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Cine Tapajós premia curtas-metragens desenvolvidos por alunos ingressantes do Curso de Cinema e Audiovisual

A proposta foi incentivar a produção estudantil, promover a integração entre turmas e valorizar os trabalhos desenvolvidos ao longo do semestre

O espaço Tamurá recebeu, nesta quarta-feira, dia 17 de junho, o Festival Cine Tapajós. O evento, promovido pelo Curso de Cinema e Audiovisual, premiou os curtas-metragens desenvolvidos por estudantes do primeiro e segundo semestres. A proposta foi incentivar a produção audiovisual estudantil, promover a integração entre turmas e valorizar os trabalhos realizados ao longo do semestre. A abertura do evento contou com a apresentação da banda 100 Neura.

Os alunos e alunas concorreram em sete categorias: “Melhor Roteiro”, “Melhor Fotografia”, “Melhor Trilha Sonora”, “Melhor Montagem”, “Melhor Direção”, “Melhor Direção de Arte” e “Curta do Semestre”. Os estudantes veteranos do terceiro período e os professores do curso atuaram como o júri da competição.

Curtas premiados
O curta “Narciso”, que relata a história de dois irmãos que refletem sobre a vida após a morte e a visão de uma criança sobre o luto, foi o grande vencedor do festival, vencendo nas categorias de “Melhor Roteiro”, “Melhor Fotografia”, “Melhor Direção” e “Curta do Semestre”. A equipe que o desenvolveu foi composta por Caroliny Santos Andrade, Emilly Diani Zumerle do Valle, Gustavo Ghiraldello Fidalgo Figueira, Henrique Alotti da Silva, Julia Alves Ribeiro, Julia Caroline Michelon Sampaio, Luiz Felipe Martins e Richard Quinhones.

“A Carteira”, que apresenta a história de um advogado, bastante endividado e com um casamento em crise, que encontra uma carteira cheia de dinheiro em uma praça e entra em um dilema moral, foi o segundo grande vencedor do evento, conseguindo os prêmios de “Melhor Montagem” e “Melhor Direção de Arte”. A equipe que o produziu foi composta pelos alunos Diego Faleiros Lopes Acosta, Joaquim Monteiro Marques de Magalhães, Lucas Godinho Credidio Carvalho, Murillo de Souza Germer de Lima, Nicolas Cruz Firmo de Godoi, Pedro Henrique Fernandes Felix e Victória Passarelli Juliatti.

Completa o rol de premiados, “Flores são para os Mortos”, que venceu na categoria “Melhor Trilha Sonora”, e foi realizado por Aurora Polli Cordeiro, Catherine Bueno Perez, Diego Nardin Campos Vicentin, Guilherme Álvaro de Oliveira Vicente, Íris Zanvettor Ferreira Garcia, Isabely de Souza Henkes e Julia Baldovinotti.

Além dos três vencedores, também concorreram os curtas “Entre Instantes”, de Amanda Reis Hugler, Anna Beatrix dos Santos Santana, Debora Maneira Knittel, Fernando Bueno Forquesato, Maria Fernanda Messi de Mattos, Miguel Bulhões Liza e Nicole Olivieri Duboc, e “A Voz do Depois”, realizado por Arthur Vieira Stella Silva, Giovanna Paula Franco da Silva, Helena Moralles Alves Bergo, Henrick Romeo, Laura Benites Goncalves e Maria Clara Mayer Cristofoli.

Para assistir aos curtas, basta clicar no nome de cada um deles abaixo.

Entre Instantes  A Carteira  A Voz do Depois  Flores são para os Mortos  Narciso

Deixando um legado para aqueles que estão ingressando agora
Para o decano da Escola de Linguagem e Comunicação (ELC), Prof. Me. Carlos Eduardo Pizzolatto, o fato de o festival ter sido concebido e organizado pelos próprios estudantes do Curso de Cinema e Audiovisual demonstra o amadurecimento da primeira geração de alunos e alunas e a sua disposição em deixar um legado para aqueles que estão ingressando agora. “Ao promover a exibição dos trabalhos desenvolvidos pelos estudantes do primeiro e segundo semestres e envolver os alunos e alunas do terceiro semestre na composição do júri, o Cine Tapajós fortaleceu os laços entre as diferentes turmas e contribuiu para a consolidação da identidade do curso”, esclarece o decano.

