
PPG em Educação da PUC-Campinas promove experiência formativa a educadores das redes municipais de Hortolândia e Campinas
Atividades com gestores e orientadores pedagógicos debateram o acolhimento escolar e a criação de contextos de letramento, refletindo sobre a transição escolar
A PUC-Campinas, por meio do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Educação, participou recentemente de duas importantes atividades de formação continuada em parceria com as redes municipais de ensino de Hortolândia e Campinas. Os encontros, que tiveram grande repercussão regional, reuniram centenas de profissionais da educação e foram conduzidos pela Profa. Dra. Cristina Tassoni, pesquisadora e docente da Universidade. As palestras ministradas são fruto direto do conhecimento científico produzido no âmbito da Universidade, levando a pesquisa acadêmica para o cotidiano das escolas públicas.
“Os dois convites surgiram como uma consequência da pesquisa que venho desenvolvendo, em parceria com a Profa. Dra. Silvia Rocha, no âmbito do Programa de Pós-Graduação, sobre a transição das crianças da Educação Infantil para o Ensino Fundamental”, explicou a docente. O trabalho, que também engloba anos de estudos da professora sobre a afetividade nos processos de ensino-aprendizagem, embasou as discussões propostas nos dois municípios.
Hortolândia: o acolhimento como prática contínua
Em Hortolândia, a participação da Universidade marcou a abertura do ano letivo durante a Jornada Pedagógica do município. A palestra reuniu cerca de 300 gestores escolares e teve como foco principal a cultura do acolhimento. A proposta foi instigar os gestores a repensarem o planejamento das escolas a partir de uma ótica mais ampla e contínua. “Nessa pesquisa, a gente discute muito uma perspectiva de acolhimento para além das primeiras semanas de aula e de ações mais pontuais de mostrar a escola para a família, por exemplo. É um acolhimento que perpassa o ano todo”, destacou.

Durante o encontro, foram debatidas estratégias para que os espaços e os tempos pedagógicos da escola retratem esse acolhimento, criando ambientes de diálogo e escuta para conhecer os saberes e as experiências prévias dos estudantes. Para a docente, essa escuta é fundamental para a inserção dos alunos em uma nova escola ou em uma nova rotina escolar.
A afetividade também foi ponto central da formação. “São nesses encontros que acontecem na escola e na sala de aula que as experiências mobilizam afetos. Tanto professores são afetados pelos alunos, como também os afetam. Nesse processo, sentimentos e emoções vão surgindo e marcando as relações que vão se estabelecendo ali: entre os estudantes e os conhecimentos, com os professores, com a própria escola e com o estudo.
Campinas: pontes entre a Educação Infantil e o Ensino Fundamental
Já na Rede Municipal de Campinas, a atividade envolveu cerca de 100 orientadores pedagógicos da Educação Infantil. A ação consolidou uma parceria entre o PPG em Educação da PUC-Campinas e o município, que existe desde 2022, focada na pesquisa sobre a transição das crianças para o primeiro ano do Ensino Fundamental, estudo que já contou com a participação de diretores, coordenadores, supervisores e professores da rede.
O encontro em Campinas aprofundou o debate sobre a construção de pontes entre essas duas etapas escolares, com ênfase no desenvolvimento de diferentes linguagens, como a leitura, a escrita, a oralidade, o desenho e o brincar.
A professora Cristina Tassoni exemplificou aos orientadores como a brincadeira de faz de conta pode ser um cenário rico para a inserção de materiais da cultura escrita. “Se é uma brincadeira de escritório, por exemplo, pode ter bloquinho de notas, canetas, teclado de computador. Discutimos o quanto a brincadeira pode aproximar as crianças de práticas de leitura e de escrita, e o quanto o desenho combinado com a escrita, que ainda está em processo de desenvolvimento, pode trazer mais significado para o que a criança gostaria de escrever”.
Para dar suporte teórico às escolas, a palestra também resgatou a constituição histórica dos conceitos de letramento e alfabetização no Brasil. “A ideia era esclarecer alguns pressupostos teóricos, para que os orientadores pedagógicos pudessem levar para suas escolas, uma abordagem de letramento na Educação Infantil, que impulsionasse o investimento nas articulações entre as diferentes formas de linguagem”, concluiu, reforçando o compromisso da PUC-Campinas em contribuir ativamente para a qualidade da educação básica na região.




