
PUC-Campinas recebe congresso internacional sobre literatura e teologia
O tema deste ano foi “Poéticas da Esperança: A Pluralidade Literária do Sagrado”
O Espaço Manacás, localizado no Campus I, recebeu, entre os dias 28 e 30 de outubro, o 10º Congresso Internacional da Associação Latino-Americana de Literatura e Teologia (ALALITE). O evento teve como objetivo provocar um diálogo interdisciplinar acerca da esperança em poéticas diversas, a partir da literatura e de outras estéticas, e sua relação com a reflexão teológica e com as ciências da religião. Esta foi a primeira vez que a PUC-Campinas recebeu o evento.

De acordo com o vice-reitor da PUC-Campinas, Prof. Dr. Pe. José Benedito de Almeida David, “buscar esperança é próprio do ser humano e… (o) diálogo da literatura com a teologia e da teologia com a literatura, aliado a temática da esperança, tem tudo a ver com aquilo que é a realidade do nosso mundo de hoje e, para a PUC-Campinas, sediar esse encontro é uma satisfação muito grande, porque ela está colaborando com a reflexão sobre a existência humana e o momento da história em que nós vivemos”.
A edição deste ano, que teve como tema “Poéticas da Esperança: A Pluralidade Literária do Sagrado”, procurou mostrar que mesmo quando a vida parece ameaçada por guerras, migrações, pobreza, crises climáticas, autoritarismos, epidemias, entre outras realidades, a esperança continua a ser expressa de diversas maneiras, assim como a experiência do Sagrado.
Nas últimas duas edições, os temas foram: “As Teopoéticas do Mal e da Redenção”, em 2021, e “As Metáforas da Vida”, em 2023. Neste ano, a busca foi pelo reencontro no rastro do Mistério Pascal e em torno do Espírito que impulsiona as artes literárias a se articularem como expressão do desejo de plenitude.
De acordo com o vice-reitor da PUC-Campinas, Prof. Dr. Pe. José Benedito de Almeida David, “é uma satisfação muito grande para a Universidade receber este congresso da Associação Latino-Americana de Literatura e Teologia, que traz um tema que está na ordem do dia, que é a proposta do Papa Francisco sobre o Jubileu da Esperança, que está profundamente aliada ao que acontece, atualmente, em nosso planeta, afinal, hoje, o mundo carece de esperança e eu acredito que uma das questões importantes de nossa Instituição é refletir, justamente, sobre essa questão da esperança para a humanidade”.

Para o professor do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Ciências da Religião da PUC-Campinas e presidente da ALALITE – Seção Internacional, para o biênio 2023-2025, Prof. Dr. Marcio Cappelli Aló Lopes, “embora no nome a ALALITE leve a palavra ‘literatura’, nós também contamos com pesquisas sendo trabalhadas no âmbito de diversas outras artes, como, por exemplo, o cinema e as artes visuais em geral, e trazer à tona o tema da esperança é importante neste momento pós-pandemia, em que nós somos assediados, muitas vezes, por falsas esperanças”.
“Buscar esperança é próprio do ser humano e, nesse sentido, a gente pode perceber como esse diálogo da literatura com a teologia e da teologia com a literatura, aliado a temática da esperança, tem tudo a ver com aquilo que é a realidade do nosso mundo de hoje e, para a PUC-Campinas, sediar esse encontro é uma satisfação muito grande, porque ela está colaborando com a reflexão sobre a existência humana e o momento da história em que nós vivemos e procurando, com certeza, reavivar em cada um de nós a esperança de dias melhores e de melhor qualidade de vida para todos”, explica padre David.
Pensando as relações entre teologia e literatura
Para o professor do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Ciências da Religião da PUC-Campinas e presidente da ALALITE – Seção Internacional, para o biênio 2023-2025, Prof. Dr. Marcio Cappelli Aló Lopes, “o evento, que acontece de forma itinerante entre os países membros da entidade, que são Brasil, Argentina, Chile e Porto Rico, e reúne pesquisadores e pesquisadoras destas nações, procura pensar as relações entre teologia e literatura”.
Ele continua dizendo que “neste ano, a temática da esperança surge como uma tentativa de oferecer, não exatamente respostas, mas perguntas que nos guiem para outros horizontes a partir da literatura, da teologia e das artes em geral, porque, hoje, embora no nome a ALALITE leve a palavra ‘literatura’, nós também contamos com pesquisas sendo trabalhadas no âmbito de diversas outras artes, como, por exemplo, o cinema e as artes visuais em geral, e trazer à tona o tema da esperança é importante neste momento pós-pandemia, em que nós somos assediados, muitas vezes, por falsas esperanças, então, é por esse caminho que a temática do Congresso surgiu, pensando, sobretudo, na pluralidade das expressões teológicas, das religiões, da literatura e das artes e a esperança precisa ser algo realista e o Mistério Pascal só é possível depois da Paixão e da Morte, então, toda esperança precisa passar pela prova da crucificação, para que ela não se identifique, justamente, com uma proposta artificial ou, até mesmo, totalitária e totalizante”.