Da esquerda para a direita, a Profa. Dra. Juliana Sangion; o coordenador do Curso de Cinema e Audiovisual, Prof. Dr. Caio de Salvi Lazaneo; o decano da Escola de Linguagem e Comunicação (ELC), Prof. Me. Carlos Eduardo Pizzolatto; a Profa. Dra. Gabriela Strafacci Orosco; o Prof. Dr. João Paulo Lopes de Meira Hergesel; e o aluno criador do Cine Tapajós, Matheus Andrade.

Ele continua dizendo que a realização do Cine Tapajós no espaço Tamurá também reforça a vocação desse ambiente “como lugar de encontro, diálogo, convivência e compartilhamento de experiências entre os diversos segmentos da comunidade universitária. O evento transformou o espaço em um palco para a criatividade, a expressão artística e a formação cultural”.

“Eu parabenizo a todos os estudantes envolvidos na organização, os participantes, os docentes que acompanharam o desenvolvimento dos trabalhos e a coordenação do Curso de Cinema e Audiovisual, pois iniciativas como esta reafirmam a excelência da formação oferecida pela PUC-Campinas e demonstram que a universidade é, sobretudo, um espaço de criação, experimentação, aprendizagem e construção coletiva do conhecimento”, ressalta Pizzolatto.

Processo típico da carreira de quem opta trabalhar com cinema
De acordo com o coordenador do Curso de Cinema e Audiovisual, Prof. Dr. Caio de Salvi Lazaneo, a realização de eventos como o Cine Tapajós “é uma possibilidade de experienciar uma prática que é absolutamente comum dentro do universo da profissão de cinema, que é esse tipo de curadoria, cuidado, seleção, e é um prazer imenso realizar algo assim, porque, festivais são eventos que acontecem, muitas vezes, na vida de profissionais da área. É um processo típico da carreira de quem opta por cinema”.

Caio ressalta que “no Curso de Cinema e Audiovisual da PUC-Campinas existe algo muito bom, que é o fato de que os nossos estudantes são muito inquietos, criativos, inventivos, e foram dois alunos que deram a ideia de se fazer o festival, que procuraram a coordenação e propuseram, no começo do semestre, a ideia de acolher os calouros, recepcioná-los e criar um júri popular com os veteranos para que pudessem eleger as melhores produções nas diferentes áreas. Além disso, foi proposta essa homenagem ao cineasta Renato Tapajós, que é uma figura importantíssima do cinema brasileiro, que, embora paraense, conta com uma parte imensa de sua produção e de sua vida na cidade de Campinas, possuindo uma relação muito afetiva com o município, Como os alunos e alunas estudam o cinema brasileiro, eles sabem da importância de Renato Tapajós”.

De acordo com o coordenador do Curso de Cinema e Audiovisual, Prof. Dr. Caio de Salvi Lazaneo, a realização de eventos como o Cine Tapajós “é uma possibilidade de experienciar uma prática que é absolutamente comum dentro do universo da profissão de cinema, que é esse tipo de curadoria, cuidado, seleção, e é um prazer imenso realizar algo assim, porque, festivais são eventos que acontecem, muitas vezes, na vida de profissionais da área. É um processo típico da carreira de quem opta por cinema”.

Ele continua dizendo “que o cinema brasileiro contemporâneo, recente, tem conseguido diversificar mais a  sua produção, centrando-a menos nos núcleos tradicionais, habituais, Rio-São Paulo, mostrando mais o interior do país, como Renato sempre fez, e essa valorização de figuras muito importantes da história do cinema brasileiro, homenageadas em vida, com toda a honra, com toda a justa homenagem que merecem, é algo importante e uma tradição no sentido de se pensar o próprio cinema que a gente faz e para os estudantes isso é ótimo para que eles possam, desde o começo, pensar o que é ser um cineasta no Brasil.

