
Semana Mundial de Aleitamento Materno reforça papel das redes de apoio para um começo de vida mais saudável
Evento realizado no Campus II reuniu especialistas, estudantes e profissionais da saúde para discutir práticas baseadas em evidências
A PUC-Campinas promoveu, no dia 6 de agosto, no Auditório Monsenhor Salim, no Campus II, a 35ª edição da Semana Mundial de Aleitamento Materno, que neste ano teve como tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortalecer o que funciona”.
O encontro, promovido pela Escola de Ciências da Vida em parceria com o Hospital PUC-Campinas e com o Hospital e Maternidade de Campinas, reuniu estudantes, docentes e profissionais da saúde em uma programação voltada à atualização científica, ao fortalecimento das redes de apoio à amamentação e à sensibilização da comunidade acadêmica sobre a importância do aleitamento materno para a promoção da saúde e do desenvolvimento infantil.
O decano da Escola de Ciências da Vida, Prof. Dr. Gustavo Henrique da Silva destacou o compromisso da Universidade com a formação de profissionais preparados para promover práticas de cuidado fundamentadas em evidências científicas. Segundo ele, discutir o aleitamento materno e discutir saúde, sustentabilidade, dignidade humana e responsabilidade social.
“Ao longo de mais de três décadas, ela tem contribuído para ampliar a conscientização sobre os benefícios da amamentação e fortalecer políticas, práticas e redes de apoio que garantam às mães e aos bebês o direito de um início de vida mais saudável. Sabemos que amamentar exige apoio, acolhimento e condições favoráveis. Nenhuma mulher deve carregar sozinha essa responsabilidade. É fundamental que profissionais de saúde, instituições, gestores, familiares e a comunidade atuem como uma verdadeira rede de suporte”, afirmou.
Representando o superintendente do Hospital PUC-Campinas e do Hospital e Maternidade de Campinas, Aguinaldo Pereira Catanoce, o diretor técnico do Hospital PUC-Campinas, Rodrigo Dias de Meira, ressaltou que o leite materno vai muito além da nutrição e destacou a importância do acompanhamento oferecido às mães após a alta hospitalar.
“O leite materno é o alimento mais completo para o bebê, oferecendo proteção imunológica, favorecendo o desenvolvimento saudável e fortalecendo o vínculo entre mãe e filho. Nosso desafio é garantir que essa mulher receba apoio contínuo para superar as dificuldades que possam surgir durante a amamentação, e esse acompanhamento faz toda a diferença para o sucesso do aleitamento materno”, destacou.
Palestras
A programação teve início com a palestra “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortalecer o que funciona”, ministrada pela Profa. Dra. Kelly Pereira Coca, docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenadora do Centro de Referência em Aleitamento Materno.
Durante sua apresentação, a especialista ressaltou que os futuros profissionais da saúde desempenham papel decisivo no fortalecimento das taxas de aleitamento materno exclusivo. Segundo ela, além do conhecimento técnico, é fundamental desenvolver um olhar acolhedor diante das necessidades das mães e dos bebês.
“Pouquíssimas mulheres são biologicamente incapazes de produzir leite. Na maioria das vezes, o desmame precoce acontece por falta de apoio inicial ou manejo inadequado. Quando a mãe é acolhida e acompanhada a tempo, as chances de sucesso do aleitamento exclusivo aumentam significativamente”, disse.
Momento Cultural
Após a palestra de abertura, o público acompanhou um momento cultural com a apresentação do Duo de Câmara, do Centro de Cultura e Arte da PUC-Campinas, sob regência do maestro Moisés Cantos, proporcionando um intervalo de integração e valorização da cultura dentro da programação acadêmica.
O papel dos bancos de leite humano
Na segunda etapa do evento, foram realizadas mais três palestras conduzidas por profissionais que atuam diretamente na assistência materno-infantil. Os encontros abordaram diferentes aspectos do aleitamento materno, incluindo o papel da rede de Bancos de Leite Humano na promoção da saúde, as estratégias de apoio às mães durante o processo de amamentação e as experiências desenvolvidas pelo Hospital PUC-Campinas e pelo Hospital e Maternidade de Campinas para ampliar os índices de aleitamento materno exclusivo.
Segundo a Enfermeira Me. Larissa Techio, gerente de enfermagem do Hospital e Maternidade de Campinas, o Banco de Leite Humano vai muito além de ofertar leite para bebês internados e de risco: ele tem um papel educativo e de consultoria gratuita essencial para ajudar a população a superar as dificuldades do aleitamento.
“Os estudantes têm um papel fundamental como multiplicadores. Eles estão em contato constante com os pacientes e ajudam a levar a informação sobre a importância e o acesso ao Banco de Leite para toda a comunidade”, explicou.
A Enfermeira do Hospital PUC-Campinas, Renata Betina de Lima, apresentou os resultados do trabalho desenvolvido pelo Hospital PUC-Campinas no acompanhamento das mães e recém-nascidos. Segundo ela, as orientações realizadas pelas equipes multiprofissionais alcançaram resultados expressivos.
“Nos últimos 10 anos, atendemos mais de 3.500 recém-nascidos no ambulatório e alcançamos mais de 80% de eficácia no aleitamento materno exclusivo. Isso nos mostra que estamos no caminho certo com as nossas orientações. O resultado de anos de dedicação da equipe é a garantia da saúde do bebê e do fortalecimento do vínculo familiar”, afirmou.
Na última palestra do dia, a Psicóloga Me. Maria Paula Fidalgo, que também é embaixadora da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), reforçou a importância dos primeiros mil dias de vida da criança para o desenvolvimento humano e para a construção de uma sociedade mais saudável.
“Os primeiros mil dias de vida representam uma janela de oportunidade fundamental para o desenvolvimento humano. Quando um bebê é acolhido adequadamente, com amor, carinho e atenção, fortalecemos o vínculo entre mãe e filho e contribuímos para a construção de uma psiquê mais saudável. Por isso, precisamos preparar não apenas mães e pais, mas também pediatras, enfermeiros, psicólogos e todos os profissionais que estarão próximos dessas famílias para compreender a importância desse período”, afirmou.
Oportunidade de ampliação de conhecimento
Para os estudantes, a iniciativa representou uma oportunidade de ampliar conhecimentos e estabelecer contato com profissionais que são referência na área.
A estudante do oitavo período do Curso de Enfermagem, Maria Luísa Sousa Severo Marques, destacou que experiências como essa fortalecem a preparação para o mercado de trabalho. “Participar de um evento como este amplia nossa visão sobre a saúde da mulher e do recém-nascido. Ter contato com especialistas, conhecer novas evidências científicas e trocar experiências com profissionais da área complementa nossa formação e nos prepara para oferecer uma assistência cada vez mais qualificada”, disse.
A estudante Juliana da Silva Mendes de Moura, também do último ano do Curso de Enfermagem, ressaltou que o conhecimento adquirido durante a Graduação faz diferença na prática profissional. “Ao longo do curso entendemos o quanto a amamentação impacta a saúde da criança e da mãe. Esses encontros nos mostram como podemos orientar, acolher e apoiar as famílias diante das dificuldades, contribuindo para que mais mulheres consigam manter o aleitamento materno exclusivo nos primeiros meses de vida”, afirmou.
- Juliana da Silva Mendes de Moura
- Maria Luísa Sousa Severo Marques












