
Pesquisadores de Psicologia da PUC-Campinas são premiados em Congresso na Bahia
Com foco em saúde mental, inclusão e dignidade nas relações laborais, estudo conquistou o primeiro lugar
O Programa de Pós-Graduação (PPG) Stricto Sensu em Psicologia da PUC-Campinas foi destaque durante o XII Congresso Brasileiro de Psicologia Organizacional e do Trabalho (CBPOT), sediado na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador. Uma pesquisa conjunta, liderada por representantes da Universidade, foi reconhecida com o prêmio de melhor mesa-redonda do evento, consolidando a força da Instituição na produção científica nacional.
Organizado a cada dois anos pela Sociedade Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho (SBPOT), o Congresso é um dos mais importantes da área. A delegação da PUC-Campinas contou com a presença dos docentes Prof. Dr. Rodolfo Ambiel e Prof. Dr. João Carlos Messias, além de um grupo de aproximadamente oito alunos, englobando estudantes de Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Durante os dias de evento, os representantes da Universidade apresentaram pôsteres, comunicações orais breves de pesquisa e integraram simpósios. O Prof. Dr. João Carlos Messias participou de um simpósio e de uma mesa-redonda abordando projetos desenvolvidos na Instituição, enquanto o Prof. Dr. Rodolfo Ambiel lecionou um minicurso e coordenou a mesa premiada.
Intitulada “Desafios do Trabalho Decente: Saúde Mental, Inclusão e Dignidade”, a mesa-redonda vencedora chamou a atenção por sua densidade teórica e relevância social. O anúncio oficial do primeiro lugar foi feito na conclusão do Congresso, reconhecendo o esforço do grupo em meio a uma concorrência de alto nível. “Certamente foram apresentadas mais de 30 mesas-redondas com trabalhos com essa mesma estrutura ao longo do Congresso, com participantes de todo o Brasil e do exterior inclusive”, detalhou o Prof. Dr. Rodolfo Ambiel. Para ele, o reconhecimento tem um peso institucional importante: “Pra gente foi uma grande alegria, um grande prazer poder receber a premiação, e principalmente que a maior parte desse trabalho, quase a totalidade dele, foi desenvolvido no PPG da PUC-Campinas”.
A ciência por trás do prêmio
A dinâmica da apresentação premiada reuniu o próprio coordenador e três pesquisadores convidados, conectando diferentes investigações acadêmicas sob um mesmo guarda-chuva teórico. O Prof. Ambiel explicou que a mesa foi composta por “três trabalhos independentes que foram unidos por ser uma temática em comum”, baseados na Teoria da Psicologia do Trabalhar (Psychology of Working Theory – PWT). Essa teoria tem se consolidado como um referencial para entender as experiências laborais, articulando fatores contextuais e estruturais ligados à satisfação das necessidades humanas por meio do chamado “trabalho decente”. No entanto, os pesquisadores demonstraram que o modelo internacional precisa de adaptações para dar conta das especificidades socioculturais do Brasil.
O primeiro trabalho apresentado é fruto da tese de Doutorado em andamento de Vlademir Suato, pesquisador da PUC-Campinas. Seu estudo discute avanços conceituais da PWT a partir de evidências brasileiras e propõe a incorporação da noção de “dignidade relacional” no trabalho. Envolvendo a construção e validação de uma escala brasileira de “trabalho decente”, os achados de Vlademir indicam que, no Brasil, o conceito não se restringe apenas a garantir condições individuais dignas, mas engloba a contribuição ao bem comum, o reconhecimento social e a justiça nas relações. A excelência da pesquisa rendeu a Vlademir uma bolsa sanduíche, por meio da qual ele passará o segundo semestre deste ano na Suíça, dando continuidade aos estudos de seu Doutorado.
A segunda pesquisa foi conduzida por Priscila Castanhassi, egressa do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da PUC-Campinas, que recentemente defendeu seu Mestrado. Ela focou sua análise nos trabalhadores que atuam de forma individualizada, como profissionais liberais e empreendedores. O estudo cruzou dados sobre trabalho decente, tempo livre e bem-estar. Os resultados evidenciaram que a percepção de “trabalho decente” prediz positivamente a satisfação com a vida. Por outro lado, revelaram que a ausência de tempo livre e descanso adequado está ligada a restrições estruturais que afetam esses profissionais independentemente de terem boas condições econômicas, escancarando os limites dos modelos tradicionais de proteção social.
Fechando a mesa, a pesquisadora Camila Mancini, ligada à agência de fomento estadual do Espírito Santo e colega do Centro Universitário FAESA (Vitória-ES), trouxe um projeto em desenvolvimento sobre neurodivergência no mercado formal. Ela examinou a relação entre saúde mental, satisfação com o trabalho e dispositivos de inclusão. Seus achados apontam que a ausência de medidas institucionais para acolher colaboradores neurodivergentes está diretamente associada a maiores índices de estresse e ansiedade, reforçando que práticas inclusivas são fundamentais para garantir o bem-estar e configurar, de fato, um “trabalho decente” para essa população.