Baseados em contos da literatura brasileira
Todos os curtas-metragens foram baseados em contos da literatura brasileira. Caio lembra que “a gente fez a leitura em conjunto, analisamos do ponto de vista dramático, narrativo, as histórias por trás daqueles contos, as suas personagens, e aí decidimos livremente quais dos cinco contos adaptar. Mas, a questão mais importante sempre foi a relação entre cinema e literatura, mais especificamente, entre cinema brasileiro e literatura brasileira, o que, do ponto de vista do roteiro e da linguagem cinematográfica, é fundamental e os alunos e alunas trabalharam muito nisso ao longo do semestre”.

“Ao final, o Cine Tapajós foi uma surpresa muito boa, porque, nós, professores, acompanhamos todo o processo, mas, só vimos a versão final do que foi feito no dia da banca e nós saímos desta última banca muito felizes, porque o resultado foi realmente muito potente, porque uma coisa é uma obra literária e a outra é a imaginação, o ímpeto criativo desses estudantes, que criaram coisas novas, alguns mais fiéis, mais diretamente inspirados, outros muito livres, mas todos de modo muito bonito e isso é um baita de um desafio”, esclarece o coordenador.

Caio lembra que, adiante, os alunos e alunas ingressantes terão de compor também um roteiro totalmente original. “E que eles não parem só no Cine Tapajós, mas que possam fazer outras mostras, outros cursos livres, projetos de extensão, porque eu tenho certeza que o que, de fato, é o mais importante, é a dimensão social que o cinema pode alcançar”, finaliza.

Um dos criadores e organizadores do Cine Tapajós, o aluno Matheus Andrade, explica que o Cine Tapajós “é algo que vem do coração e que a gente queria deixar pro nosso curso, pra que vire uma tradição, e eu espero que, a partir de agora, ele seja melhorado e cresça cada vez mais, junto com o próprio curso, porque a cada ano que passa, este tem crescido cada vez mais e mais também”.

Integrando veteranos e calouros
Um dos criadores e organizadores do Cine Tapajós, o aluno Matheus Andrade, diz acreditar que o mais importante na realização do evento foi a troca que os veteranos puderam realizar com os calouros, pois, “no começo, quando a gente entrou na Universidade, minha turma e eu não contávamos com veteranos, pois éramos da primeira turma do curso, e nós percebemos como era difícil cursar algo e não ter a quem perguntar, se apoiar, comparar e, apesar de os professores estarem conosco o tempo todo, nada melhor do que poder contar com alguém igual a gente, que já passou por determinadas situações pelas quais nós também estamos passando ou ainda passaremos, então, esse evento foi criado no sentido de integrar os veteranos e os calouros, pra que pudéssemos trocar aprendizados”.

Sobre o júri
Sobre o júri, Matheus explica que, a princípio, ele era composto por todos os alunos veteranos, porém, como muitas das categorias contaram com empate entre as obras, os professores todos do curso foram inseridos no circuito para votarem e, consequentemente, tentarem desempatar a disputa.

Ainda segundo ele, os critérios utilizados para a avaliação dos curtas não foram taxativos, sendo uma escolha de cada um dos votantes sobre qual seria o melhor, mas lembra que a questão do esforço é algo que foi muito levado em conta, “porque no cinema, querendo ou não, tudo é trabalho. É uma atividade que tem de ser desenvolvida em grupo, pois é um trabalho realizado a muitas mãos e é isso o que faz o cinema acontecer”.

“O Cine Tapajós é algo que vem do coração e que a gente queria deixar pro nosso curso, pra que vire uma tradição, e eu espero que, a partir de agora, ele seja melhorado e cresça cada vez mais, junto com o próprio curso, porque a cada ano que passa, este tem crescido cada vez mais e mais também”, encerra Matheus.

