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Entrelinhas 2026 reúne arte, arquitetura, design e cultura em programação integrada na PUC-Campinas

Evento promovido pela Escola de Arquitetura, Artes e Design (EAAD) aproximou diferentes linguagens e destacou a relação entre criação, território, identidade e transformação social

A PUC-Campinas recebeu, entre os dias 25 e 27 de agosto, o Entrelinhas 2026, evento promovido pela Escola de Arquitetura, Artes e Design (EAAD) que reuniu estudantes, professores, pesquisadores, profissionais e representantes do setor cultural em uma programação voltada ao diálogo entre diferentes áreas da criação. Com o tema “Brasis: Culturas e Territórios”, o encontro promoveu palestras, oficinas, seminários, exposições e manifestações culturais ao longo de três dias.

A programação foi organizada a partir da integração entre os cursos e áreas que compõem a EAAD, reunindo quatro frentes: Semana do Design, Jornada da FAU, Jornada das Artes Visuais e Jornada da Geo. A proposta foi criar espaços de encontro entre diferentes campos do conhecimento, permitindo que estudantes e docentes ampliassem seus repertórios a partir do contato com outras linguagens e perspectivas.

Momento cultural

Na abertura, o público pode acompanhar uma Roda de Jongo, manifestação cultural que trouxe para o ambiente universitário discussões sobre ancestralidade, memória e contribuição da população negra para a formação social e cultural. A apresentação contou com a participação dos estudantes.

A participação foi destacada pela comendadora Edna de Almeida Lourenço, coordenadora do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Dra. Nicéa Quintino Amauro (CEAAB), que ressaltou a importância de iniciativas que aproximam a universidade das manifestações e dos saberes da população negra.

Ao falar sobre as mulheres que participaram da roda de Jongo, Edna estabeleceu uma relação entre a ancestralidade e as conquistas contemporâneas. Segundo ela, mulheres que historicamente encontravam no Jongo uma forma de enfrentar dores e dificuldades hoje ocupam espaços acadêmicos e profissionais.

“Hoje nós estamos na PUC-Campinas, o Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros, construindo uma transversalidade com todas as faculdades. Isso é de uma riqueza íntima”, afirmou.

Abertura

Na abertura do evento, o decano da EAAD, Prof. Me. Fábio de Almeida Muzetti, destacou que a criação precisa estar acompanhada de sensibilidade, responsabilidade e atenção aos territórios e às pessoas envolvidas nos processos de transformação.

“Essas perguntas não servem para paralisar a criação, pelo contrário, elas tornam a criação mais consciente, relevante e transformadora”, afirmou. Para o professor, os desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas, as desigualdades sociais e as rápidas transformações tecnológicas, exigem profissionais capazes de conectar conhecimento, criatividade e responsabilidade social.

Muzetti também ressaltou que a formação não deve se limitar ao domínio de ferramentas ou técnicas. “Nenhuma ferramenta substitui a sensibilidade. Nenhuma tecnologia substitui a capacidade de escutar”, afirmou.

A reflexão esteve diretamente relacionada ao próprio conceito do Entrelinhas: aproximar áreas diferentes sem apagar suas especificidades. A ideia também foi reforçada pelo representante do CULTSP PRO – Escolas de Profissionais da Cultura, Sérgio de Azevedo, gerente geral de Formação do programa.

Em sua participação, Azevedo apresentou a trajetória do CULTSP PRO e destacou que a proposta de reunir diferentes áreas de formação cultural parte justamente da compreensão de que elas podem compartilhar conhecimentos e experiências. “Não é para essas áreas se apagarem, é para elas compartilharem juntas”, explicou.

A parceria entre a PUC-Campinas e o CULTSP PRO foi um dos elementos que ampliaram o alcance da programação. O programa, vinculado à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e gerido pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), atua na formação de profissionais em diferentes áreas da cultura e da economia criativa.

Para Azevedo, a aproximação entre instituições de formação é importante para ampliar a circulação de conhecimentos e experiências. “Nosso desejo de estar aqui enquanto programa é justamente de nos aproximarmos de outros centros de formação”, afirmou.

Palestras

As primeiras palestras realizadas foram de Ana Clara de Melo e Hanayrá Negreiros, que abordaram o tema de identidades, cultura popular e territorialidades na moda brasileira.

 

Diferentes olhares sobre os Brasis

Ao longo da programação, o tema “Brasis: Culturas e Territórios” foi explorado a partir de diferentes perspectivas. Moda, arquitetura, artes visuais, design, geografia, patrimônio, cultura popular, tecnologia e saberes tradicionais estiveram entre os campos mobilizados pelas atividades.

Confira aqui a programação realizada

Entre os encontros realizados estiveram discussões sobre identidades e territorialidades na moda brasileira, arquitetura, relações socioespaciais, cartografia negra, moda e resistência, patrimônio cultural, cultura digital, saberes indígenas, jogos brasileiros, design de figurinos, empreendedorismo e processos criativos.

A diversidade de temas reforçou a proposta de colocar diferentes áreas em diálogo e permitir que os estudantes observassem seus próprios campos de formação a partir de outras perspectivas.



Carlos Giacomeli
28 de agosto de 2026

/* CONTEUDO PROGRAMATICO*/