
Estudantes de Cinema e Audiovisual produzem curta em desafio do Kinoforum
Alunos de diferentes semestres tiveram menos de três dias para produzir o curta-metragem “Quimera”; coordenador do curso também integrou júri do Prêmio Revelação
Transformar uma ideia em filme em menos de três dias foi o desafio enfrentado por estudantes de diferentes semestres do Curso de Cinema e Audiovisual da PUC-Campinas durante a Noite de Kino, atividade realizada no contexto do 37º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo – Curta Kinoforum. A partir do tema “Festa de Gala”, definido por sorteio, os alunos se mobilizaram para escrever, produzir, gravar e editar o curta-metragem Quimera.
Realizado desde 1990, em São Paulo, o 37º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo é um dos mais tradicionais eventos dedicados ao curta-metragem e reúne produções brasileiras e internacionais, além de atividades de formação, reflexão e intercâmbio no campo do audiovisual. A Noite de Kino propõe aos participantes uma produção em ritmo acelerado, que exige organização, capacidade de improvisação e trabalho coletivo.
Para os alunos da PUC-Campinas, o desafio começou com a elaboração do roteiro e a definição da produção. “Tivemos que escrever o roteiro e arrumar a locação para o dia seguinte, tudo isso em menos de oito horas, além de conseguir atores”, conta Henrick Romeo de Amaraes, de 21 anos, aluno do segundo semestre de Cinema e Audiovisual. Diante do prazo reduzido, a própria equipe assumiu diferentes funções: integrantes do grupo atuaram no filme e uma locação foi encontrada em outra cidade.
O resultado foi Quimera, que acompanha três jovens que chegam a um baile de máscaras em um dia aparentemente comum. Entre encontros estranhos, acontecimentos inexplicáveis e memórias fragmentadas, a fronteira entre realidade e imaginação começa a desaparecer. Ao final da festa, permanece a dúvida sobre o que de fato aconteceu.
Para Henrick, o processo reforçou a importância da colaboração. “Acho que essa experiência me mostrou com certeza que sem a parceria, nada vai para frente. O coletivo, quando bem organizado e fazendo com amor, faz qualquer produção dar certo”, afirma.
A percepção também foi compartilhada pelo colega Matheus Vinicius de Andrade, de 19 anos, aluno do quarto semestre. Para ele, além do curto prazo, um dos principais desafios foi conciliar as ideias de mais de 20 integrantes. “O cinema só funciona quando todos estão dispostos a se doar, tanto para querer entender os outros quanto para os outros te entenderem”, avalia.
Segundo Matheus, a dinâmica também reforçou a importância da escuta e do diálogo no processo criativo. “É muito importante falar, mas é mais importante ainda ouvir. Com tantos falando, quem ouve entende”, afirma.
A pressão do tempo e a necessidade de articulação entre diferentes áreas também aproximaram os alunos de situações que podem fazer parte da rotina profissional. “Às vezes teremos uma semana para entregar um roteiro ou editar um projeto em um final de semana. Tudo acontece muito rápido”, observa Matheus.
Para o estudante, iniciativas como a Noite de Kino também ampliam o repertório ao possibilitar o contato com diferentes formas de pensar e produzir cinema. “É uma ótima iniciativa para a aprendizagem e criação de repertório de olhares para tantas outras faculdades e ter esse network cultural, onde você vê formas diferentes de pensar e sua criatividade floresce”, destaca.
Produção e circulação

A participação na Noite de Kino dialoga com uma proposta presente na formação oferecida pelo Curso de Cinema e Audiovisual da PUC-Campinas: estimular a produção cinematográfica ao longo de toda a graduação e a circulação dos trabalhos realizados.
De acordo com o coordenador do curso, Prof. Dr. Caio de Salvi Lazaneo, a matriz curricular prevê a realização de filmes semestralmente, de forma interdisciplinar. Ao longo da graduação, os estudantes têm contato com diferentes possibilidades de linguagem e produção, passando por trabalhos de ficção, documentário, adaptação literária, animação e produção executiva, entre outros.
“A realização dos filmes em si não se encerra nessa etapa. Os estudantes são constantemente estimulados pelo corpo docente a fazer com que seus filmes circulem”, explica. Segundo o professor, os festivais são importantes espaços de exibição, encontro e descoberta de novos realizadores. “Os filmes têm uma vida e, depois de realizados no contexto acadêmico, eles podem e devem circular”, afirma.
Segundo o docente, a Noite de Kino amplia as possibilidades de experimentação ao colocar os alunos diante de um processo criativo com limitações concretas de tempo e recursos, reunindo diferentes etapas da graduação em torno de uma mesma realização.
PUC-Campinas no júri do Prêmio Revelação

Prof. Dr. Caio de Salvi Lazaneo, da PUC-Campinas, integrou júri do Prêmio Revelação. Foto: Divulgação
A presença da PUC-Campinas no 37º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo também ocorreu por meio da participação do Prof. Dr. Caio de Salvi Lazaneo no júri do Prêmio Revelação, iniciativa que busca incentivar jovens talentos do audiovisual brasileiro e apoiar a realização de seus próximos projetos.
Ao lado da cineasta Lara Lima e do crítico de cinema Raphael Camacho, o professor avaliou 14 filmes e projetos de diferentes regiões do Brasil. Além do filme apresentado, a premiação considera o projeto de realização de uma próxima obra, contribuindo para a continuidade da trajetória dos jovens cineastas.
Para Lazaneo, integrar o júri foi uma oportunidade de acompanhar um momento importante na trajetória desses realizadores, especialmente por se tratar, em muitos casos, de trabalhos de conclusão de curso. Entre os aspectos que chamaram sua atenção estiveram a diversidade de temas e a presença de olhares críticos sobre a história brasileira.
“É muito bom acompanhar esse fervor, esse desejo de contar algo para o mundo, de registrar algo para o mundo, que acompanha esse período formativo dos realizadores brasileiros”, afirma o docente.
A participação também permitiu ao coordenador conhecer trabalhos desenvolvidos em diferentes instituições de ensino do País e levar esse repertório aos alunos da PUC-Campinas. “Foi muito positivo também para conhecer o que está sendo feito em diferentes lugares do País no contexto formativo e pensar em trazer essas experiências para os nossos alunos, para que eles conheçam o que seus futuros colegas de profissão estão produzindo”, explica.








