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Galeria da Faculdade de Artes Visuais da PUC-Campinas recebe a mostra “Geografias Internas”

Exposição de desenhos de Eni Ilis começa hoje e ficará em cartaz até o próximo dia 1º de abril

A Galeria da Faculdade de Artes Visuais da PUC-Campinas, localizada no prédio H07, no Campus I da Universidade, recebe, a partir de hoje, dia 18 de março, às 20h50, a mostra “Geografias Internas”, da artista Eni Ilis.

Com a curadoria do Prof. Dr. Mathias Reis, da Faculdade de Artes Visuais, a exposição reúne 140 desenhos realizados com caneta esferográfica sobre papel, montados em acetato, todos inéditos, bem como a representação do texto “O Anjo Caiu”, da própria Eni Ilis, e fica em cartaz até o dia 1º de abril. O horário de visitação será das 18h às 21h, de segunda à sexta-feira. A entrada é gratuita.

De acordo com Eni, a exposição é “a tentativa de ocupar o espaço de silêncio, de branco, de vazio da Galeria. Uma exposição sem paredes, sem nenhum tipo de suporte, e sem fronteiras, ou seja, sem nenhum tipo de moldura para o fio emaranhado se apresentar em desenho e em palavra. Os desenhos suspensos por fio de nylon ‘quebram’ o passo reto, o passo certo. Há que ter cuidado para percorrer essa exposição. Há que também encontrar a distância certa do olhar, porque os desenhos, como que flutuando no espaço, não se enfileiram para se apresentar ao olhar. Este tem que buscar a distância do encontro. O movimento de quem vê e o movimento do que se vê”.

Geografias Internas
Esta não é a primeira exposição com a temática “Geografias Internas”. O Espaço das Artes da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM – Unicamp) e a Biblioteca Pública Municipal Professor Ernesto Manoel Zink, localizada ao lado da Prefeitura Municipal de Campinas, já receberam edições desta mostra, porém com outras obras expostas.

Ela continua dizendo que o título se refere a uma série que já vem sendo apresentada há vários anos e que “cada desenho, que é parte dela, é um ‘detalhe’, um desdobramento, uma repetição do que a mão presentifica. Geografia interna é porque esse espaço, como o externo, é vasto, muito vasto, e muito afirmado por poetas dos mais diversos, como Orides Fontela, Jalaladim Maomé Rumi, Adalgisa Nery e Hilda Hilst. Desenho e palavra, uma vez mais em compasso”.

Sobre os desenhos
Sobre a realização dos desenhos, Eni explica que estes são de 2021 e foram feitos com caneta esferográfica, “que enegreceu várias e várias superfícies, enquanto que outras só deixou leve marca. Intensidades diversas. O acetato é a pele dessas figurações. É o nada que traz cada configuração suspensa. Pensamos nesse recurso porque reverbera o in suspenso, é leve, uma materialidade de nada em que o desenho flana. O acetato permitiu também que os espalhássemos no espaço da Galeria da Faculdade de Artes Visuais”. Quanto ao poema “O Anjo Caiu”, o seu texto é o único trabalho que estará em uma parede. Todo o resto, como já mencionado, será suportado por fios de nylon, ficando suspensos.

Um convite para o universo particular de Eni
De acordo com o curador da exposição, o Prof. Dr. Mathias Reis, as obras que serão apresentadas estão “emaranhadas, como uma teia, e há uma relação grande entre esses desenhos com o poema e entre os próprios desenhos. Todos eles estarão suspensos, criando volumes, uma geografia dentro da Galeria, uma geografia de afetos, de pensamentos, em que as pessoas que visitarão a mostra poderão estar envolvidas, então é um convite para o universo particular, poético da artista”.

Mathias ressalta ainda ter ficado bastante honrado em poder receber na Galeria da Faculdade de Artes Visuais da PUC-Campinas uma exposição de Eni, por já “conhecer o seu trabalho e admirá-la de longa data”.

Ajustando o olhar
O Prof. Dr. Paulo Antonio Carvalho Costa, também professor da Faculdade de Artes Visuais da Universidade, em seu texto de apresentação da exposição, explica que é preciso que aquele ou aquela que estiver acompanhando a mostra, ajuste o seu olhar “às texturas e tramas complexas de seus desenhos, cujos traços não necessitam de explicações formais, pois, assim como as cartografias, suas linhas são puras descrições gráficas que figuram espacialidades”.

Ele vai adiante, explicando que “a começar pela geografia de seu trabalho, Eni mesma define: ‘É o fio que desenrola e ainda não encontrou o seu fim, nem ruptura’. Diante dessa revelação, talvez seja impossível contemplar a totalidade de seu trabalho, cujas linhas podem traçar relações, distribuições, localizações e conexões entre os corpos e lugares continuamente desenhados pelo desenrolar de um mesmo fio, pela duração da própria existência”.

A exposição acontecerá entre os dias 18 de março (hoje) e 1º de abril, na Galeria da Faculdade de Artes Visuais da PUC-Campinas, localizada no prédio H07, no Campus I da Universidade.

Experiência de tomada de consciência
“Para Eni, a internalidade da geografia reflete a sua própria ‘experiência de tomada de consciência’. Essa declaração nos ajuda a pensar que o reconhecimento introspectivo pode ser fonte originária de uma ação que afeta o mundo através dos desenhos. Não se trata de enfatizar graficamente o cercamento (cisão, separação) pela representação de uma dualidade (dentro e fora), mas de afirmar a consciência enquanto tensões contrárias na expressão dos gestos e linhas que se expandem e comprimem”, esclarece o professor.

Ele finaliza dizendo que os desenhos de Eni “realizam o movimento dionisíaco da vontade de criação abundante, em expansão e acúmulo de potência. Assim, é justamente no choque caótico e embriagado entre linhas, que surgem os volumes em plena superfície: os emaranhados que coagulam corpos harmônicos, apaziguadores dos conflitos conduzidos pelas forças lineares” e que “diante dessas complexidades, por último especulamos: não, as obras de Eni não configuram apenas mapas, visto que nos instigam a imaginar que, em cada fragmento ou linha traçada, deve existir a vastidão profunda e vital de todo um território. Seus novelos são os outros dentro de nós. Que teça mais linhas”.

SERVIÇO

Horário de visitação: de 18 de março a 1º de abril, de segunda à sexta-feira, das 18h às 21h

Local: Galeria da Faculdade de Artes Visuais – prédio H07 – Campus I da PUC-Campinas

Entrada: gratuita



Daniel Bertagnoli
18 de março de 2026