
Projeto RESFRIA promove troca de experiências sobre clima urbano
Workshop reuniu pesquisadores do Brasil, Argentina e Espanha para debater ações de enfrentamento ao calor
As ações de enfrentamento ao calor urbano e as soluções para melhorar a qualidade de vida nos centros urbanos foram discutidas nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, durante o 2º Workshop RESFRIA: Pesquisas e Políticas Públicas para o Resfriamento Urbano, realizado no Espaço Mescla da PUC-Campinas.
No encontro, que reuniu pesquisadores, gestores públicos, técnicos, estudantes de pós-graduação e graduação, além da apresentação do Projeto RESFRIA, financiado pelo Programa de Pesquisa em Políticas Públicas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), no município de Jundiaí, pesquisadores internacionais parceiros – do Instituto de Ciencias de la Construcción Eduardo Torroja (IETcc), de Madrid, na Espanha, e do Instituto de Ambiente, Hábitat y Energía – Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (INAHE-CONICET), da Argentina – também apresentaram as suas linhas de pesquisa e experiências em estratégias de resfriamento urbano.
De acordo com a coordenadora do RESFRIA, Profa. Dra. Cláudia Cotrim Pezzuto, docente do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Sistemas de Infraestrutura Urbana e das Faculdades de Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, o projeto está conhecendo o território no quesito do clima urbano e analisando como a urbanização tem modificado o clima, a partir de um olhar científico sobre a distribuição da temperatura na cidade e as diferenças térmicas geradas por esse processo.
Além desse monitoramento climático, a pesquisa, segundo ela, avança para um diagnóstico urbano mais amplo, incorporando dados socioeconômicos. “Estamos analisando informações do último Censo para entender como a população está distribuída, as faixas etárias, as classes sociais, e relacionar esses dados com a distribuição da temperatura. Isso nos permite compreender o que está acontecendo na cidade de forma integrada”, ressaltou.
Identificação de vulnerabilidades
Esse cruzamento de informações é essencial para identificar vulnerabilidades ao calor extremo. De acordo com a coordenadora, o objetivo é oferecer subsídios para ações mais eficazes do poder público. “Queremos analisar a vulnerabilidade ao calor para verificar quais regiões e quais populações são mais afetadas, para que a prefeitura possa fortalecer as políticas públicas e promover melhorias no clima urbano”, completou.
Para o Diretor do Departamento de Meio Ambiente de Jundiaí, Guilherme Theodoro Nascimento Pereira de Lima, o grande desafio da gestão pública é transformar o conhecimento técnico em algo acessível à população. “Mais do que criar uma política pública ou transformar isso em lei, a nossa missão é conscientizar quem está na ponta”, afirmou.
Ele reforçou a importância de pensar o tema como uma política de longo prazo. “A gente precisa criar uma política de Estado. Com os dados acadêmicos e científicos que estão sendo levantados, podemos construir uma política de adaptação às questões climáticas que já estão acontecendo e que vão continuar acontecendo”, disse.
A Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Sistemas de Infraestrutura Urbana, da PUC-Campinas, Profa. Dra. Nadia Cazarim da Silva Forti, destacou que essa parceria entre a Universidade e a Prefeitura de Jundiaí aproxima a pesquisa acadêmica da prática da gestão pública. Segundo ela, o Projeto RESFRIA fortalece as tomadas de decisões da prefeitura, especialmente no enfrentamento das mudanças climáticas e na busca por cidades mais habitáveis e resilientes. “O projeto fortalece a vocação da universidade como agente ativo de transformação social, capaz de contribuir para soluções sustentáveis que impactam diretamente a qualidade de vida da população. A articulação entre ciência e gestão pública alavancam os resultados das pesquisas permitindo que sejam incorporados em programas já existentes e orientem a criação de novas diretrizes de planejamento urbano. Essa cooperação institucional é essencial para enfrentar os desafios climáticos e promover cidades mais seguras, confortáveis e sustentáveis”, destacou.
Mesa-redonda
O segundo encontro do Workshop será realizado no dia 12 de fevereiro, no Auditório do Paço Municipal de Jundiaí. Em uma mesa-redonda, serão apresentados os resultados do Projeto RESFRIA na cidade e a sua interface com as políticas públicas locais.
Sobre o RESFRIA
O RESFRIA é um projeto financiado pelo Programa de Pesquisa em Políticas Públicas da FAPESP para ser desenvolvido em parceria entre a PUC-Campinas e a Prefeitura Municipal de Jundiaí.
O seu principal objetivo é analisar as alterações climáticas no município de Jundiaí e contribuir para o delineamento de cenários e a avaliação de estratégias de resfriamento, voltadas à mitigação do aquecimento urbano. Os avanços científicos gerados pelo projeto buscam subsidiar o governo local no fortalecimento de políticas públicas, com foco na redução do calor urbano e no aumento da habitabilidade da cidade.
Atualmente, o projeto conta com 15 sensores de temperatura e umidade instalados no território urbano de Jundiaí, além de uma estação meteorológica, o que permite uma leitura detalhada da distribuição térmica da cidade. Essas medições permitem a análise da relação entre o ambiente urbano e as variações climáticas, complementadas por estações meteorológicas e pontos fixos de coleta de dados.
E, em breve, essa análise será ampliada com a instalação de novos sensores de baixo custo que estão em fase de desenvolvimento dentro do projeto. De acordo com a Profa. Dra. Lia Toledo Moreira Mota, Docente permanente da Pós-Graduação em Sistemas de Infraestrutura Urbana e pesquisadora do Projeto RESFRIA, esses equipamentos apresentam um custo de produção entre 80% e 90% inferior ao dos sensores hoje disponíveis no mercado. “Por se tratarem de sensores de baixo custo, será possível implementar um monitoramento muito mais abrangente, cobrindo uma extensão territorial significativamente maior do que aquela viável com os dispositivos comercialmente disponíveis e tradicionalmente utilizados”, explicou.




