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Programa “A Cor da Desigualdade” completa um ano de combate ao racismo na saúde

Evento reuniu autoridades, estudantes e representantes da sociedade civil para celebrar o programa que busca combater o racismo na saúde e promover atendimento mais humanizado à população negra

A PUC-Campinas celebrou, nesta quarta-feira, 25 de março, o primeiro ano do Programa “A Cor da Desigualdade: Atenção Integral à Saúde da População Negra”, iniciativa institucional voltada ao enfrentamento das desigualdades raciais no atendimento em saúde.

O evento, realizado no Auditório Monsenhor Salim, no Campus II, reuniu autoridades acadêmicas, representantes do poder público, estudantes, docentes e membros da sociedade civil, destacando as conquistas ao longo do período e reafirmando o compromisso com a formação de profissionais mais preparados para lidar com as especificidades da população negra.

Criado a partir de ações do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Dra. Nicea Quintino Amauro, o programa promove atividades acadêmicas, pesquisas, ações extensionistas e capacitação de estudantes da área da saúde, com foco na equidade e no combate ao racismo estrutural e institucional.

Durante a abertura, o Reitor Prof. Dr. Victor de Barros Deantoni ressaltou que a missão da Instituição está diretamente ligada à promoção da igualdade social. “A Universidade tem como missão promover a igualdade na sociedade. Sabemos que é um desafio ousado, mas iniciativas como este programa permitem que, geração após geração, formemos profissionais mais conscientes e comprometidos com uma sociedade mais justa. É essencial que programas como esse sejam permanentes, para que seus princípios sejam transmitidos e incorporados à prática profissional”, afirmou.

Para a Comendadora Edna Almeida Lourenço, Coordenadora do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Dra. Nicea Quintino Amauro, o programa é resultado de décadas de luta por reconhecimento e respeito dentro do sistema de saúde. “Levamos anos para conquistar um espaço onde nossos corpos fossem compreendidos como diferentes e merecedores de cuidado adequado. Este programa representa dignidade, respeito e a certeza de que estamos construindo algo que vai transformar vidas”, afirmou.

Ela destacou ainda que a participação dos estudantes tem sido decisiva. “Quando os alunos se envolvem, a mudança acontece de verdade. Eles levam essa consciência para fora da Universidade e ajudam a transformar o atendimento à população”, complementou.

Construção coletiva e transformação social

A Promotora de Justiça do Ministério Público Estadual, Dra. Cristiane Correia de Souza Hillal, reforçou em sua fala que combater o racismo institucional exige ações concretas. Segundo ela, é fundamental acompanhar e incentivar políticas públicas e ações institucionais que promovam a igualdade. Para ela, a Universidade tem se destacado por desenvolver iniciativas concretas nesse sentido. “Existe o racismo estrutural, e enfrentá-lo exige coragem. A PUC-Campinas tem se destacado por não apenas reconhecer o problema, mas agir para mudar a realidade. Este programa é exemplo de uma instituição que sai do discurso e passa para a prática”, afirmou.

Representando o prefeito de Campinas, Dário Saadi, o Coordenador Departamental de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Campinas, Marcelo Rezende Bento, ressaltou a importância da integração entre universidade, sociedade civil e gestão pública. “O programa reúne diferentes setores em torno de um objetivo comum, que é qualificar o atendimento e enfrentar desigualdades ainda presentes no sistema de saúde. A formação dos novos profissionais é fundamental para que essa mudança se consolide”, declarou.

Segundo ele, os resultados já podem ser percebidos no ambiente acadêmico e na capacitação dos estudantes. “Ao longo deste primeiro ano, muitas pessoas foram sensibilizadas e passaram a compreender a importância de um olhar mais atento para a saúde integral da população negra. Isso se reflete na formação e no fortalecimento das políticas públicas”, afirmou.

Formação acadêmica e qualificação do atendimento

O programa tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre as especificidades da saúde da população negra, promovendo atividades de ensino, pesquisa e extensão que contribuam para a qualificação do atendimento e para o enfrentamento do racismo estrutural e institucional na área da saúde.

Para o Presidente da Câmara Municipal de Campinas, Luiz Carlos Rossini, a iniciativa representa um avanço ao inserir o letramento racial na formação universitária. “Compreender as especificidades da população negra permite um atendimento mais humanizado, mais eficaz e mais respeitoso. Trata-se de uma ação pioneira, que merece reconhecimento, porque contribui para a mudança de mentalidade e para a melhoria do atendimento à população”, afirmou.

“A população negra ainda enfrenta maior vulnerabilidade social e menor acesso a direitos, inclusive na área da saúde. Enfrentar essa realidade exige formação crítica, produção de conhecimento e compromisso institucional permanente”, destacou o Decano da Escola de Ciências da Vida (ECV), Prof. Dr. Gustavo Henrique da Silva.

Um ano de conquistas e novos desafios

Ao completar um ano, o programa já acumula projetos de pesquisa, ações clínicas, atividades educativas e parcerias com órgãos públicos, além de iniciativas voltadas ao atendimento específico da população negra em áreas como odontologia, fisioterapia e saúde mental.

Para a vereadora Paola Miguel, presidente da Comissão de Relações Internacionais e reconhecida pela atuação na defesa dos direitos das mulheres e no combate ao racismo, o programa A Cor da Desigualdade representa a aproximação da Universidade com a comunidade e com as demandas reais da população negra. “É uma iniciativa que reconhece as especificidades em saúde, enfrenta o tema sem receio e contribui para a construção de políticas públicas mais humanizadas, promovendo dignidade no atendimento e formação mais consciente dos futuros profissionais. Que este primeiro ano seja apenas o início de uma trajetória que se torne referência para Campinas e para todo o país”, destacou.

A celebração terminou com homenagens a todas as personalidades que contribuíram e apoiaram o desenvolvimento do projeto. Todos receberam um certificado de agradecimento pelo compromisso com o programa.

O programa

Lançado em 2025, o programa surgiu a partir da constatação de desigualdades históricas no cuidado em saúde, evidenciadas por dados que apontam maior incidência e gravidade de doenças como anemia falciforme e hipertensão arterial na população negra. A iniciativa foi estruturada para promover ações de ensino, pesquisa e extensão, além de atividades de formação e letramento racial voltadas à comunidade acadêmica e a profissionais da área da saúde, com foco na construção de práticas mais equitativas.

Ao longo do primeiro ano, o programa consolidou-se como um espaço de sensibilização e educação sobre as desigualdades no atendimento à saúde, incentivando o debate qualificado e a formação de profissionais mais preparados para lidar com as especificidades da população negra.



Jean Spaduzano
25 de março de 2026