O coordenador do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Ciências da Religião, Prof. Dr. Douglas Ferreira Barros, diz que “os congressos da ALALITE atraem importantes pesquisadores, tanto de literatura, quanto de teologia, que trabalham no contexto interdisciplinar entre literatura, poesia, arte, teologia, religião, costumes e cultura e os temas são de relevância singular para o contexto da América do Sul, da América Latina e dos países hispânicos, então, para nós, foi um prazer recebermos esse conjunto de pesquisadores discutindo sobre temas relevantes e assistir aos nossos pesquisadores e estudantes envolvidos com toda essa quantidade de elementos importantes durante todo o evento”.
Laboratório da humanidade
Sobre o painel de abertura, “Recepção da Carta do Papa Francisco sobre a Importância da Literatura – História e Projeção da ALALITE”, Marcio explica que o objetivo foi “pensar a história da Associação, projetar o futuro dela a partir de algumas sementes que o Papa Francisco lançou em uma carta que ele escreveu e que foi publicada pouco tempo antes de sua morte e que tratou do papel da literatura na formação das pessoas, ou seja, a ideia foi ecoar alguns princípios que ele colocou nessa carta e que diz respeito, sobretudo, à literatura como uma espécie de laboratório da humanidade, pois ela tem o potencial de mostrar a nossa humanidade sem excluir as nossas contradições”.
Temas de relevância para a América do Sul
O coordenador do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Ciências da Religião, Prof. Dr. Douglas Ferreira Barros, diz que “os congressos da ALALITE atraem importantes pesquisadores, tanto de literatura, quanto de teologia, que trabalham no contexto interdisciplinar entre literatura, poesia, arte, teologia, religião, costumes e cultura e os temas são de relevância singular para o contexto da América do Sul, da América Latina e dos países hispânicos, então, para nós, foi um prazer recebermos esse conjunto de pesquisadores discutindo sobre temas relevantes e assistir aos nossos pesquisadores e estudantes envolvidos com toda essa quantidade de elementos importantes durante todo o evento”.

A ex-presidente da ALALITE, Dra. Cecilia Avenatti de Palumbo, da Pontificia Universidad Católica Argentina (UCA), “a verdade é que a literatura participa do poder criador de Deus, nomeando as coisas, chamando-as, escutando-as, e não para dominá-las por meio do nome, mas para, simplesmente, escutá-las e hospedá-las”.
“Esse tema da esperança vem sendo debatido, tanto no contexto religioso, quanto no contexto das instituições governamentais em nível internacional, como a Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo, desde que o contexto de conflitos, guerras e dissensos entre os países tem se acirrado, e este se acirrou bastante nos últimos anos, inclusive no período pandêmico e pós-pandêmico. Com o horizonte negativo em virtude da pandemia, bem como, por ausência de perspectivas de futuro, quando este se instaurou, muitos pesquisadores e investigadores começaram a trabalhar, tanto na literatura quanto nas religiões ou na teologia e em áreas afins das humanidades, com o intuito de resgatarem o debate sobre a esperança”, lembra Douglas.
Nova abordagem sobre a esperança
Ele completa dizendo que “esse tema começa a aparecer, tanto nos trabalhos de investigação científica, quanto nas produções artísticas e literárias e é por essa razão que emergiu o interesse de se investigar mais a fundo os diversos cruzamentos entre a literatura e a teologia, entre a religião e a arte, e debater as inúmeras possibilidades existentes entre elas, desde estéticas e em termos de teorias literárias até o que elas têm produzido de novo e o que foi produzido até aqui, o que pode ser revisto, retomado, recuperado e avaliado. Por isso, foi tão interessante nós acolhermos esse grupo de pesquisadores e investigadores porque eles estão realizando esse trabalho de revisão, reelaboração e criação de novos horizontes no que se refere a abordagem do tema da esperança”.

