
Festival de curtas-metragens realizados por estudantes de Cinema e Audiovisual acontece no próximo dia 17, no Tamurá
Com entrada gratuita, o Cine Tapajós tem como objetivos a integração entre as turmas e a valorização dos trabalhos desenvolvidos ao longo do semestre

O espaço Tamurá será o local de realização do Cine Tapajós, no próximo dia 17 de junho, às 9h.
O espaço Tamurá receberá, no próximo dia 17 de junho, às 9h, o Festival Cine Tapajós. Promovido pelo Curso de Cinema e Audiovisual da PUC-Campinas, o evento, que conta com entrada gratuita, consistirá de uma mostra de curtas-metragens desenvolvidos por estudantes ingressantes e será seguida de uma premiação.
Os alunos e alunas concorrerão em sete categorias: “Melhor Roteiro”, “Melhor Direção de Arte”, “Melhor Fotografia”, “Melhor Trilha”, “Melhor Montagem”, “Melhor Direção” e, claro, “Curta do Semestre”. Os veteranos do terceiro semestre atuarão como o júri da competição. A proposta do festival é incentivar a produção audiovisual estudantil, promover a integração entre turmas e valorizar os trabalhos desenvolvidos ao longo do semestre.
O nome do festival é uma homenagem à Renato Tapajós, premiado documentarista e escritor paraense que vive em Campinas e que, em 2023, foi agraciado pela Câmara Municipal com o título de “Cidadão Campineiro”. O troféu dessa primeira edição, inclusive, que foi projetado pelos alunos e alunas veteranos e fabricado no Mescla, faz referência ao seu romance “Em Câmara Lenta”, trazendo uma releitura da capa da primeira edição do livro.

De acordo com o coordenador do Curso de Cinema e Audiovisual, Prof. Dr. Caio de Salvi Lazaneo, os filmes são o resultado das atividades desenvolvidas nas disciplinas de “Roteiro”, “Oficina de Curta-Metragem” e “História do Cinema”, que trabalharam a realização de curtas-metragens a partir de adaptações literárias.
Marco significativo
De acordo com o coordenador do Curso de Cinema e Audiovisual, Prof. Dr. Caio de Salvi Lazaneo, a importância da realização de um festival, de modo geral, reside no fato de que este torna-se “sempre um marco significativo do ponto de vista do ritual cinematográfico como um todo, porque é muito importante a produção e circulação de filmes. Além disso, é bastante interessante por garantir espaços privilegiados de exibição, debate, fomento e tantas outras coisas que, geralmente, estão condensadas neste tipo de evento, então, quando os estudantes veteranos do Curso de Cinema e Audiovisual decidiram promover este evento por iniciativa própria, foi um movimento muito interessante, porque trata-se também de uma atividade típica do mercado cinematográfico, da profissão em cinema”.
Sobre a curadoria do festival, Caio explica que esta é uma parte muito importante dentro das possibilidades de trabalho na área do cinema e que, “com toda a certeza, além de ser uma atividade educativa, acadêmica, que, de certo modo, espelha uma prática comum no universo do cinema, também é muito significativa, porque trata-se de uma espécie de acolhimento dos próprios alunos veteranos em relação aos calouros e seus filmes. É uma iniciativa que visa construir uma tradição dentro do curso”.
A partir de adaptações literárias
Os curtas-metragens que serão apresentados ainda estão em fase de pós-produção. Eles foram concebidos de modo totalmente digital e não possuirão mais do que dez minutos de duração. Segundo Caio, os filmes são o resultado das atividades desenvolvidas nas disciplinas de “Roteiro”, “Oficina de Curta-Metragem” e “História do Cinema”, que trabalharam a realização de curtas-metragens a partir de adaptações literárias.
“Os estudantes receberam cinco contos de autores e autoras brasileiros e escolheram um deles para trabalhar a adaptação para um curta-metragem. Dada a orientação, eles se utilizaram da infraestrutura oferecida pelo Curso de Cinema e Audiovisual, o que incluiu equipamentos, laboratórios, estúdios e técnicos”, esclarece Caio.

