
Repatriação de artefatos históricos é tema de edição universitária do PUCMUN
Evento organizado por estudantes de Relações Internacionais simulou um debate na ONU
O Espaço Manacás, localizado no Campus I da PUC-Campinas, recebeu, entre os dias 26 e 28 de setembro, o PUCMUN Universitário. O evento, cujo tema foi a repatriação de artefatos históricos, contou com a participação de cerca de cinquenta estudantes.

Estruturado pelos alunos e alunas do curso de Relações Internacionais, o PUCMUN é uma simulação da Organização das Nações Unidas (ONU).
Estruturado pelos alunos e alunas do curso de Relações Internacionais, ele é uma simulação da Organização das Nações Unidas (ONU) e o seu objetivo é permitir aos participantes que eles assumam o papel de diplomatas, representando diferentes países e debatendo temas globais relevantes em busca de soluções para questões internacionais.
De acordo com a diretora da Faculdade de Relações Internacionais, Dra. Kelly de Souza Ferreira, a importância da realização do PUCMUN reside na formação dos alunos e alunas do curso, em especial no que se refere ao desenvolvimento de soft skills (habilidades comportamentais, interpessoais e sociais, como comunicação, inteligência emocional e resolução de problemas), uma vez que eles “aprendem a trabalhar sob pressão, se utilizando do raciocínio rápido e do gerenciamento do tempo que possuem para construírem a sua argumentação, em condições que geram muito estresse, o que, sem dúvida nenhuma, faz com que eles cresçam ao enfrentarem esse tipo de situação”.

O objetivo do evento é permitir aos participantes que eles assumam o papel de diplomatas, representando diferentes países e debatendo temas globais relevantes em busca de soluções para questões internacionais.
A edição universitária, que sempre acontece no mês de setembro, quando é realizada a Assembleia Geral da ONU, conta, segundo Kelly, com a presença de estudantes de diversas universidades, sendo a maioria de Relações Internacionais, mas também de Direito e outros cursos. Há ainda uma edição voltada para os alunos e alunas do ensino médio de escolas convidadas e que acontece no mês de maio.
Organização do evento
“A organização do PUCMUN faz parte da disciplina ‘Simulações e Dinâmicas Especiais’, que, por sua vez, faz parte do projeto de curricularização da extensão da Universidade e os alunos e alunas matriculados são os responsáveis pela divulgação do evento, por organizar as inscrições e selecionar e montar as ‘crises’ para a atividade e o mais interessante é que o perfil de quem participa das duas edições são totalmente diferentes. Embora diversas escolas de ensino médio façam simulações das Nações Unidas, há vários estudantes que, por exemplo, nunca participaram de uma atividade como o PUCMUN, então, eles precisam de ajuda. Alguns, eventualmente, são mais tímidos, por nunca terem participado e, o que é legal é, exatamente, a preparação desse estudante para que ele possa amadurecer e, aí, nós contamos com uma estratégia diferente em relação a como a nossa equipe irá trabalhar”, explica a diretora.

A edição universitária, que sempre acontece no mês de setembro, quando é realizada a Assembleia Geral da ONU, conta com a presença de estudantes de diversas universidades, sendo a maioria de Relações Internacionais, mas também de Direito e outros cursos.
Kelly continua dizendo que “no caso do PUCMUN Universitário, o nosso gerenciamento é muito mais no sentido de manter as coisas agitadas e as equipes sempre alertas. Na edição para os alunos e alunas do Ensino Médio, nós desenvolvemos um papel de tutoria e, dependendo de como se dá a situação, nós retiramos a equipe da sala, explicamos como funciona e ajudamos na elaboração do documento final. Com eles, o trabalho é mais próximo”.
Escolha do tema
A ideia de se utilizar como tema a repatriação de artefatos históricos foi da Profa. Dra. Ana Paula Lage de Oliveira, que, desde 2017, faz parte do quadro de docentes do curso de Relações Internacionais da PUC-Campinas e, na atualidade, coordena o Grupo de Estudos em Relações Internacionais. Dentro deste, há um quadro intitulado ‘Arte e Diplomacia’, no qual é realizada a análise de como a arte acaba por influenciar e/ou representar a diplomacia, sendo, de acordo com Kelly, “um dos quadros mais apreciados pelos estudantes, em especial porque à exceção de casos emblemáticos como o do painel ‘Guernica’, de Pablo Picasso, em geral, as pessoas não ligam essa questão das artes a problemas e conflitos internacionais e é algo bastante presente na vida política e que repercute muito, porque, afinal, faz parte da cultura de um determinado país e que está em outro lugar, então, como é que você resgata isso? Como é que um país fica com uma história sendo alocada e exibida em outro país? E a professora Ana Paula deu essa ideia a partir da instigação que o tema gera”.

