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Campinas “Abraça a Causa” contra o racismo no esporte

Campanha da PUC-Campinas, em parceria com a Prefeitura de Campinas, OAB, Ministério Público, e os clubes de Campinas, visa lutar contra o racismo nos gramados e quadras por meio da educação

A PUC-Campinas lançou nesta segunda-feira (17), em parceria com a Prefeitura de Campinas, a Campanha “Abrace essa Causa”, que faz parte do “Programa Antirracista pela Cor do Esporte”, criado pelo CEAAB (Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Dra. Nicéa Quintino Amauro), da PUC-Campinas. A iniciativa também conta com a participação de parceiros importantes, como Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Guarani e Ponte Preta.

“Essa campanha não é da Prefeitura, mas de toda a sociedade. Ela é fundamental para combater esse mal que é o racismo”, disse o prefeito Dário Saadi. “Combater o racismo é obrigação e dever de todos”, completou.

O Reitor da PUC-Campinas, Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior, destacou a relevância da iniciativa e seu alinhamento com o compromisso da Universidade no combate ao racismo. “Esta é mais uma frente de atuação que se soma às ações já desenvolvidas pelo Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Doutora Nicéa Quintino Amauro, que tem protagonizado iniciativas fundamentais de letramento racial e promoção do diálogo sobre racismo em nossa comunidade acadêmica”, afirmou. O Reitor enfatizou que o enfrentamento ao racismo é uma pauta urgente. “O racismo impregna o tecido social e, por isso, iniciativas como esta são fundamentais. A parceria entre a Universidade, a Prefeitura Municipal, clubes esportivos, como nosso parceiro o Vôlei Renata, e demais instituições fortalece nossa capacidade de promover transformações concretas, levando essa causa para além dos muros da academia e alcançando diferentes espaços da sociedade.”

A Campanha

Um dos destaques da campanha é o comprometimento dos clubes de Campinas de que pelo menos 30% das crianças que entram com os jogadores nos jogos (os mascotes) sejam negras. “A iniciativa também traz uma cartilha sobre crimes de racismo e injúria racial. Ela vem ao encontro da luta do Centro de Estudos, que é o conhecimento, mas também o respeito dos negros e das negras que estão aqui nesse Brasil lutando, tentando ter acesso não só ao esporte, mas também à universidade, ao conhecimento”, disse a comendadora Edna de Almeida Lourenço, coordenadora do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros.

Outro ponto importante do lançamento da campanha foi a criação de um e-mail do Ministério Público, o acordoesporte@mpsp.mp.br, para denúncias de racismo. Representando o órgão, a promotora Cristiane Hilal falou sobre a importância da campanha para a cidade. “Falar sobre racismo, e não só esse racismo do xingamento, da ofensa, mas também o racismo estrutural, o racismo institucional, é algo muito importante para nós”, disse. “Claro que já há canais de denúncia normais, que as pessoas podem falar sobre situações de racismo, mas esse e-mail visa facilitar e acelerar o acesso das pessoas ao serviço que o Ministério Público presta”, completou.

Os clubes de Campinas, Guarani e Ponte Preta, deixaram de lado a rivalidade dentro de campo para seguirem juntos nessa luta comum. “Infelizmente, em pleno século 21, nós temos que levantar essa causa. Mas nós estamos dispostos a continuar combatendo o racismo, porque é um absurdo termos diferenças em função de cor de pele”, disse o presidente do Guarani, Rômulo Amaro.  Jerônimo Tognolo Neto, representando a Ponte Preta, disse ser uma grande honra participar da campanha. “Já temos feito um trabalho contra o racismo, inclusive com a nossa diretoria de inclusão social, além disso, nosso time principal hoje tem em torno de 40% dos jogadores negros”, disse.

Vídeo

A campanha também trouxe um vídeo que carrega o apoio de vários atletas, ex-atletas e profissionais do meio, abraçando também a luta necessária nos dias atuais. No vídeo, deixam seu apoio à campanha: Aretha Duarte, montanhista que escalou o Evereste;  Renato, ex-jogador de futebol;  Monga, ex-jogador de futebol;  Maurício Lima, bicampeão olímpico de vôlei;  Aranha, ex-goleiro e ativista antirracista;  André Heller, campeão olímpico de vôlei em Atenas;  Vanderlei Cordeiro de Lima, maratonista medalhista olímpico em Atenas;  Marcelinho Machado, ex-jogador de basquete;  Bruninho, campeão olímpico e jogador do Vôlei Renata;  Vitor Benite, campeão pan-americano de basquete;  Vinícius Furlan, árbitro de futebol e Secretário de Esportes de Santa Bárbara d’Oeste;  João Paulo, ex-atacante da Seleção Brasileira;  Karla Cristina Martins Costa, ex-jogadora da Seleção Brasileira de Basquete;  Elano Blumer, ex-jogador da Seleção Brasileira de Futebol;  Elzo Coelho, ex-jogador da Seleção Brasileira; e Gléguer, ex-goleiro.

Maurício Lima, bicampeão olímpico e embaixador do Vôlei Renata ressaltou a importância da iniciativa. “É uma honra muito grande para o Vôlei Renata participar desta ação. É inadmissível que no século 21 ainda tenha racismo no esporte. Temos, junto com a sociedade, o dever de combater ações racistas”, disse.

Também participaram do evento o secretário de Esporte e Lazer, Fernando Vanin, a presidente do Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra, Marcela Reis, o coordenador da Taça das Favelas, James Eugênio, e secretários e secretárias municipais.  Pela PUC-Campinas, estiveram presentes docentes que também participam da iniciativa.



Carlos Giacomeli
17 de novembro de 2025