
Fórum da Campanha da Fraternidade promove diálogo sobre territórios vulnerabilizados
2ª ação do Fórum reuniu comunidade do Campo Belo, docentes e estudantes para refletir sobre os desafios do território e as possibilidades de atuação conjunta
A PUC-Campinas promoveu, no dia 16 de setembro, no Campus I, a segunda ação do Fórum da Campanha da Fraternidade 2026, ampliando o diálogo entre a Universidade e a comunidade do Campo Belo.
A atividade reuniu docentes, estudantes e representantes da comunidade para um momento de escuta, reflexão e diálogo sobre os desafios enfrentados em territórios vulnerabilizados e sobre as possibilidades de construção conjunta de iniciativas que contribuam para a transformação dessas realidades.
A programação teve início no Espaço Tamurá-Convivência e seguiu para a Cave do Manacás, onde foram exibidos documentários produzidos por docentes e estudantes da Universidade a partir de experiências desenvolvidas no Campo Belo. Na sequência, uma roda de conversa aproximou a comunidade universitária das lideranças do território, colocando em debate questões relacionadas às condições de vida, aos direitos básicos e às oportunidades para crianças, jovens e adultos.
Para o Coordenador do Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas, Prof. Dr. Pe. Matheus da Silva Bernardes, a iniciativa parte de uma compreensão de que a relação entre Universidade e comunidade deve ser construída de forma horizontal, a partir da escuta das demandas reais do território.
“Quando falamos de territórios vulnerabilizados, estamos falando de lugares onde muitas vezes faltam direitos básicos, como saneamento, água potável, energia elétrica, transporte, educação e saúde. Por isso, a Universidade não pode simplesmente chegar com uma proposta pronta. É preciso ouvir quem vive essa realidade, acolher seus saberes e, a partir desse diálogo, construir conjuntamente possibilidades de transformação. A Universidade tem, sim, algo a contribuir, mas também tem muito a receber. Quando esses saberes chegam até aqui, eles sensibilizam a comunidade acadêmica e nos ajudam a compreender melhor uma realidade que não pode ser ignorada”, afirmou.
Cinema como espaço para sonhar
Entre os trabalhos apresentados durante a atividade esteve o projeto “Filmes-Cartas”, desenvolvido pelo Curso de Cinema e Audiovisual da PUC-Campinas por meio de um projeto de extensão.
A iniciativa, realizada na Escola Estadual Celeste Palandi de Mello, no Campo Belo, envolveu cerca de 20 estudantes, em sua maioria do 9º ano, além de alunos do Ensino Médio. Ao longo de um ciclo de oficinas conduzido por estudantes do curso de Cinema e Audiovisual, os participantes foram convidados a refletir sobre seus sonhos e sobre o próprio direito de sonhar.
A proposta utilizou a linguagem audiovisual para transformar esses sonhos em cartas-filmes. Os estudantes assumiram a direção de suas próprias produções, escrevendo e narrando cartas destinadas a familiares, a si mesmos ou a diferentes personagens, enquanto trabalhavam aspectos relacionados à imagem e ao som.
Para o Coordenador do Curso de Cinema e Audiovisual, Prof. Dr. Caio de Salvi Lazaneo, a experiência mostrou como a extensão pode criar espaços para que jovens de territórios vulnerabilizados expressem seus desejos e perspectivas de futuro.
“Muitos desses jovens têm sonhos e projeções para o futuro, mas encontram desafios muito maiores para construir os caminhos que os levem até eles. Quando a Universidade chega ao território para ouvir, construir junto e criar oportunidades de expressão, conhecimento e formação, ela ajuda a transformar um pouco a realidade dessas pessoas. E, ao mesmo tempo, também se transforma, porque aprende com os sujeitos e com as experiências daquele território”, ressaltou.
Construção de possibilidades
A segunda ação do Fórum da Campanha da Fraternidade reforçou a proposta de aproximar Ensino, Pesquisa e Extensão das experiências concretas vividas pela sociedade. Ao colocar moradores do Campo Belo, estudantes e professores no mesmo espaço de diálogo, a atividade buscou não apenas apresentar trabalhos desenvolvidos pela Universidade, mas também criar condições para que novas iniciativas possam surgir a partir das necessidades identificadas pela própria comunidade.
Para a representante do Campo Belo, Silene Cardozo dos Santos Souza, a aproximação com a Universidade representa uma oportunidade concreta para moradores que têm pouco acesso a iniciativas de formação, cultura, esporte e desenvolvimento pessoal.
“Para quem vive no Campo Belo, esses projetos representam uma possibilidade muito grande. Muitas vezes, além da escola e da creche, são poucas as alternativas disponíveis. Quando a Universidade estabelece essa ligação com a comunidade, ela abre um universo de possibilidades para crianças, jovens, adultos e idosos. Já tivemos projetos que fizeram mulheres que quase não se olhavam no espelho se enxergarem de outra maneira. Isso mostra que pequenas ações podem produzir mudanças importantes na forma como as pessoas percebem a si mesmas e o lugar que ocupam”, relatou.
O Fórum da Campanha da Fraternidade
A atividade integra a programação do Fórum da Campanha da Fraternidade 2026, realizado no contexto das comemorações dos 85 anos da PUC-Campinas. Organizado pelo Núcleo de Fé e Cultura, pela Pastoral Universitária, pela Coordenadoria de Assistência à Comunidade Interna (CACI) e pela Faculdade de Teologia, o Fórum está estruturado em três eixos temáticos: moradores em situação de rua, territórios vulnerabilizados e déficit habitacional.