Guernica é uma das obras mais famosas do pintor espanhol Pablo Picasso. O painel retrata o bombardeio da localidade de Guernica y Luno, no País Basco, em 1937, por aviões alemães, durante a Guerra Civil Espanhola. Doada ao Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York durante a Segunda Guerra Mundial, ela permaneceu sob a sua custódia, a pedido do próprio Picasso, até que a democracia fosse restaurada na Espanha. Ela foi devolvida ao governo do país europeu em 1981.
Sobre Guernica e a repatriação de artefatos históricos
Guernica é uma das obras mais famosas do pintor espanhol Pablo Picasso. Pintada a óleo e exibida pela primeira vez no pavilhão da República Espanhola na Exposição Internacional de Paris, em 12 de julho de 1937, o painel retrata o bombardeio da localidade de Guernica y Luno, no País Basco, por aviões da Legião Condor, unidade composta por militares da força aérea e do exército da Alemanha, que à época, era aliada dos nacionalistas espanhóis, liderados pelo general Francisco Franco, durante a Guerra Civil Espanhola, ocorrida entre 1936 e 1939.
Ela foi doada ao Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York durante a Segunda Guerra Mundial e permaneceu sob a sua custódia, a pedido do próprio Picasso, até que a democracia fosse restaurada na Espanha. A obra foi devolvida ao governo do país europeu em 1981 e agora está, permanentemente, exposta no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madri.
Sobre a repatriação de artefatos históricos, Kelly comenta que esta é uma pauta internacional crescente, discutida, formalmente, ao menos, desde a Convenção de 1970 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que trata da proibição e combate ao tráfico ilícito de bens culturais, porém, sem abordar a devolução de peças já saqueadas anteriormente.

A realização do PUCMUN reside na formação dos alunos e alunas do curso, em especial no que se refere ao desenvolvimento de soft skills, ou seja, habilidades comportamentais, interpessoais e sociais, como comunicação, inteligência emocional e resolução de problemas.
“Em 1995, a Convenção do Instituto Internacional para a Unificação do Direito Privado (UNIDROIT) passou a tratar da restituição de artefatos roubados e traficados. Apesar disso, a UNESCO não tem autoridade para obrigar os estados a devolverem artefatos a seus países de origem, ou seja, prevalece a soberania de cada um deles e as suas legislações internas. Temos como exemplo o fato de que muitos museus europeus possuem acervos de artefatos adquiridos ilegalmente durante guerras ou períodos de colonização, especialmente de países africanos e asiáticos, e estas peças ainda não foram restituídas aos seus locais de origem”, explica Kelly.
Simulação da simulação
No primeiro dia do evento, foi realizado um mock, um evento preparatório e obrigatório, no qual os estudantes puderam praticar as regras da simulação com um tema fictício.
“Nessa mock, a gente pegou um tema-fantasia para os alunos e alunas aprenderem como funcionam as regras das Nações Unidas, mas, no geral, ela, simplesmente, tem de ser referente a um tema que todos conheçam, seja de fácil debate e que pode ter ou não sentido ou coerência, porque a ideia é que os participantes, simplesmente, prestem atenção nas regras da simulação”.
A desse ano trouxe a seguinte pergunta: “qual animal deveria ser o rei da floresta?”. “Colocada a pergunta, cada equipe escolheu um animal e utilizou os seus argumentos. Mas, nós já realizamos outras como ‘o Mickey morreu: quem herda a Disney?’ e ‘os minions trabalham em condições análogas à escravidão ou não?’, justamente, para podermos realizar algo lúdico”, finaliza Kelly.

