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Estudantes ajudam a erguer capela em vilarejo isolado do Chile

Universitários participaram da construção da primeira capela de Totoralillo Norte, comunidade remota com cerca de 75 famílias; missão reuniu jovens de vários países e durou nove dias

Atendendo a um convite da Pastoral Universitária da PUC-Campinas, Fabrícia Santos da Silva, estudante do Curso de Odontologia e Guilherme Lima Vaz, do Curso de História, viajaram mais de 2.600 km para participar de uma atividade missionária repleta de fé, solidariedade e fraternidade: ajudar a construir a primeira capela de um pequeno vilarejo no norte do Chile.

Movidos pela fé e pelo espírito missionário, eles embarcaram rumo a Totoralillo Norte, uma comunidade remota com cerca de 75 famílias, localizada a cerca de dez horas de viagem da capital Santiago. No local, onde o acesso à água é limitado e não há energia elétrica, cerca de 30 voluntários de diversos países se reuniram durante nove dias para levantar o espaço religioso e ponto de encontro espiritual dos moradores.

A jornada começou no dia 3 de janeiro, quando os dois universitários chegaram à capital chilena. Antes de seguir para o interior do país, eles se reuniram com outros voluntários estrangeiros em uma casa de encontros da Pastoral Universitária chilena. Ao todo, o projeto missionário reuniu cerca de 1.500 jovens, divididos em 53 regiões diferentes do país.

“Foi uma verdadeira experiência de Igreja. Apesar das diferenças de idioma, todos estavam unidos pelo mesmo propósito missionário”, resumiu Guilherme.

Um chamado inesperado

Para Fabrícia, o convite para participar da missão veio de maneira inesperada e carregado de significado espiritual. Ela conta que tudo começou em 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição. Naquele dia, enquanto caminhava até a Paróquia São José Operário, da Diocese de Osasco, para rezar o terço ao meio-dia, enfrentou um pequeno contratempo no trajeto. As sandálias arrebentaram no caminho. Mesmo assim, continuou a caminhada até receber ajuda de um desconhecido, que lhe ofereceu um par de chinelos para que pudesse chegar à igreja.

A recompensa, segundo Fabrícia, veio no dia seguinte, quando recebeu uma ligação da Pastoral Universitária da PUC-Campinas com o convite para participar da missão no Chile. “Foi a primeira vez que saí do Brasil. Eu não sabia muitos detalhes, mas aceitei confiando que Deus prepara todas as coisas”, recordou.

Juventude em missão

A missão começou oficialmente no dia 5 de janeiro, após uma missa de envio em Santiago. De lá, os voluntários seguiram rumo ao norte do país, em uma viagem de cerca de dez horas até Totoralillo Norte.

No grupo destinado à região, estavam cerca de 30 jovens de vários países, incluindo Argentina, México, Peru e Honduras. Durante nove dias, os jovens dividiram a rotina entre trabalho na construção da capela, visitas às famílias da comunidade e momentos de oração.

“Dormíamos pouco, trabalhávamos no calor do dia e tomávamos banho frio à noite, quando já estava ventando. Mas todas as dificuldades se tornam pequenas quando você vê a alegria das pessoas”, contou Guilherme.

Aprender a construir

Sem experiência em obras e com conhecimento limitado de espanhol, Fabrícia precisou superar o medo inicial de atrapalhar. Aos poucos, foi se adaptando à rotina da construção e também às diferenças linguísticas.

“Pregos eram clavos, trena era huincha e janelas eram ventanas. Foi como reaprender o mundo em uma nova língua. Tudo era novo, a comida, os costumes, mas a generosidade das pessoas foi, sem dúvida, uma das melhores partes da experiência. Todos demonstravam muito interesse pela nossa cultura e pelos nossos costumes, e tiveram uma paciência enorme para nos ensinar desde o básico até as coisas mais diferentes que aconteciam durante a missão”, lembrou.

Mais do que o trabalho físico, o que marcou os voluntários foi o acolhimento da comunidade local. Mesmo com recursos escassos, os moradores se mobilizaram para ajudar os jovens durante a missão. Todos os dias, preparavam refeições para os voluntários que trabalhavam na obra e levavam bebidas refrescantes durante as horas mais quentes do dia.

“Eles muitas vezes tiravam do próprio bolso para nos ajudar. Mesmo tendo tão pouco, eram extremamente generosos”, complementou.

Um sonho erguido em comunidade

A construção da capela começou no dia 6 de janeiro e seguiu até o dia 14. Quando a estrutura foi finalizada, a emoção tomou conta dos moradores. Para uma comunidade pequena e isolada, ver jovens vindos de diferentes partes da América Latina trabalhando juntos para erguer aquele espaço religioso foi motivo de profunda gratidão.

“Foi emocionante ver o olhar das pessoas quando perceberam que aquela seria a primeira capela da região”, disse Fabrícia.

A convivência também foi marcada por momentos de espiritualidade. Além das atividades com as famílias da comunidade, os voluntários participaram de missas e até de uma vigília noturna diante do Santíssimo Sacramento. A missão terminou com uma missa de encerramento e uma celebração entre os voluntários.

“Entre conversas profundas sobre Deus, sobre o nosso sentido de missão, brincadeiras e orações, vivemos uma fraternidade muito bonita. Quem mais saiu enriquecido dessa missão fui eu”, afirmou Guilherme.

“Foi algo verdadeiramente transformador, meu coração se encheu de alegria ao ver tanto carinho e amor nas pequenas coisas e nos pequenos gestos”, finalizou Fabrícia.



Jean Spaduzano
18 de março de 2026