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PUC-Campinas promove “Seminário sobre Planejamento Urbano e Regional, Arquitetura e Urbanismo e Urbanologia”

O tema deste ano foi “Bases Epistemológicas da Urbanologia: Pensando o Período Pós-Globalização – Usos do Território, Informação e Mundos Possíveis”

A 4ª edição do “Seminário sobre Planejamento Urbano e Regional, Arquitetura e Urbanismo e Urbanologia” teve como objetivo reunir pesquisadores, profissionais e estudantes a fim de promover uma reflexão crítica e interdisciplinar sobre os processos contemporâneos de produção do espaço urbano e regional, buscando-se discutir racionalidades urbanas, práticas territoriais e alternativas de planejamento, com a articulação de perspectivas epistemológicas (de conhecimento), críticas e propositivas no campo da urbanologia.

A PUC-Campinas realizou, de modo on-line, entre os dias 2 e 5 de dezembro, a 4ª edição do “Seminário sobre Planejamento Urbano e Regional, Arquitetura e Urbanismo e Urbanologia”. O tema deste ano foi “Bases Epistemológicas da Urbanologia: Pensando o Período Pós-Globalização – Usos do Território, Informação e Mundos Possíveis”.

O evento teve como objetivo reunir pesquisadores, profissionais e estudantes a fim de promover uma reflexão crítica e interdisciplinar sobre os processos contemporâneos de produção do espaço urbano e regional, buscando-se discutir racionalidades urbanas, práticas territoriais e alternativas de planejamento, com a articulação de perspectivas epistemológicas (de conhecimento), críticas e propositivas no campo da urbanologia, bem como dar continuidade a um processo de debate iniciado em seminários anteriores, com aprofundamento progressivo das questões teóricas e metodológicas relacionadas à esta ciência em específico.

O encontro também visou consolidar um espaço público de interlocução, com a sistematização de debates, o fortalecimento de redes de pesquisa e a difusão de conhecimentos produzidos nas mesas redondas e nas sessões de trabalho.

De acordo com o coordenador geral do seminário, o Prof. Dr. Manoel Lemes da Silva Neto, o evento reuniu pesquisadoras e pesquisadores de instituições brasileiras e latino-americanas no âmbito das atividades do Laboratório de Desenho de Estratégias Urbano-Regionais (LADEUR) com a proposta de discutir “fundamentos conceituais, metodológicos e analíticos da urbanologia, buscando sedimentar os primeiros alicerces epistemológicos desse conceito a partir da obra de Milton Santos”.

Discutindo os fundamentos da urbanologia
De acordo com o coordenador geral do seminário, o Prof. Dr. Manoel Lemes da Silva Neto, este reuniu pesquisadoras e pesquisadores de instituições brasileiras e latino-americanas no âmbito das atividades do Laboratório de Desenho de Estratégias Urbano-Regionais (LADEUR) com a proposta de discutir “fundamentos conceituais, metodológicos e analíticos da urbanologia, buscando sedimentar os primeiros alicerces epistemológicos desse conceito a partir da obra de Milton Santos. Para isso, o evento articulou contribuições teóricas provenientes da arquitetura, do urbanismo, do planejamento urbano e regional, da geografia e das ciências sociais, com atenção especial às transformações do território no período pós-globalização”.

Segundo ele, a realização do seminário pela PUC-Campinas “reafirma o papel da Universidade na produção de conhecimento científico crítico e na articulação de redes acadêmicas voltadas à reflexão sobre os problemas urbanos e territoriais contemporâneos. Além disso, o evento contribui para inserir a instituição no debate latino-americano sobre urbanização, planejamento e desigualdade socioespacial, fortalecendo a pesquisa acadêmica e o diálogo interdisciplinar”.

O professor complementa explicando que “o formato integralmente on-line permitiu ampliar a interlocução entre pesquisadores de diferentes instituições e países, favorecendo a circulação de ideias e a consolidação de um espaço acadêmico de reflexão teórica continuada”.