A também criadora e organizadora do evento, Ana Luiza de Andrade Silva, explica que “uma premiação é sempre legal e, no nosso primeiro semestre, nós apresentamos os nossos primeiros curtas e sentimos a ausência de algo maior que a banca, no sentido de mais pessoas poderem conhecer o nosso trabalho e, é por isso, que nós desenvolvemos o Cine Tapajós, pra que os novos alunos e alunas pudessem mostrar o que está sendo produzido aqui na Universidade”.

Mostrando o que está sendo produzido na Universidade
A também criadora e organizadora do evento, Ana Luiza de Andrade Silva, explica que “uma premiação é sempre legal e, no nosso primeiro semestre, nós apresentamos os nossos primeiros curtas e sentimos a ausência de algo maior que a banca, no sentido de mais pessoas poderem conhecer o nosso trabalho e, é por isso, que nós desenvolvemos o Cine Tapajós, pra que os novos alunos e alunas pudessem mostrar o que está sendo produzido aqui na Universidade”.

Ela disse ainda sentir que “os veteranos ficaram bem animados com a responsabilidade de poderem votar nos curtas e os calouros com a de votarem a partir de agora também, porque quando você termina o primeiro semestre, bate uma espécie de alívio no sentido de ‘eu não sabia fazer nada, mas agora eu aprendi’, então, é esse sentimento de querer cuidar do pessoal do primeiro semestre por ‘eu já ter passado pelo que eles passaram’ e é muito bem vê-los animados para seguir com tudo isso no semestre que vem. Eu espero que eles sigam, que dê tudo certo, que vire uma tradição e nós estaremos com eles para ajudá-los sempre que eles precisarem”.

A luta vale a pena
Segundo a aluna Caroliny Santos Andrade, do segundo semestre, que participou da equipe do curta “Narciso”, que foi o maior vencedor do festival, participar do Cine Tapajós foi “muito importante, até porque nós somos um grupo de alunos e alunas que acabamos de adentrar a faculdade, então, eu sei o quanto é difícil começar algo grande como um curso superior e, com certeza, um evento como esse faz com que as pessoas reconheçam o nosso trabalho. É em momentos como esse que a gente vê que toda a nossa luta vale a pena e, por isso mesmo, é tão importante que este evento continue e vire uma tradição do Curso de Cinema e Audiovisual da PUC-Campinas”.

“Narciso”, segundo Caroliny, trata, principalmente, do luto infantil, de uma forma bem lúdica para as crianças. O curta relata a história de dois irmãos que se encontram em um cemitério refletindo sobre a vida após a morte e que são teletransportados para um lugar mágico. Ele é baseado no conto de 1951, “Flor, Telefone, Moça”, de Carlos Drummond de Andrade, cuja narrativa aborda a história de uma jovem que pega uma flor em uma sepultura (a mando de uma voz misteriosa) e passa a receber ligações assustadoras cobrando a devolução da florzinha. O conto explora temas como culpa, medo e o sobrenatural.

Sobre a produção da obra, ela diz que esta foi “bem intensa. Foram seis meses diretos de produção, desde os primeiros momentos de aula até o final. Até semana passada, a gente ainda estava trabalhando no curta. Foi algo muito intenso e o grupo todo ajudou muito, foi muito participativo, o que contribuiu, definitivamente, para que o filme fosse bem finalizado e conseguisse ganhar os prêmios que ganhou”.

Uma experiência e tanto
Para o aluno Murillo de Souza Germer de Lima, responsável pela montagem do curta “A Carteira”, desenvolver este trabalho “foi uma experiência e tanto. Foi um processo desgastante, porque demandou muito dos nossos atores e da equipe, mas, no final de tudo, valeu bastante a pena”.

“A Carteira” é uma adaptação do conto realista de mesmo nome de Machado de Assis, de 1884, que gira em torno de Honório, um advogado que enfrenta graves problemas financeiros por conta dos gastos excessivos de sua esposa, Amélia. Precisando de quatrocentos mil réis, ele encontra, na rua, uma carteira com uma quantia muito maior, que pertence ao advogado Gustavo, um amigo seu.

