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Exposição “Arquitetos Negros: a força e o engenho” é apresentada no Solar do Barão

Cerimônia contou com muita emoção, passando pela história dos negros no Brasil e a invisibilidade das grandes obras feitas por eles

Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Dra. Nicéa Quintino Amauro (CEAAB) da PUC-Campinas apresentou, na noite de quarta-feira, 17 de dezembro, a exposição “Arquitetos Negros: a força e o engenho”, no Solar do Barão. A cerimônia foi marcada pela emoção, ao abordar temas sensíveis e importantes para a história do negro no Brasil.

A exposição integra atividades do Mês da Consciência Negra e celebra o Dia Internacional dos Direitos Humanos, convidando visitantes a reconhecer a contribuição de arquitetos, mestres construtores, artífices e trabalhadores negros que moldaram a paisagem arquitetônica brasileira, mas que historicamente foram invisibilizados.

Edna de Almeida Lourenço, coordenadora do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros ressaltou a importância do momento. “É o momento de apresentarmos para o Brasil esses nossos grandes arquitetos. É um momento de grande reflexão de você saber que essas pessoas, em pleno período colonial, estavam mostrando toda a sua alta tecnologia e inteligência. E agora, nos anos 2000, nós temos também o nosso povo que não parou, que continuou o que comprova que negros e negras deram uma contribuição imensa para o desenvolvimento desse país”, afirmou.

A secretária de Cultura e Turismo de Campinas, Alexandra Caprioli falou do significado dos significados que a exposição traz. “O primeiro fator que me deixa muito feliz é isso estar acontecendo aqui no Solar do Barão. Fazer esse reconhecimento de arquitetos negros, simbolicamente dentro do Solar também mostra que estamos quebrando muitos paradigmas. E o reconhecimento é muito importante porque trazemos uma memória que, talvez, estivesse apagada, mas que esse reconhecimento traz à luz e mostra a contribuição da comunidade negra e de tantas pessoas em várias áreas. Aqui estamos olhando na arquitetura, que constrói a identidade de uma cidade. Então, eles, através desse olhar diferente, construíram também a cidade”, comentou.

Com texto curatorial de Alessandra Ribeiro, Doutora e Mestra em Urbanismo pela PUC-Campinas, a exposição apresenta uma leitura sensível e histórica da Arquitetura Negra enquanto visão de mundo. O público poderá conhecer práticas construtivas trazidas por profissionais negros desde o período colonial, marcadas por tecnologias com barro, taipa, pedra e madeira que estruturaram cidades inteiras, além de formas de territorialidade e resistência preservadas após a abolição, como os quilombos e cortiços. Mais do que expor lacunas do registro histórico, a mostra reafirma presenças e celebra a ancestralidade e a criatividade que ajudaram a construir o Brasil.

“Eu penso que num momento em que as informações são muito perecíveis, nós termos a oportunidade de revisitar a história é sempre fundamental. E quando vamos para as áreas das arquiteturas e das engenharias, nós não estamos falando só de histórias perecíveis no tempo, mas de materialidades que se mantêm — mesmo nós não sabendo quem são esses nomes. Então, poder exaltar e evidenciar o nome dos grandes engenheiros e arquitetos negros desde o século XVII e XVIII — mesmo quando eles não eram renomados com esses conhecimentos e saberes — é uma alegria maravilhosa”, afirmou a arquiteta Alessandra Ribeiro.

A exposição fica aberta ao público nos dias 17 e 18 de dezembro, no Solar do Barão, na rua Marechal Deodoro, 1099, Centro, Campinas.

 



Carlos Giacomeli
18 de dezembro de 2025