A conferência de abertura, intitulada “Geografia Crítica e Urbanologia: Um Diálogo Necessário” foi ministrada pela pesquisadora principal do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET) e professora da Universidad de Buenos Aires (UBA), Dra. María Laura Silveira. Durante a sua fala, foi abordada a relação entre geografia crítica, uso do território e urbanização latino-americana, em diálogo com a obra de Milton Santos.

Abertura do evento
O evento teve início na manhã do dia 2, com a composição da mesa de abertura, que foi formada pela coordenadora do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, Profa. Dra. Renata Baesso Pereira; pela diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, Profa. Dra. Ana Paula Giardini Pedro; pela coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), Profa. Dra. Maria Angélica Toniolo; e pelos professores Dr. Manoel Lemes da Silva Neto, da PUC-Campinas, e Dra. Cilene Gomes, da Univap, representando a Comissão Organizadora do evento, que foi composta, ao todo, por dezoito pesquisadoras e pesquisadores, vinculados a diferentes instituições brasileiras e latino-americanas.

Na sequência teve lugar a conferência de abertura, intitulada “Geografia Crítica e Urbanologia: Um Diálogo Necessário”. Ela foi ministrada pela pesquisadora principal do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET) e professora da Universidad de Buenos Aires (UBA), Dra. María Laura Silveira. Durante a sua fala, foi abordada a relação entre geografia crítica, uso do território e urbanização latino-americana, em diálogo com a obra de Milton Santos.

Eixos temáticos e mesas temáticas
Toda a programação foi estruturada em três eixos temáticos que orientaram o enquadramento das atividades e conferiram coerência conceitual ao conjunto do seminário: “Crítica e Planificação: a Cidade como Construção Política do Comum”, “Dispositivos Contemporâneos de Dominação” e “Ações Territorializantes e Constituição do Comum”. O primeiro deles reuniu debates voltados à compreensão do planejamento urbano como campo de disputa política, envolvendo questões de projeto, decisão pública e produção do comum. O segundo concentrou-se na análise de mecanismos institucionais, econômicos e técnicos que estruturam o controle do território, como financeirização, governança tecnocrática e produção de desigualdades socioespaciais. O terceiro abordou práticas sociais, iniciativas coletivas e processos de produção territorial que tensionam ou reconfiguram as formas dominantes de organização do espaço urbano.

Em torno desses eixos foram organizadas onze mesas redondas, que constituíram o principal espaço de debate teórico do seminário, onde foram discutidos temas como planejamento urbano e regional, desigualdade territorial, governança, educação territorializante, justiça socioespacial, financeirização do urbano e cenários para a cidade contemporânea, sempre em diálogo com a tradição crítica inaugurada por Milton Santos.

A conferência de encerramento, “O que Fazer Frente à Revolução Digital”, foi proferida pelo Prof. Dr. Ladislau Dowbor (acima, o primeiro da esquerda para a direita), da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), economista de renome nacional e internacional e autoridade em desenvolvimento local, que discutiu os impactos das transformações econômicas e tecnológicas contemporâneas sobre o território, com destaque para o papel da informação e das plataformas digitais na reorganização da vida urbana.

Sessões de trabalho e encerramento
Além das mesas redondas, o seminário contou com três sessões de trabalho, concebidas como momentos articulados de um mesmo percurso metodológico. As duas primeiras sessões de trabalho tiveram como objetivo produzir subsídios analíticos e metodológicos para a leitura do território a partir de uma perspectiva endógena (de dentro dele próprio), centrada nas práticas sociais, nas experiências locais e nas formas de produção do espaço vividas pelas comunidades urbanas. Nessas sessões, o debate privilegiou abordagens de baixo para cima, com discussão de cartografias sociais, produção de informação territorializada, representações do espaço social urbano e metodologias críticas de análise territorial.

