
Cartilha sobre racismo velado nas filas de adoção é lançada em evento no CEAAB
Material produzido por alunas da Faculdade de Direito traz dados que mostram que o racismo também está presente na hora de adotar uma criança
A PUC-Campinas realizou, na manhã desta quinta-feira, 11 de dezembro, o lançamento da cartilha “Perfis Desejados: O Racismo Velado nas Filas de Adoção”, em cerimônia promovida em parceria da Faculdade de Direito e o Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros “Dra. Nicéa Quintino Amauro” (CEAAB).
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O evento aconteceu no próprio Centro, com a presença da Pró-Reitora de Graduação da Universidade, Profa. Dra. Cyntia Belgini Andretta; do Decano da Escola de Ciências da Vida (ECV), Prof. Dr. José Gonzaga Teixeira de Camargo; da Coordenadora do CEAAB, Edna de Almeida Lourenço; da professora da Faculdade de Direito e Pesquisadora do Observatório PUC-Campinas, Profa. Dra. Waleska Miguel Batista; das estudantes responsáveis pela cartilha, autoridades e representantes da Prefeitura de Campinas e de movimentos negros, gestores, professores e estudantes.

As estudantes Bianca Furlan Scuro, Daniela Motta Quessada, Maria Eduarda Trevisan, Maria Eduarda Pereira da Silva, Mariana Leite de Oliveira e Nina Maldonado expuseram os motivos da publicação e apresentaram os dados que nortearam o trabalho. A apresentação também contou com a introdução da Profa. Dra. Waleska Miguel Batista, que orientou o trabalho das alunas.
Para a Pró-Reitora de Graduação, Profa. Dra. Cyntia Belgini Andretta, a iniciativa mostra a importância do tema estar presente na sala de aula. “É uma excelente iniciativa. Uma curricularização da extensão que, de fato, está alcançando a sociedade. A proposta que a comendadora Edna traz nesse lançamento, de colocar o material em portais como o da Prefeitura de Campinas para buscar um alcance maior na educação antirracista é muito importante para a nossa sociedade, na nossa cidade, no nosso estado, no nosso país. E esse trabalho apresentado pelas alunas e pela professora Waleska mostra a importância de se tratar desse assunto em todos os cursos, para que a formação dos nossos estudantes e futuros profissionais mude a sociedade e que traga esperança, justiça, solidariedade e fraternidade, que é aquilo que acreditamos dentro de uma formação humana integral”, afirmou a Profa. Dra. Cyntia Belgini Andretta.
A coordenadora do CEAAB afirmou que é importante que haja o engajamento dos estudantes em uma causa tão séria. “É extremamente importante essa cartilha, porque consegue demonstrar a relação que os cursos da Universidade estão tendo com a pauta racial. No momento da adoção, os olhos de quem chega para adotar não estão voltados para as crianças negras. E quando estão voltados para elas, é com aquela severidade, com a crítica que você não precisa falar, os seus olhos expressam. E quando isso acontece, a criança já sente a rejeição. Então, falar dessa questão é falar da vida dessas crianças”, explicou a comendadora Edna de Almeida Lourenço.
A professora Dra. Waleska Miguel Batista explicou sobre os objetivos da publicação, que visa promover conscientização sobre o racismo velado nas escolhas de perfis adotáveis e estimular uma atuação mais crítica dos futuros profissionais do Direito.
“Na disciplina Prática em Direitos Humanos, os nossos alunos precisam desenvolver ações ou material com um impacto social. E as alunas envolvidas nesse trabalho escolheram olhar qual é o perfil desejado no sistema institucional de adoção. Nós temos aqui, com os dados obtidos, a comprovação que as crianças acolhidas institucionalmente, ou seja, que estão disponíveis para serem adotadas, em busca de pais, mães, de lares, são massivamente crianças negras. Por outro lado, as famílias que estão aptas à adoção, se inscreveram e participaram do processo são majoritariamente brancas. Elas têm um perfil desejado no imaginário de que a criança ideal é uma criança branca”, comenta a docente. “O que precisamos é tirar essa venda da divisão da linha de cor, da desigualdade racial, e entender que ambos querem o amor, o afeto e uma construção de uma sociedade digna e familiar”, finalizou a professora.
Para as alunas, foi um momento de aprendizado e de tentar conscientizar mais pessoas nessa longa luta. “A questão da adoção reflete o racismo estrutural desde a infância. Porque a partir do momento que você tem muitas crianças pretas e pardas para serem adotadas, mas o perfil desejado é de crianças brancas, você tem um problema, porque há muitas crianças para adoção, mas poucas acabam sendo adotadas porque não se encaixam naquele perfil idealizado”, comenta a estudante de Direito Maria Eduarda Trevisan.