Um dos criadores do Cine Tapajós, o organizador do evento, Matheus Andrade, comenta que a ideia da criação do festival nasceu de uma conversa informal entre os estudantes, na qual, segundo ele, “refletíamos sobre como seria significativo se a primeira turma do Curso de Cinema e Audiovisual da PUC-Campinas deixasse um legado para as futuras gerações de alunos e alunas. O objetivo principal era criar um espaço de integração e contato direto com os calouros”.
Deixando um legado
Um dos criadores do Cine Tapajós, o organizador do evento, Matheus Andrade, comenta que a ideia da criação do festival nasceu de uma conversa informal entre os estudantes, na qual, segundo ele, “refletíamos sobre como seria significativo se a primeira turma do Curso de Cinema e Audiovisual da PUC-Campinas deixasse um legado para as futuras gerações de alunos e alunas. O objetivo principal era criar um espaço de integração e contato direto com os calouros”.
Ele continua dizendo que “a partir disso, a minha colega de curso, Ana Luiza, e eu desenvolvemos o projeto do zero, contando com a orientação e o apoio fundamental do nosso professor e coordenador, Caio Lazaneo. Em um primeiro momento, a organização estava centralizada na Ana Luiza e em mim, mas agora ganhamos o reforço do Grupo de Vivência Cooperativa e Solidária (GVCS) da PUC-Campinas, que nos dará todo o suporte logístico e de organização no dia da execução do festival”.
Matheus finaliza dizendo que “a ideia é que o evento funcione como uma grande porta de entrada e vitrine para as primeiras produções dos novos estudantes. A votação para decidir os vencedores de cada categoria será inteiramente realizada pelos veteranos, que atuarão como o júri oficial. A intenção é que isso se torne uma tradição contínua: os veteranos avaliando os calouros, ou seja, os atuais calouros assumindo, no ano seguinte, o papel de júri para a turma seguinte de calouros”.
Sobre o GVCS
O Programa GVCS foi criado em 2018 com o objetivo de proporcionar espaços de acolhimento entre alunos regularmente matriculados nos cursos de graduação da PUC-Campinas. Ele é focado no acolhimento, escuta ativa e apoio emocional e social aos estudantes da graduação oferecendo rodas de conversa, apoio para demandas acadêmicas ou pessoais e realizando ações solidárias nos campi.

A carreira do documentarista e escritor Renato Tapajós foi marcada por inúmeros registros históricos das lutas populares e por seu engajamento político. Foto: Laboratório Cisco
Sobre Renato Tapajós
Nascido em Belém, em 1943, Renato Tapajós iniciou a sua carreira como jornalista na capital paraense, mas, foi em São Paulo que ele começou a trabalhar com cinema, até se envolver na luta armada contra o regime militar instaurado em 1964.
A sua carreira foi marcada pelos registros históricos das lutas populares e por seu engajamento político. Em seu primeiro documentário, “Vila da Barca”, de 1968, ele ganhou o prêmio de Melhor Filme no Festival Internacional de Cinema de Leipzig, na então Alemanha Oriental.
O seu primeiro romance, “Em Câmara Lenta”, foi escrito em 1973, enquanto estava preso por sua participação na luta armada contra a Ditadura Militar. Nele, Tapajós faz um balanço sobre a experiência da guerrilha, ao mesmo tempo em que denuncia o emprego brutal da tortura, algo que ele próprio sofreu ao ser preso por integrantes da chamada “Operação Bandeirante” (centro clandestino de informações e investigações criado em 1969, em São Paulo, durante a Ditadura Militar, que foi financiado por grandes empresários, tendo se tornado, posteriormente, o embrião do Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna – DOI-CODI -, servindo como polo centralizador para torturar e eliminar opositores políticos do regime). No total, ele passou cinco anos no cárcere.
Para que o livro pudesse ser lançado, seus pais iam visitá-lo e levavam os escritos originais escondidos na boca. Quando lançado, em 1977, Tapajós foi novamente preso e o livro censurado.
Uma de suas obras mais famosas é o documentário “Linha de Montagem”, de 1982. Nele, o cineasta registra o cotidiano dos metalúrgicos no ABC Paulista entre o final da década de 1970 e início da de 1980. Durante a gravação, ele registrou a histórica greve liderada pelo então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema e futuro presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Além disso, ele ainda lançou outros documentários, dentre os quais, “Em Nome da Segurança Nacional”, de 1984; “O Rosto no Espelho”, de 2009; “Corte Seco”, de 2015; e “A Esquerda em Transe”, de 2018. Em 2006, ele lançou três novelas infanto-juvenis: “Carapintada”, “A Infância Acabou” e “Queda Livre”.