A terceira sessão de trabalho assumiu caráter deliberativo, articulando os subsídios produzidos nas sessões anteriores em torno do Sistema de Informação para o Planejamento Territorial Latino-Americano (SISAL) e da Rede Territorialistas – Sujeito coletivo de pesquisa sobre inovação, futuro e planificação territorial, voltado à sistematização de informações territoriais e ao desenvolvimento de instrumentos analíticos para o planejamento urbano e regional.

A conferência de encerramento, “O que Fazer Frente à Revolução Digital”, foi proferida pelo Prof. Dr. Ladislau Dowbor, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), economista de renome nacional e internacional e autoridade em desenvolvimento local, que discutiu os impactos das transformações econômicas e tecnológicas contemporâneas sobre o território, com destaque para o papel da informação e das plataformas digitais na reorganização da vida urbana.

Durante o evento aconteceu o lançamento de “Cenários Alternativos de Planejamento Territorial para o Século 21”, obra organizada por cinco pesquisadores, sob a coordenação do professor Manoel Lemes da Silva Neto, e publicada pela Editora Letra Capital. O livro é resultado do que foi discutido na terceira edição do Seminário, ocorrida no ano passado, cujo tema empresta o título à obra.

Lançamento
Durante o evento, aconteceu ainda o lançamento de “Cenários Alternativos de Planejamento Territorial para o Século 21”, obra organizada por cinco pesquisadores, sob a coordenação do professor Manoel Lemes da Silva Neto, e publicada pela Editora Letra Capital. O livro é resultado do que foi discutido na terceira edição do Seminário, ocorrida no ano passado, cujo tema empresta o título à obra.

A publicação, que conta com o prefácio do secretário-executivo adjunto da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Javier Enrique Medina Vásquez, traz ainda uma introdução intitulada “O Território na Era Digital”, do professor Ladislau Dowbor, tendo contado com o apoio do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, por meio de recursos do Programa de Apoio à Pós-Graduação (PROAP) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O livro pode ser acessado clicando-se aqui.

Sobre o LADEUR
O Laboratório de Desenho de Estratégias Urbano-Regionais (LADEUR), organizador do evento, é um grupo de pesquisa vinculado ao Programa de Pós-Graduação (PPG) em Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, dedicado à investigação crítica do território, da urbanização e do planejamento urbano e regional e que desenvolve atividades de pesquisa, ensino e extensão, articulando produção teórica, análise territorial e cooperação acadêmica, com forte diálogo com a tradição da geografia crítica e com o pensamento de Milton Santos.

As onze mesas redondas que constituíram o principal espaço de debate teórico do seminário apresentaram inúmeros temas, todos em diálogo com a tradição crítica inaugurada pelo acadêmico Milton Santos.

Sobre Milton Santos
Milton Almeida dos Santos (1926-2001) foi geógrafo, escritor, cientista, jornalista, advogado e professor universitário. Considerado um dos mais renomados intelectuais do Brasil no século XX, foi ainda um dos grandes nomes da renovação da geografia no Brasil, ocorrida na década de 1970. Destacou-se por seus trabalhos em diversas áreas desta disciplina, em especial nos estudos de urbanização do Terceiro Mundo e por seus trabalhos sobre a globalização nos anos 1990.

A sua obra caracterizou-se por apresentar um posicionamento crítico ao sistema capitalista e seus pressupostos teóricos dominantes na geografia de seu tempo, tendo lecionado em inúmeras reconhecidas universidades ao redor do mundo e escrito mais de quarenta livros, publicados não apenas no Brasil, mas também em diversos outros países. Em 1994, foi agraciado com o prêmio Vautrin Lud, considerado o Nobel na área da geografia.

Como acessar?
O seminário, como já dito, foi realizado, integralmente, em formato on-line e transmitido pelo canal do YouTube do LADEUR, que pode ser acessado, clicando-se aqui. Também foi disponibilizado através do perfil do Instagram @puraurbanologia, que pode ser acessado clicando-se aqui.

Para acessar ao site do evento, basta clicar aqui.



Daniel Bertagnoli
17 de dezembro de 2025