
PUCMUN Universitário aproxima estudantes da prática diplomática
Simulação das Nações Unidas reuniu estudantes no Campus I para discutir o tráfico de mulheres e meninas e desenvolver habilidades como negociação, oratória e trabalho em equipe
Delegados reunidos para discutir um tema da agenda internacional, documentos em análise, discursos e negociações em busca de soluções. Embora a dinâmica remeta às reuniões das Nações Unidas, a atividade aconteceu no Campus I da PUC-Campinas, durante a última edição do PUCMUN Universitário, realizada no sábado (26), no espaço Manacás.
Promovida por estudantes do Curso de Relações Internacionais, a simulação colocou os participantes no papel de representantes de diferentes países para discutir o tráfico de mulheres e meninas como forma de financiamento de grupos armados transnacionais. Ao longo da atividade, os alunos precisaram considerar diferentes perspectivas e posições nacionais para construir propostas e encaminhamentos para o problema.
“O PUCMUN Universitário é uma simulação das Nações Unidas. Os alunos assumem o papel de delegados de nações no sistema ONU e têm que discutir de acordo com o posicionamento desse país”, explica a Profa. Dra. Kelly de Souza Ferreira, coordenadora do curso de Relações Internacionais da PUC-Campinas.
Segundo ela, a escolha dos temas é feita em conjunto com os estudantes e considera assuntos que estão sendo efetivamente debatidos nas Nações Unidas. Nesta edição, a complexidade do tema exigiu dos participantes a articulação de diferentes aspectos durante as discussões.
Vivência diplomática
O PUCMUN é uma experiência de simulação das negociações da ONU que permite aos participantes vivenciarem, na prática, situações relacionadas ao cenário internacional. Além da edição universitária, realizada no segundo semestre, o projeto também promove uma edição voltada a estudantes do Ensino Médio no primeiro semestre.
A organização é desenvolvida a partir da disciplina Simulações e Dinâmicas Especiais para Relações Internacionais, na qual os estudantes são orientados na elaboração da atividade.
Nesta edição, foram formadas 15 delegações, representando França, Reino Unido, Letônia, Dinamarca, Grécia, Rússia, China, Bahrein, Paquistão, Libéria, Somália, República do Congo, Estados Unidos, Colômbia e Panamá. Além dos delegados, a estrutura da simulação conta com diferentes equipes responsáveis pelo funcionamento da atividade.
Para a estudante Giovanna Pedrini Martino, do quarto semestre de Relações Internacionais, a experiência representa uma oportunidade de colocar em prática conhecimentos desenvolvidos durante a graduação. Nesta edição, ela assumiu a função de secretária-geral, responsável pela coordenação da atividade.
“Nosso conhecimento vai muito além da sala de aula. Aqui conseguimos aplicar, mesmo dentro das paredes de uma simulação, muito do que aprendemos e, depois, levar isso para o mundo ao nosso redor, onde vamos trabalhar”, afirma.
Giovanna já havia participado da edição voltada ao Ensino Médio no semestre anterior, quando atuou como vice-secretária-geral. A mudança de função, segundo ela, ampliou a responsabilidade na organização e a possibilidade de vivenciar diferentes aspectos da atividade.
Habilidades em prática
Além dos conhecimentos vinculados às Relações Internacionais, o PUCMUN mobiliza competências comportamentais que fazem parte da formação dos estudantes. Durante a simulação, eles precisam pesquisar, organizar informações, elaborar documentos, se comunicar diante de outras pessoas, negociar e trabalhar coletivamente.
“O interessante disso é que, embora muitas profissões hoje estejam com medo de serem substituídas por IA, a ideia desse evento e da profissão de Relações Internacionais é o desenvolvimento de soft skills, que são habilidades que realmente só nós, seres humanos, temos por enquanto, como negociação, conciliação e articulação de diversos conceitos”, explica Kelly.
A coordenadora destaca ainda a necessidade de lidar com situações de pressão. Durante os debates, as discussões podem se tornar mais intensas, exigindo dos participantes equilíbrio para manter a postura diplomática.
“Uma das principais habilidades é a regulação emocional, porque durante o evento há discussões e, algumas vezes, elas ficam acaloradas. É preciso preservar o comportamento diplomático e saber lidar com a pressão. Assim, eles vão desenvolver postura, fala, regulação emocional, compreensão e até mesmo empatia”, afirma a docente.
Para Giovanna, a experiência também exige comunicação constante e capacidade de trabalhar em conjunto. “Sem dúvida, o trabalho em equipe, a comunicação e a oratória. A gente trabalha muito o trabalho em conjunto, a pesquisa e o desenvolvimento de documentos. São coisas fundamentais na simulação”, conta a estudante.
Por trás da simulação
A realização do PUCMUN envolve diferentes frentes de trabalho, que vão além da atuação dos delegados. Os estudantes participam da organização, da preparação de documentos, do apoio às mesas e delegações e também da comunicação do evento.
É o caso de Marina França, do quarto semestre de Relações Internacionais, que ficou responsável pela área de mídias. Entre suas atividades estavam a produção de posts para as redes sociais, a identidade visual e a divulgação das diferentes etapas da programação.
“Minha função foi divulgar as informações, falar um pouco mais sobre o que é o PUCMUN e sobre o modelo da ONU, que a gente realiza aqui. No dia da simulação, fizemos postagens em tempo real sobre o que está acontecendo”, explica.
Para ela, participar da organização também contribuiu para aproximar os estudantes da própria turma. “Eu acho que uniu bastante a sala. Tive muito contato com todos os setores, porque tivemos que gravar alguns vídeos e entrevistar algumas pessoas. Para mim está sendo muito bom”, afirma.
A estudante Beatriz Sena Rodrigues, também do quarto semestre, atuou como vice-secretária-geral do Conselho de Segurança e no apoio à mesa e aos delegados. Para ela, acompanhar os bastidores da organização proporcionou uma experiência diferente daquela vivenciada apenas como participante.
“É muito legal ver como é construído, como é feito. Quando você participa como delegada, é completamente diferente. É muito divertido e, quando a gente vê que está tudo bonito e dando certo, é muito gratificante”, relata.
A preparação também trouxe desafios individuais. Entre eles, o exercício de falar em público e utilizar o microfone, uma habilidade que Beatriz ainda está desenvolvendo. “Eu acho que é muito bom também para a gente vencer desafios de falar em público, se soltar um pouco mais, ainda mais na nossa área”, afirma.









