanência e o aproveitamento na pós-graduação stricto sensu.

A abertura oficial contou com a presença, pela PUC-Campinas, do coordenador do Programa de Pós-Graduação em Direito, Prof. Dr. Pedro Peruzzo; da Profa. Dra. Waleska Miguel, da Faculdade de Direito, que está à frente da iniciativa; da comendadora Edna de Almeida Lourenço, coordenadora do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros “Dra. Nicéa Quintino Amauro”; e da advogada Ma. Isabella Garcia, egressa do PPGD da Universidade.

Também participaram da abertura o Dr. Ademir José Silva, presidente da Comissão sobre a Verdade da Escravidão Negra do Brasil, advogado e membro da Associação Nacional da Advocacia Negra (ANAN); a Dra. Daniela Oliveira da Fonseca, coordenadora das Comissões da Igualdade Racial das 3ª e 4ª Regiões da OAB-SP, conselheira estadual da OAB-SP e vice-presidente da Comissão da Igualdade Racial da OAB Campinas; o Dr. Peter Panutto, secretário de Justiça da Prefeitura Municipal de Campinas, advogado e docente permanente do Mestrado em Direito e da graduação da PUC-Campinas; e o Dr. Estevão Silva, presidente da ANAN, doutor em Direito, professor universitário e advogado.

O Instituto Luiz Gama também participa do projeto e esteve representado pelo Prof. Dr. Renato Aparecido Gomes, presidente do Instituto, advogado e professor; e pelo Prof. Dr. Camilo Onoda Caldas, diretor do Instituto Luiz Gama, advogado e docente do projeto.

Ao todo, o evento reuniu 40 pessoas de forma presencial e outras 72 on-line, totalizando sete estados representados. O projeto será realizado entre os dias 11 de agosto e 17 de setembro de 2026, em seis encontros.

Ao longo da formação, serão abordados temas como elaboração de projeto de pesquisa, aderência às linhas de pesquisa, integridade científica, ética, inteligência artificial, fontes de pesquisa, internacionalização e impacto social.

De acordo com a proposta apresentada pelos organizadores, o objetivo é apresentar aos participantes o que é um projeto de pesquisa, sua metodologia e justificativa, além de discutir como a inteligência artificial pode ser utilizada e como os interesses dos participantes podem ser relacionados à pesquisa para o ingresso no mestrado e doutorado.

Também serão apresentadas as linhas de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Direito da PUC-Campinas, que trabalha com Cooperação Internacional e Direitos Humanos e Políticas Públicas e Direitos Humanos. A proposta é capacitar os participantes para que estejam aptos a participar de processos seletivos de mestrado ou doutorado.

A iniciativa surgiu a partir de um diálogo com a ANAN e o Instituto Luiz Gama, que atuam na luta por equidade racial e pelo reconhecimento da população negra em espaços de representatividade, especialmente no Poder Judiciário e no espaço jurídico.

“A iniciativa se mostra relevante porque permitirá que tenhamos novos olhares para a pesquisa advindas da advocacia negra, que possui enfrentamentos do racismo para atuação profissional e possibilidade de acesso a outras áreas do Poder Judiciário”, explica a Profa. Dra. Waleska Miguel.

Segundo ela, os dados da CAPES apontam para uma sub-representação de pessoas negras na pós-graduação no Brasil. A população negra representa 55,5% do País, enquanto pessoas negras correspondem a 20,8% dos títulos de mestrado — 4,1% de pessoas pretas e 16,7% de pessoas pardas — e 18,3% dos títulos de doutorado — 3,4% de pessoas pretas e 14,9% de pessoas pardas.

A iniciativa é voltada especificamente a advogadas e advogados negros, considerando a baixa representatividade desse público com titulação de mestrado e doutorado. A proposta é contribuir para a capacitação profissional e abrir novos caminhos para a pesquisa no Direito.



Carlos Giacomeli
13 de agosto de 2026

/* CONTEUDO PROGRAMATICO*/