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PUC-Campinas inicia Oficina de Gastronomia Comunitária com foco no aproveitamento integral de alimentos

Iniciativa capacita mulheres do Campo Belo, promovendo alimentação saudável, sustentabilidade e geração de renda

A PUC-Campinas inaugurou nesta quarta-feira (15) a Oficina de Gastronomia Comunitária, iniciativa voltada para o empoderamento e a formação de mulheres da região do Campo Belo. No primeiro dia de ação, o encontro ocorreu no Hub Gastronômico da Universidade, já com atividades práticas. O projeto, uma parceria entre o Hub e o Programa de Desenvolvimento Humano Integral: Levanta-te e Anda (PDHI:LA), tem o intuito de disseminar práticas de alimentação saudável, acessível e sustentável, com foco no aproveitamento integral dos alimentos.

Além de combater o desperdício, a oficina marca a importância das ações extensionistas da PUC-Campinas e sua atuação transformativa no território em que está inserida. As aulas possuem uma dinâmica itinerante: os três primeiros encontros de abril devem acontecer nos laboratórios da PUC-Campinas, seguidos por quatro aulas na própria comunidade do Campo Belo, retornando à Universidade para o encerramento.

A docente de Gastronomia, Profa. Maria Angela Severino, explicou que, para o projeto, uma apostila exclusiva foi desenvolvida com foco em ingredientes frequentemente descartados. “Hoje faremos um bolo de banana com aveia e, com a casca da banana, faremos outro bolinho. Vamos trabalhar com folha, com talo, que geralmente são jogados fora”, detalhou. Durante o semestre, as alunas aprenderão a fazer doces, bolos, massas, pães e esfirras recheadas com essas partes não convencionais dos alimentos, otimizando, inclusive, as doações que a comunidade recebe das Centrais de Abastecimento de Campinas (Ceasa).

O projeto não se limita apenas às alunas presentes, mas à criação de uma rede de multiplicadoras. “As pessoas muitas vezes não sabem como aproveitar, como produzir e é isso que queremos: que elas compartilhem o conhecimento que aprenderem, passando para outras pessoas da comunidade”, ressaltou a professora.

Transformação dentro e fora de casa

Para as participantes, estar no Hub Gastronômico da PUC-Campinas é motivo de celebração. Algumas já haviam participado de uma oficina de panificação no ano passado e retornaram em busca de novos saberes. É o caso de Marli Auxiliadora de Oliveira Assone, que se mostrou entusiasmada com a nova etapa. “A gente faz um filme na cabeça, a adrenalina vai a mil. E é muito bom tanto para os conhecimentos, quanto para fazer amizades. E a PUC é a PUC, né?”, comemorou.

Marli também lembrou a importância da conscientização ambiental proporcionada pelas aulas. Para ela, o combate ao desperdício é uma questão de saúde e sustentabilidade. “Se você não aproveita, vai para o lixo. Além de se alimentar de forma saudável, você ainda está contribuindo para o meio ambiente”, concluiu.

A economia doméstica também é um dos grandes atrativos da oficina. A aluna Cleonice Ferreira dos Anjos Silva, que está participando do projeto pela segunda vez, contou que o aprendizado afetou diretamente o orçamento familiar. “Muitas vezes a gente acaba jogando tanta coisa fora por falta de conhecimento e agora estamos aprendendo algo que vai ser muito bom para dentro da nossa casa e com o qual poderemos até mesmo ajudar outras pessoas”, disse.

Com grandes expectativas para os próximos encontros, Cleonice resumiu o sentimento de quem vê na educação uma ferramenta de mudança diária: “Estou levando pra dentro da minha casa uma vida mais saudável, melhorando a situação de vida e o rendimento”.

Troca de saberes: a experiência dos estudantes

O projeto integra a comunidade externa com a vivência acadêmica. Para os estudantes da graduação em Gastronomia que atuam como voluntários, a oficina é uma experiência que une culinária, relações humanas e valorização cultural. A estudante do Curso de Gastronomia Yasmin Kanai Santos ressaltou o aspecto afetivo construído na cozinha. “Eu vim para auxiliá-las e, junto com isso, aprender com elas também. É uma experiência muito gostosa, que além de permitir conhecer diferentes pessoas, permite a criação de vínculos. A comida é um símbolo muito importante para todos, pois a gente precisa comer para sobreviver. E toda comida vem de alguma história, de família, traz recordações. É muito significativo para todos”.

Já o estudante Otavio Libano Lobo viu na oficina a chance de alinhar o aprendizado acadêmico ao trabalho comunitário. “Eu sempre gostei muito da parte social. Quando nosso representante comentou conosco, eu vi mais uma oportunidade para aprender mais”. Para Otavio, o conhecimento empírico das mulheres do Campo Belo é um dos pontos altos da experiência. “Hoje, por exemplo, estou cozinhando ao lado de uma cozinheira. Ela pode não ter formação, mas faz melhor do que eu. É uma experiência que não ganhamos em nenhum outro lugar. Eu valorizo muito ajudar o próximo e me impressionei: todas são comunicativas, organizadas. Superou minhas expectativas”.



Gabriela Ferraz
17 de abril de 2026