
PUC-Campinas, FEAC e Fundação Educar celebram avanços da Coalizão pelo Impacto
Encontro marcou os cinco primeiros anos da iniciativa e discutiu a continuidade do fortalecimento do ecossistema de empreendedorismo de impacto em Campinas
A FEAC, a PUC-Campinas e a Fundação Educar reuniram, na terça-feira (15), na Casa Figueira, investidores, parceiros, correalizadores da Coalizão pelo Impacto e lideranças do ecossistema de inovação e empreendedorismo de Campinas para celebrar os avanços alcançados ao longo dos cinco anos do primeiro ciclo da iniciativa. A agenda promoveu uma reflexão sobre os próximos passos para o desenvolvimento de negócios de impacto positivo.
A programação contou com a participação da PUC-Campinas, que abordou o alinhamento e as iniciativas no ensino, pesquisa e extensão; do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), organização que oferece apoio estratégico à Coalizão; e da Fundação Educar, que também promoveu no evento uma degustação de cafés Daterra e Abigail.
O vice-reitor da PUC-Campinas, Prof. Dr. Ricardo Luís de Freitas, ressaltou a convergência entre os objetivos da Coalizão e a missão institucional da Universidade, especialmente no desenvolvimento de ações que articulam conhecimento, responsabilidade social e impacto positivo.
A Coalizão pelo Impacto busca estimular negócios que sejam economicamente viáveis e, ao mesmo tempo, tenham um impacto social e ambiental. Quando imaginamos toda a nossa força em ensino, pesquisa e extensão, existe um alinhamento muito forte
Para o vice-reitor, a atuação conjunta entre diferentes setores é essencial para ampliar os resultados das iniciativas. “Uma coisa é realidade: sozinhos não conseguimos. Nós precisamos dessa parceria, precisamos de todos vocês colaborando conosco, trocando experiências para enriquecer a nossa Universidade”, destacou.
A Profa. Dra. Camila Brasil Gonçalves Campos, coordenadora do Departamento de Relações Externas (DRE) da Universidade reforçou a questão da ajuda conjunta para atuar na sociedade. “Os problemas complexos da sociedade só poderão ser resolvidos em rede, com colaboração de múltiplos atores”, afirmou.
Um ecossistema conectado e com visão de longo prazo
O presidente da FEAC, Renato Nahas, destacou que Campinas reúne condições para fortalecer uma vocação já existente na área de inovação e negócios de impacto. Segundo ele, a Coalizão contribuiu para conectar universidades, empreendedores, empresas e outros atores em torno de uma perspectiva de desenvolvimento integrada.
“O que a Coalizão traz de diferente é uma nova perspectiva. A ideia é criar um ecossistema numa cidade conectada com outros ecossistemas, que aprendem experiências locais, mas sempre conectados também em compartilhar experiências nacionais”, explicou.
Quando a gente tem uma jornada muito longa, é importante, em alguns momentos, parar, celebrar, olhar para trás. E, naturalmente, existem todos os olhos abertos para o que virá
A diretora-presidente do ICE, Luiza Camargo Nascimento, reforçou a necessidade de continuidade e de articulação entre os diferentes atores envolvidos. “Estamos aqui para celebrar o final deste ciclo, mas que não é o final dessa jornada, porque sabemos que, se quisermos ajudar e contribuir para o ecossistema de empreendedorismo de impacto, temos de ter uma visão de longo prazo”, disse.
Participação da periferia e fortalecimento das conexões
A presença de organizações da sociedade civil que atuam diretamente nos territórios foi destacada por Jefferson Rodrigues, diretor-presidente da Ozipa Criativa e integrante da Coalizão pelo Impacto. Com atuação no Parque Oziel, a organização contribui para aproximar as discussões sobre empreendedorismo de impacto das populações que vivem nas periferias.
“Estar dentro da Coalizão pelo Impacto nesses cinco anos é também entender que a periferia também faz parte dessa tomada de decisão. Então estamos ali junto, pensando e estruturando, porque sabemos que lá na ponta a grande maioria das pessoas que vão ser afetadas positivamente com tudo isso são as pessoas da periferia”, afirmou.
Hoje temos a iniciativa privada, as organizações da sociedade civil, o poder público. Então é muito importante para nós entender que tem diversos atores, diversos jeitos de fazer e nós faz parte desse ecossistema
Para Isabela Paschoal Becker, diretora de Sustentabilidade da Fundação Educar, a Coalizão possibilitou a aplicação de metodologias de desenvolvimento de ecossistemas de impacto em uma cidade com forte presença de universidades, empresas e iniciativas de empreendedorismo.
“A ideia da Coalizão foi exatamente essa: o ICE tinha toda uma metodologia de desenvolvimento de ecossistema de impacto, de espalhar isso pelo Brasil. E Campinas não podia ser uma cidade que não estivesse dentro dessas cidades escolhidas”, afirmou.
Quando falamos de ecossistema, existem muitos atores. Tem as organizações estruturantes, as fundações, as startups. E se você não tem uma metodologia para unir tudo isso de uma forma estruturada, isso fica espalhado e aí você não consegue realizar
Campinas Innovation Week
Também nesta terça-feira, a Coalizão pelo Impacto participou do Campinas Innovation Week (CIW 2026), com um encontro para celebrar a trajetória construída pela iniciativa no município e apresentar os caminhos que irão orientar sua atuação até 2030. O evento reuniu representantes do ecossistema de impacto de Campinas com o tema “Estratégias e rotas de desenvolvimento para uma economia de impacto socioambiental positivo: Comitê Municipal da Estratégia de Economia de Impacto de Campinas”.
Resultados e avanços no ecossistema de impacto
Entre 2022 e julho de 2026, 119 negócios foram apoiados por diferentes iniciativas ligadas à Coalizão pelo Impacto Campinas. No período, foram destinados R$ 2,3 milhões para a implementação de ações diretas na cidade, enquanto outros R$ 7,6 milhões em capitais foram destravados.
A agenda também avançou no ambiente acadêmico. Em 2025, foram 40 professores mobilizados, 15 formados e sete cursos mapeados, enquanto cerca de 4.800 estudantes participaram de cursos relacionados à temática de impacto.
No campo institucional, um dos principais avanços ocorreu em abril de 2026, com a publicação do Decreto Municipal nº 24.393, que instituiu a Estratégia Municipal de Economia de Impacto Socioambiental Positiva e criou o Comitê Municipal responsável por articular sua implementação. Campinas foi a primeira cidade não capital do Brasil a instituir uma estratégia municipal dessa natureza.
Nacionalmente, a Coalizão reúne 12 organizações: Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), Instituto Helda Gerdau, Instituto Itaúsa, Somos UM, Cosan, Fundação Educar, Fundação FEAC, Fundação Grupo Boticário, Instituto Beja, Instituto Humanize, Instituto Sabin e RD Saúde.
Até julho de 2026, 865 negócios haviam recebido apoio técnico ou participado de programas financiados pela Coalizão, superando a meta inicial de 600 negócios. Também foram mapeados R$ 83,9 milhões em investimentos públicos e privados destinados a negócios de impacto e R$ 6,3 milhões mobilizados para organizações dinamizadoras.






