
Especialista da PUC-Campinas conduz oficina de construção de sensores para pesquisas na área de ecologia
Em hackathon em Brasília, Dr. André Maia Chagas, capacitou estudantes na construção de sensores de baixo custo baseados em hardware aberto para pesquisas no Cerrado
O Especialista de Projetos Estratégicos do Manacás da PUC-Campinas, Dr. André Maia Chagas, ministrou uma oficina sobre desenvolvimento de equipamentos científicos de baixo custo para pesquisa em ecologia durante o curso de campo da Formação em Ecologia Quantitativa, organizado pelo Instituto Serrapilheira.
Realizada em Brasília, a atividade reuniu estudantes de pós-graduação de diferentes regiões do país na construção de sensores de luminosidade, temperatura e umidade do solo baseados em hardware aberto, que serão utilizados em pesquisas no Cerrado brasileiro.
Segundo André Maia Chagas, o trabalho presencial foi resultado de uma preparação iniciada meses antes. Ao longo de seis encontros on-line, os estudantes receberam formação em eletrônica básica e no desenvolvimento de equipamentos científicos de baixo custo voltados às demandas da pesquisa em ecologia. Cada participante também recebeu um kit de componentes eletrônicos para acompanhar as atividades práticas.
“Cursos de hardware aberto trazem soberania ao permitir a criação de tecnologias que ainda não existem. Com isso, os alunos deixam de ser repetidores de experimentos para se tornarem produtores de ciência de fronteira. O objetivo foi oferecer aos alunos os conhecimentos mínimos de eletrônica para que eles próprios pudessem desenvolver instrumentos científicos capazes de responder às perguntas das pesquisas que realizarão em campo”, explicou.
Projetos desenvolvidos
Durante o hackathon, os participantes trabalharam em grupos para criar soluções voltadas aos desafios encontrados no Cerrado. Um dos projetos desenvolveu um sistema capaz de detectar a interação de animais com iscas de massinha utilizadas em estudos ecológicos. O equipamento registra automaticamente o momento do contato e coleta informações ambientais, como data, horário, temperatura e luminosidade.
Outro grupo construiu um dispositivo para monitorar a umidade do solo em duas profundidades distintas, permitindo analisar como fatores como temperatura, luminosidade e umidade do ar influenciam as condições do solo ao longo do tempo.
Também foi desenvolvido um sensor capaz de medir a luminosidade em três diferentes faixas do espectro de luz. A tecnologia permitirá avaliar como a cobertura vegetal interfere na quantidade e na composição da luz que alcança o solo em diferentes alturas da vegetação.
Os aparelhos serão usados na execução dos projetos que serão desenvolvidos na Chapada dos Veadeiros, em Goiás (GO).
Formação em Ecologia Quantitativa
Promovida pelo Instituto Serrapilheira, o Programa de Formação em Ecologia Quantitativa oferece um treinamento teórico e prático a futuros pesquisadores, de qualquer campo de conhecimento, para capacitá-los a formular e responder questões nos diversos subcampos da ecologia, ajudando a tornar o Brasil um polo global de cientistas da área. O programa é voltado principalmente a estudantes interessados em seguir carreira acadêmica em programas de doutorado.
A formação é dividida em duas etapas. A primeira consiste em um treinamento intensivo sobre estatística, modelagem matemática, sensoriamento remoto, aprendizado de máquina e análise de dados ecológicos, além do desenvolvimento de projetos interdisciplinares. Em seguida, parte dos participantes é selecionada para um curso de campo, no qual aplicam os conhecimentos adquiridos em pesquisas realizadas em um dos principais biomas brasileiros.
Sobre o Manacás
O Manacás é um programa da PUC-Campinas que visa criar experiências educativas de caráter inovador na formação humano-profissional de estudantes e de professores por meio do desenvolvimento de tecnologias para realização de projetos e de objetos digitais de aprendizagem, que façam crescer e florescer a educação diferenciada para transformar o processo de ensino-aprendizagem.
Sobre o Instituto Serrapilheira
O Instituto Serrapilheira é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que promove a ciência no Brasil. Foi criado para valorizar o conhecimento científico e aumentar sua visibilidade, ajudando a construir uma sociedade cientificamente informada e que considera as evidências científicas nas tomadas de decisões.
Foto de capa: Luara Baggi/Instituto Serrapilheira



