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RMC tem aumento nos casos e mortes por covid-19, mas Campinas apresenta queda 

Na economia, o setor externo, que dava sinais de recuperação, pode ser afetado pela segunda onda na Europa 

O levantamento de casos e mortes por 100 mil habitantes na região de Campinas iniciado em 24/01 e encerrado em 30/01 pelo Observatório PUC-Campinas mostra aumento dos casos e mortes causadas pela covid-19 na Região Metropolitana de Campinas (RMC) e DRS (Departamento Regional de Saúde)-Campinas, mas com queda desses indicadores no município de Campinas.

A variação do DRS-Campinas em termos de novos casos foi de 8,5 mil casos (+2,68%); RMC, 6,0 mil casos (+5,35%); e Campinas, 2,7 mil casos (-0,48%). Em relação à semana passada, as novas mortes no DRS-Campinas totalizaram 140 (+9,37%); na RMC, 103 (+14,4%); e, em Campinas, 44 mortes (-6,38%).

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“Da perspectiva da saúde, em diversas cidades da região, o mês de janeiro foi aquele com mais notificações de casos durante toda a pandemia até o momento. Os dados do estado de São Paulo como um todo apontam 314.973 notificados nesse mês de janeiro, contra os 261.009 do mês de julho e 261.975 em agosto. Os números de óbitos e internações, entretanto, ficaram abaixo dos meses de junho, julho e agosto, refletindo o aumento no diagnóstico de casos mais leves, sobretudo em indivíduos mais jovens. Tais valores, porém, vêm apresentando significativos aumentos desde o mês de novembro”, diz o infectologista André Giglio Bueno.

O sistema de saúde segue bastante pressionado no município de Campinas, com média de ocupação de leitos intensivos na última semana de 83,4%. Novos leitos seguem sendo abertos/remobilizados para acomodar a alta demanda. Nesta última semana, houve uma redução de 3% no número de novas internações no DRS-Campinas em relação à semana passada. Apesar de ainda ser um número elevado (931), semelhante aos números do fim do mês de agosto, foi a primeira redução desse indicador nas últimas quatro semanas.

“Aguardemos os números das próximas semanas para verificar se essa tendência irá, de fato, se estabelecer. Passadas quatro semanas dos feriados de fim de ano, é bem provável que todos os efeitos diretos das aglomerações nessas datas já tenham se demonstrado nesses dados de janeiro. Resta saber se o cansaço da população com as medidas restritivas, a insistência do governo federal em propagar desinformação sobre as iniciativas de combate à epidemia e as pressões na área econômica permitirão uma redução consistente das transmissões”, diz Giglio.

Do ponto de vista econômico e social, não só os efeitos da primeira onda ainda estão presentes no contexto econômico e social, mas vivemos, também, aumento das restrições ao funcionamento de atividades econômicas diante do recrudescimento dos casos.

“Até o momento, o governo federal insiste no encerramento do Auxílio Emergencial e demais medidas de atenuação dos efeitos da pandemia. Ao mesmo tempo, tem se formado o consenso dentre os analistas de mercado de que a vacina é a única solução definitiva para o fim das restrições impostas às atividades econômicas. Neste sentido, embora a vacinação tenha sido iniciada, o Governo Federal tem demonstrado despreparo para prosseguir com um amplo programa de vacinação nacional, abrindo espaço, inclusive, para atuação descoordenada de estados e municípios”, diz o economista Paulo Ricardo S. Oliveira, coordenador do estudos.

Os últimos dados da pesquisa de atividade mostram que a indústria cresceu 1,2%, comércio -0,1% e serviços 2,6%, em outubro de 2020. No acumulado do ano, em comparação com o mesmo período de 2019, a produção industrial recuou -5,5%, a atividade de serviços recuou -8,3% e o comércio cresceu 1,2%.

Alguns dados do mercado de trabalho seguem sem atualização na PNADCOVID. Na quarta semana de setembro, a taxa de desemprego ficou em 14,4%, patamar que era de 10,5% na primeira semana de maio/2020. Além disso, as reduções de carga horária e salários, bem como o desalento (quando as pessoas desistem de procurar emprego), camuflam a alta subutilização do trabalho na economia brasileira – 15,3 milhões de pessoas não procuram emprego devido à pandemia ou à falta de trabalho em suas regiões.

O setor externo dava sinais de recuperação, sobretudo pelo crescimento do volume de exportações, embora com viés para importação de commodities agrícolas e minerais do Brasil. Porém, a segunda onda na Europa e nos Estados Unidos deve afetar as exportações do Brasil para esses destinos (17% das exportações da RMC destinam-se aos Estados Unidos), até que a vacina passe a afetar os indicadores de controle da pandemia.



Marcelo Andriotti
1 de fevereiro de 2021