Sobre a produção da obra, Murillo diz que esta foi uma experiência incrível. “Nós contratamos atores que trabalharam gratuitamente, que fizeram o trabalho muito mais pelo portfólio e pelo amor à arte. Não foi fácil. E é por isso mesmo que o reconhecimento de nossos pares é tão importante, pois é o fruto do nosso trabalho. Agora, fica essa sensação maravilhosa de que tudo valeu a pena. Além disso, a dinâmica criada entre calouros e veteranos também foi importantíssima pra que nós pudéssemos desempenhar tão bom trabalho”.

“A realização de um festival como o Cine Tapajós prepara a gente pro mercado de trabalho no futuro, em que nós iremos participar de muitos festivais. Eu imagino que esse tenha sido só o primeiro de muitos. Foi uma experiência muito divertida e que gerou uma competição muito saudável para todos”, encerra o estudante.

A carreira do premiado documentarista e escritor Renato Tapajós, paraense de nascimento, mas que escolheu Campinas como lar, foi marcada por inúmeros registros históricos das lutas populares e por seu engajamento político. Foto: Laboratório Cisco

Sobre o homenageado
O nome do festival é uma homenagem à Renato Tapajós, premiado documentarista e escritor paraense que vive em Campinas e que, em 2023, foi agraciado pela Câmara Municipal com o título de “Cidadão Campineiro”. O troféu dessa primeira edição, inclusive, que foi projetado pelos alunos e alunas veteranos e fabricado no Mescla, faz referência ao seu romance “Em Câmara Lenta”, trazendo uma releitura da capa da primeira edição do livro.

Nascido em Belém, em 1943, Renato Tapajós iniciou a sua carreira como jornalista na capital paraense, mas, foi em São Paulo que ele começou a trabalhar com cinema, até se envolver na luta armada contra o regime militar instaurado em 1964.

A sua carreira foi marcada pelos registros históricos das lutas populares e por seu engajamento político. Em seu primeiro documentário, “Vila da Barca”, de 1968, ele ganhou o prêmio de Melhor Filme no Festival Internacional de Cinema de Leipzig, na então Alemanha Oriental.

O troféu da primeira edição do Cine Tapajós, projetado pelos alunos e alunas veteranos de Cinema e Audiovisual e fabricado no Mescla, faz referência ao romance “Em Câmara Lenta”, lançado em 1977, apresentando uma releitura da capa das primeiras edições do livro (acima).

O seu primeiro romance, “Em Câmara Lenta”, foi escrito em 1973, enquanto estava preso por sua participação na luta armada contra a Ditadura Militar. Nele, Tapajós faz um balanço sobre a experiência da guerrilha, ao mesmo tempo em que denuncia o emprego brutal da tortura, algo que ele próprio sofreu ao ser preso por integrantes da chamada “Operação Bandeirante” (centro clandestino de informações e investigações criado em 1969, em São Paulo, durante a Ditadura Militar, que foi financiado por grandes empresários, tendo se tornado, posteriormente, o embrião do Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna – DOI-CODI -, servindo como polo centralizador para torturar e eliminar opositores políticos do regime). No total, ele passou cinco anos no cárcere.

Para que o livro pudesse ser lançado, seus pais iam visitá-lo e levavam os escritos originais escondidos na boca. Quando lançado, em 1977, Tapajós foi novamente preso e o livro censurado.

Dentre suas outras obras, uma das mais famosas é o documentário “Linha de Montagem”, de 1982. Nele, o cineasta registra o cotidiano dos metalúrgicos no ABC Paulista entre o final da década de 1970 e início da de 1980. Durante a gravação, ele registrou a histórica greve liderada pelo então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema e futuro presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Além disso, ele ainda lançou outros documentários, dentre os quais, “Em Nome da Segurança Nacional”, de 1984; “O Rosto no Espelho”, de 2009; “Corte Seco”, de 2015; e “A Esquerda em Transe”, de 2018. Em 2006, ele lançou três novelas infanto-juvenis: “Carapintada”, “A Infância Acabou” e “Queda Livre”.



Daniel Bertagnoli
19 de junho de 2026