
Aluna da PUC-Campinas apresenta pesquisa sobre HIV/AIDS em conferência internacional no Rio de Janeiro
Trabalho avaliou o conhecimento de universitários sobre o conceito U=U (indetectável=Intransmissível) e mostrou impacto de uma ação educativa na compreensão sobre o tema
A aluna Karen Ferreira Gomes, do curso de Medicina da PUC-Campinas, participou da AIDS 2026 – 26th International AIDS Conference, realizada no Rio de Janeiro, e apresentou uma pesquisa sobre o conhecimento de estudantes universitários brasileiros a respeito do conceito U=U (sigla em inglês para Indetectável = Intransmissível). Considerada a maior conferência internacional sobre HIV/AIDS, a programação reuniu pesquisadores, profissionais de saúde, estudantes e representantes de comunidades envolvidas historicamente na resposta à epidemia.
O trabalho “From Campus to Curriculum: A Student-Led Initiative at PUC-Campinas Mapping the Path to Integrate U=U into Health Education” apresentado por Karen, primeira autora da pesquisa, foi desenvolvido no âmbito do Braço Acadêmico de Infectologia da PUC-Campinas e contou também com a participação das estudantes Isabel Montagner Pinto Ricardo, Monize Lauren Ignácio Ramos e Flávia Frugoli Ramos, sob orientação do Prof. Dr. Marcelo Neubauer.

Alunas participantes da pesquisa
A pesquisa teve como objetivo compreender o quanto estudantes universitários conheciam a estratégia U=U, considerada um dos pilares da prevenção combinada ao HIV e uma importante ferramenta para a redução do estigma relacionado às pessoas que vivem com o vírus.
Nos dias atuais, o tratamento antirretroviral (TARV) de forma contínua e correta é altamente eficaz na redução da transmissão do HIV. Quando uma pessoa vivendo com a doença alcança a carga viral indetectável, redução provocada pelo tratamento, o vírus deixa de ser transmitido em relações sexuais, segundo estudos recentes.
Segundo Karen, a escolha do tema partiu da percepção de que o conhecimento sobre U=U é relevante para a formação de todos os futuros profissionais da saúde, e não apenas daqueles que pretendem seguir a área de Infectologia. “A pesquisa surgiu no contexto de analisarmos o quanto os estudantes universitários conheciam o conceito I=I, que é muito importante não só para quem vai ser infectologista, mas para todos, visto que ajuda a combater o estigma contra as pessoas vivendo com HIV, que infelizmente persiste hoje ainda.”
Os resultados apontaram lacunas importantes no conhecimento dos estudantes. Ao mesmo tempo, demonstraram que uma intervenção educativa simples pode produzir mudanças significativas na compreensão sobre o tema. Antes da ação, 14% dos participantes não conheciam ou não compreendiam o conceito U=U. Após a intervenção, esse percentual caiu, com 88% dos estudantes demonstrando entendimento sobre a estratégia.
Para Karen, os resultados reforçam o potencial de iniciativas educativas acessíveis para ampliar o conhecimento sobre HIV e contribuir para o enfrentamento do estigma. “Gostaria de destacar como ações simples como a nossa podem fazer o conhecimento chegar às pessoas. Saímos de 14% dos estudantes que não entendiam ou conheciam o conceito para 88% de entendimento com um simples textinho.”
Experiência internacional
A participação na AIDS 2026 também representou uma experiência significativa na formação acadêmica das estudantes. A seleção para apresentação de trabalhos na conferência é competitiva e possibilitou às alunas da PUC-Campinas compartilhar o espaço com pesquisadores e profissionais de diferentes países.
Karen destaca a dimensão da experiência de apresentar a pesquisa em um evento dessa proporção. “A seleção é muito competitiva, já que é a maior conferência de AIDS do mundo. Eu apresentei ao lado de uma doutora da Universidade John Hopkins que veio apresentar sua tese de doutorado. Além disso, tinham pesquisadores de todo mundo, profissionais médicos já formados e atuantes… ficamos muito lisonjeados de sermos estudantes e dividir o mesmo espaço que eles!”
Além da apresentação do trabalho científico, a estudante participou da conferência como voluntária e foi entrevistada pela Prevention Ambassador da International AIDS Society (IAS), Doreen Moracha, e pela Agência Aids. Nas oportunidades, compartilhou reflexões sobre educação em saúde, combate ao estigma e a importância da divulgação científica para a resposta ao HIV/AIDS.
Para ela, a conferência também ampliou a compreensão sobre o papel dos profissionais da saúde. A presença de comunidades que historicamente protagonizaram a luta contra o HIV/AIDS foi, segundo ela, um dos aspectos mais marcantes da experiência. “Acredito que foi muito importante para mim, porque não foi apenas um evento científico, mas também havia comunidades que historicamente protagonizaram a luta contra o HIV/AIDS, comunidades que muitas vezes estão à margem da sociedade, e estavam lá como protagonistas. Acredito que ser médico não é apenas o tratamento medicamentoso, mas principalmente respeitar a humanidade das pessoas.”
Próximos passos
A apresentação na AIDS 2026 é vista pelas estudantes como uma etapa de um projeto que pode ser ampliado. A proposta é dar continuidade à pesquisa, coletando novos dados e ampliando a análise para que os resultados possam ser apresentados em futuras edições da conferência.
O Braço Acadêmico de Infectologia da PUC-Campinas também pretende levar trabalhos para outros congressos internacionais, entre eles o CROI (Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections). “Foi uma honra representar a PUC-Campinas no maior congresso de AIDS do mundo”, destaca Karen, que vê na experiência uma oportunidade de fortalecer a formação científica e ampliar a contribuição das estudantes para a educação em saúde e para o enfrentamento do HIV/AIDS.