O Prof. Dr. Roberto Onell, da Pontificia Universidad Católica de Chile (UC Chile), esclarece que a realização de mais um congresso da ALALITE é importante por conta “do diálogo entre literatura e teologia e outras disciplinas relacionadas, o que permite com que nos encontremos, conversemos e compartilhemos pesquisas, perguntas e discussões, além de podermos explorar uma série de questões e, dessa maneira, nós podemos integrar um pouquinho mais a região latino-americana”.
Indispensável para o diálogo com a cultura
A ex-presidente da ALALITE, Dra. Cecilia Avenatti de Palumbo, da Pontificia Universidad Católica Argentina (UCA), participante do painel de abertura, comenta que a carta do Papa Francisco destaca a importância da literatura para a formação dos sacerdotes, dos pastores e de todo cristão. “Nós dividimos a carta em três partes. Na primeira, que vai do primeiro ponto ao número 19, nós tratamos sobre o eixo teológico da carta, que é sobre como a literatura abre o diálogo com o mundo. Do 20 ao 40, falamos, especificamente, de como a literatura nos leva a ouvir outra voz e nos abre a alteridade. E a terceira parte, sobre a qual eu tratei, vai do número 41 ao 44 e fala do desenvolvimento da literatura entre as artes e por que ela é destacada como indispensável para o diálogo com a cultura, segundo o Papa Francisco”.
“A verdade é que a literatura participa do poder criador de Deus, nomeando as coisas, chamando-as, escutando-as, e não para dominá-las por meio do nome, mas para, simplesmente, escutá-las e hospedá-las”, completa Cecília.
Mensagem simples e profunda
O Prof. Dr. Roberto Onell, da Pontificia Universidad Católica de Chile (UC Chile), que também fez parte do painel de abertura, esclarece que a realização de mais um congresso da ALALITE é importante por conta “do diálogo entre literatura e teologia e outras disciplinas relacionadas, o que permite com que nos encontremos, conversemos e compartilhemos pesquisas, perguntas e discussões, além de podermos explorar uma série de questões e, dessa maneira, nós podemos integrar um pouquinho mais a região latino-americana”.

Segundo o Prof. Dr. Emilio Ricardo Báez-Rivera, da Universidad de Puerto Rico (UPR), a ALALITE, enquanto organização, “tem sido uma ponte extraordinária, internamente, entre as várias regiões dos mundos hispânico e lusófono e entre eles dois também, porque une ambas as culturas no que se refere ao diálogo inter-religioso e promove essa harmonia especial da literatura com a teologia”.
“Primeiramente, eram representantes da Argentina, do Brasil e do Chile e, há pouco, Porto Rico começou a fazer parte da ALALITE e, com isso, o diálogo vai sendo alimentado cada vez mais pelos dois idiomas (português e espanhol) e por uma série de sotaques (de ambos) e é dessa maneira que nós acolhemos a carta do Papa Francisco sobre o papel da literatura na formação das pessoas, conversando sobre a sua importância para a literatura, a teologia e a sociedade em geral, pois é uma mensagem que é, ao mesmo tempo, simples, mas profunda”, completa Roberto.
Conteúdo de esperança
Segundo o Prof. Dr. Emilio Ricardo Báez-Rivera, da Universidad de Puerto Rico (UPR), a ALALITE, enquanto organização, “tem sido uma ponte extraordinária, internamente, entre as várias regiões dos mundos hispânico e lusófono e entre eles dois também, porque une ambas as culturas no que se refere ao diálogo inter-religioso e promove essa harmonia especial da literatura com a teologia. Quanto ao painel de abertura, a ideia foi discutir a formação dos futuros homens e mulheres de Deus, mas não só, pois esse convite se estende ao cristão que tem firmeza em sua fé e que é uma pessoa dada à cultura global, geral, porque a literatura tem componentes que ajudam à transcendência da vida, ainda que implicitamente, em termos de conteúdo teológico”.

