
Projeto TEAR de alunos da PUC-Campinas conquista o Intercom Sudeste e já vira negócio com suporte do Mescla
Desenvolvida por estudantes de Mídias Digitais com direcionamento do Mescla, a Plataforma Tear conecta costureiras e confecções da RMC e agora disputa a etapa do concurso nacional em Brasília
O que começou como um desafio acadêmico de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) transformou-se em um negócio de impacto social premiado em nível regional. O projeto Plataforma Tear, idealizado por cinco estudantes do curso de Mídias Digitais da PUC-Campinas, conquistou o título de melhor trabalho do Sudeste no prestigiado congresso da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação). E mais do que isso, a proposta já é uma empresa em funcionamento, graças à atuação do Mescla no alinhamento do negócio.
A proposta é de criação de estudantes do Curso de Mídias Digitais: Acsa Gonçalves, Ana Júlia Araújo Dos Anjos, Ana Júlia Rossi, Caio Contarelli Carnieri e Manoela Nogueira Zelli e concorreu na categoria Projetos Experimental em Mídias Digitais (RT08), superando outras grandes instituições. O triunfo garantiu aos integrantes do grupo uma vaga no Top 5 Nacional, onde disputarão o prêmio máximo em Brasília, no mês de setembro.
A dor do mercado e o propósito social
A ideia da plataforma nasceu no início de 2025, a partir da experiência real de uma das integrantes do grupo, que atua há mais de uma década no setor de confecção de moda. Ela trouxe uma demanda histórica da Região Metropolitana de Campinas (RMC): a enorme dificuldade de conectar, de forma centralizada e profissional, as confecções e as costureiras qualificadas.
“A contratação era muito informal, feita por grupos de WhatsApp e Facebook. Os dois públicos existiam, mas não tinham onde buscar informações de forma centralizada”, explica Caio Contarelli Carnieri, integrante do grupo.
Mais do que resolver um gargalo logístico, o grupo mergulhou a fundo na realidade social dessas profissionais. A estudante Ana Júlia Araújo dos Santos, que está no último semestre do curso, destaca que o principal objetivo da Tear passou a ser o combate à exploração e à precarização do setor, que possui, em sua maioria, um público-alvo majoritariamente feminino e enfrenta barreiras no uso de tecnologias complexas. Além disso, trata-se de um cenário que oferece, muitas vezes, valores considerados injustos por falta de alternativas de mercado.
Nesse contexto, o propósito da Tear é filtrar e oferecer oportunidades que sigam critérios rigorosos de saúde profissional, garantindo dignidade e renda.
Mescla na transformação do negócio
A virada de chave para que o TCC ganhasse corpo de empresa aconteceu quando os alunos viram um anúncio do Mescla (hub de inovação da PUC-Campinas). Nele, havia a seguinte frase: “Nós incubamos sua ideia de TCC”.
A partir daí, eles participaram de um programa de aceleração e viveram uma rotina intensa de dupla validação ao longo de um ano: enquanto a faculdade exigia o rigor científico e a fundamentação social, o Mescla os orientava a desenvolver o viés mercadológico, a modelagem de negócios e a pesquisa de campo.
Próximos Passos
A Plataforma Tear já está operando no mercado há cerca de um ano. Para se adaptar à realidade digital das costureiras, a estratégia atual do negócio foi descentralizada do formato de aplicativo tradicional. A proposta é seguir para uma comunicação mais próxima, por WhatsApp, com uma comunidade, onde as costureiras recebem conteúdos informativos, dicas de precificação justa e alertas de vagas filtradas.
O grupo também mantém o Instagram @aplataformatear, por onde dissemina orientações para mitigar os ruídos de comunicação do setor.
Com as malas quase prontas para Brasília, a equipe relembra o esforço para chegar até aqui. “Nós fomos com o objetivo e a mentalidade de que iríamos ganhar. Agora o foco é o júri final no nacional”, projeta Ana Júlia.
A final da competição acontece entre os dias 1º e 5 de setembro, na Universidade Católica de Brasília UCB). Que venha mais uma premiação!


