
Estudantes de Relações Internacionais participam de evento com embaixadora do Brasil em Ruanda
Exibição de documentário e debate marcaram programação que relembra os 30 anos do genocídio e discute reconstrução do país africano
O curso de Relações Internacionais da PUC-Campinas promoveu, nesta quarta-feira (16), uma agenda especial dedicada à reflexão sobre os 30 anos do genocídio em Ruanda. A atividade contou com a presença da embaixadora brasileira no país africano, Irene Vida Gala, e incluiu a exibição do documentário Beyond Genocide, seguida de debate com a diplomata e com o diretor e produtor do filme, Zion Matovu.
Para a diretora da Faculdade de Relações Internacionais da PUC-Campinas, Profa. Dra. Kelly de Souza Ferreira, a atividade proporciona uma vivência que vai além do aprendizado teórico. “Foi uma experiência enriquecedora, porque não foi só uma questão de saber e aprender sobre Ruanda – o que é muito importante para que essa história não se repita – mas também por outros momentos importantes, como conhecer a perspectiva da embaixadora e também participar de um debate com o diretor do filme”, afirma.
A professora destaca ainda o papel da embaixadora na aproximação entre Brasil e Ruanda e na ampliação do olhar dos estudantes. “Foi muito interessante a perspectiva dela sobre como é que Ruanda vê o Brasil, o que é o Brasil lá fora, e também apresentar o que é Ruanda agora, que vai além desse genocídio”, explica.
O contato com o diretor do filme trouxe também outras experiências para os estudantes. “Eles fizeram a conversa com o diretor e produtor do filme em inglês e conheceram a visão de alguém que vive muito perto dessa história, com relatos familiares sobre o período pré-genocídio e suas consequências”, relata.
Segundo a diretora, esse tipo de atividade contribui para uma formação mais crítica e conectada com a realidade internacional. “É muito enriquecedor porque vai além do que alguém está mostrando em uma rede social. São pessoas que trabalham com isso, capacitadas e que viveram essa realidade para poder dizer o que é Ruanda e o que foi essa questão horrível que aconteceu no país”, conclui.
A história
O genocídio contra os tutsis, ocorrido em abril de 1994, durou cerca de 100 dias e resultou em aproximadamente um milhão de mortes — uma média de dez mil vítimas por dia. Após esse período, Ruanda passou por um processo de reconstrução marcado pela opção pela reconciliação nacional, sem políticas de vingança, e pela adoção de mecanismos como os tribunais comunitários Gacaca, considerados exemplos de justiça restaurativa.
Atualmente, o país se destaca por avanços em governança, gestão pública e melhoria das condições de vida, sendo frequentemente citado como um caso de transformação no continente africano ao longo das últimas décadas.