A abertura do 10º Congresso Internacional da Associação Latino-Americana de Literatura e Teologia (ALALITE), ocorrida na tarde do último dia 28 de outubro, teve início com uma saudação, por vídeo, do cardeal português José Tolentino Calaça de Mendonça, atual prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, na Cúria Romana.
“Algo muito revelador desta carta do Papa Francisco é quando ele menciona o fato de que São Paulo cita poetas gregos de sua época que já eram precursores em relação a tratar de esperança e da mensagem que traz o Evangelho, que tem em si um conteúdo de esperança”, encerra Emilio.
Primeiro dia
A abertura do 10º Congresso Internacional da Associação Latino-Americana de Literatura e Teologia (ALALITE), ocorrida na tarde do último dia 28 de outubro, teve início com uma saudação, por vídeo, do cardeal português José Tolentino Calaça de Mendonça, atual prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, na Cúria Romana, seguida de falas do vice-reitor da PUC-Campinas, Prof. Pe. José Benedito de Almeida David; do professor do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Ciências da Religião da PUC-Campinas e presidente da ALALITE – Seção Internacional, para o biênio 2023-2025, Dr. Marcio Cappelli Aló Lopes, e do coordenador do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Ciências da Religião, Prof. Dr. Douglas Ferreira Barros.

Após a fala do Cardeal Tolentino, seguiram-se as explanações do vice-reitor da PUC-Campinas, Prof. Pe. José Benedito de Almeida David (ao centro); do professor do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Ciências da Religião da PUC-Campinas e presidente da ALALITE, Dr. Marcio Cappelli Aló Lopes (à direita); e do coordenador do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Ciências da Religião, Prof. Dr. Douglas Ferreira Barros (à esquerda).
A seguir, ocorreu o já citado primeiro painel do evento: “Recepção da Carta do Papa Francisco sobre a Importância da Literatura – História e Projeção da ALALITE”, e posteriormente, o segundo painel: “Homenagem a José Carlos Barcellos e Agustina Serrano”, com a Profa. Dra. Maria Clara Bingemer, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), e o Prof. Dr. Roberto Onell, da Pontificia Universidad Católica do Chile (UC Chile). Durante a conferência, a professora Maria Clara também foi homenageada pela organização do Congresso.
Ainda durante o primeiro dia de evento, houve a conferência “O Papel das Poéticas da Esperança no Mundo Contemporâneo – O Teatro de Plínio Marcos”, com o Prof. Dr. Alcir Pécora, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A moderação foi feita pelo Prof. Dr. Marcos Lopes, também da Unicamp.
Segundo dia
Na manhã do segundo dia, 29 de outubro, aconteceu o “Momento Cultural – Conversa com Mar Becker”, com a escritora e poetisa gaúcha. Na sequência, foi a vez do painel “Poéticas da Esperança e a Pluralidade do Sagrado”, com o Prof. Dr. Patricio Mena Malet, da Universidad de la Frontera (UFRO), de Temuco, no Chile, e o Prof. Dr. Dilip Loundo, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A moderação foi realizada, de modo on-line, pelo Prof. Dr. Jimmy Sudário Cabral, também da UFJF.

O segundo painel do evento foi “Homenagem a José Carlos Barcellos e Agustina Serrano”, com a Profa. Dra. Maria Clara Bingemer (ao centro), da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Durante a conferência, ela também foi homenageada pela organização do Congresso.
Após as sessões temáticas, realizadas em dez salas de aula do Bloco E da Escola de Ciências Humanas, Jurídicas e Sociais (HJS), aconteceu o terceiro painel do evento: “Esperança, Utopia e Humanismo”, com os professores Dr. Daniel del Percio e Dra. Adriana Cid, ambos da UCA, que participaram de modo on-line, com moderação da doutoranda e mestra em Teologia Sistemático-Pastoral pela PUC-Rio, Letícia Duarte.
Último dia
O terceiro e último dia do Congresso foi aberto com a realização do painel “Literatura e Sagrado: Esperança para os Marginalizados”, com a Profa. Dra. Edla Eggert, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), de modo on-line, e o Prof. Dr. Felipe Fanuel, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). A moderação foi realizada pela Profa. Dra. Ceci Mariani, da PUC-Campinas.
Após as últimas sessões temáticas, aconteceu a conferência de encerramento, com o Prof. Dr. Luis Girón, da Harvard University. A moderação ficou por conta do Prof. Dr. Paulo Nogueira, da PUC-Campinas.

