
Orquestra Sinfônica de Cosmópolis e projeto “Mulheres Negras Publicam” iluminam Pátio dos Leões
Noite foi de muita celebração e de homenagens no mês da Consciência Negra
O Solar do Barão viveu uma noite especial nesta quinta-feira (27), durante mais uma ação da Agenda Cultural 2025 do Pátio dos Leões, promovida pela PUC-Campinas. O público que lotou o pátio pôde acompanhar uma apresentação vibrante da Orquestra Sinfônica de Cosmópolis e, no mesmo encontro, prestigiar o lançamento dos seis livros produzidos no projeto “Mulheres Negras Publicam”, iniciativa inédita criada pela Editora Splendet e pelo Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Dra. Nicéia Quintino Amauro (CEAAB).
“Hoje nós temos aqui um evento cultural, que é a apresentação da Orquestra Sinfônica, mas esse evento ganha mais importância porque nós temos também o lançamento dos livros da nossa coleção “Mulheres Negras Publicam” da editora Splendet, que é importante para divulgar as obras dessas mulheres negras e mostrar, por meio da diversidade de temas que estão sendo publicados, a importância dessa voz feminina negra para a literatura local e brasileira”, disse o Reitor da PUC-Campinas, Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior.
“É um momento muito importante, porque você tem a sua escrita reconhecida e publicada. Porque muitas mulheres têm escritas, mas não conseguem publicar. A PUC-Campinas torna essa possibilidade uma realidade. Mulheres que agora podem ter seus livros publicados e que eles estejam em todos os lugares, inclusive na nossa biblioteca, Carolina Maria de Jesus, que vai receber todos os exemplares, que ficarão à disposição de todos”, reforçou a comendadora Edna de Almeida Lourenço, coordenadora do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Dra. Nicéia Quintino Amauro (CEAAB).
“É um evento muito marcante. Fazer o lançamento dos livros no mês da Consciência Negra, dando a possibilidade da expressão e do conhecimento de histórias importantes, de pontos de vista muito relevantes para a nossa sociedade é muito emocionante”, afirmou a Profa. Dra. Camila Brasil Gonçalves Campos, professora da PUC-Campinas e Editora-Chefe da Splendet.
Lançamento de seis obras inéditas escritas por mulheres negras
Durante o evento, a Universidade apresentou oficialmente os livros selecionados no edital do selo editorial Mulheres Negras Publicam. Criado em 2024 pela Editora Splendet, braço editorial da PUC-Campinas, o selo tem como objetivo dar visibilidade à produção literária nacional de mulheres negras, incentivar novas autoras e ampliar a diversidade no campo acadêmico e cultural.
Ao todo, mais de 80 projetos foram enviados e seis títulos inéditos foram lançados, escolhidos entre manuscritos enviados de diferentes regiões do país. O edital priorizou obras de até 200 páginas, abertas a qualquer gênero literário — ficção, poesia, ensaio, narrativas híbridas ou adaptações de pesquisas — desde que dialogassem com públicos para além da academia. Os livros foram publicados nas versões impressa e digital, com tiragem inicial de 200 exemplares cada.
Os títulos lançados foram: A Negrona da Neguinha, de Aparecida Jaqueline; O Lado de Dentro da Rua, de Ana Luisa Coelho Moreira; A meia-calça de Dedé, de Ademilde Félix; Raízes e Cicatrizes: Poesias de uma mãe preta, de Julia Ferreira Mota; Quero contar uma História de Amor, de Raquel Conceição dos Santos; e O Outro Lado da Política Pública, organizado por Daniela Oliveira da Fonseca com a colaboração de outras escritoras.
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“Foi desafiador demais participar desse processo, porque eu mesma que gosto muito de escrever, quando eu vi o edital, fiquei me perguntando como eu poderia contribuir com a escrita literária negra, sendo que nós temos grandes referências. Então eu entendi que essas vozes negras, elas escrevem também a partir dos seus incômodos. Assim, eu fui buscar o meu e vi que ele é coletivo para conseguir contribuir com a escrita”, afirmou Daniela Oliveira da Fonseca, organizadora da obra O Outro Lado da Política Pública, com textos de Alyne Fernanda Siqueira da Silva, Ariane Alves de Oliveira Barboza, Ariane de Cássia Laurindo, Ariella Luiza Rodrigues Silva, Francine Oliveira da Silva, Isabella Garcia, Isadora Dias Araujo, Janaina Alves da Hora, Joyce Ferreira Bernardes, Karine de Paula Bernadino, Lara Miguel Batista, Letícia Ferreira da Silva, Luzia Vitoria Carreira da Silva, Marília Bastos da Costa, Nilvanda Sena Rodrigues, Noemy Ariane Tomas, Raquel Nascimento dos Santos e Thaís Budóia de Almeida Prado Ribeiro.
“Eu tenho 33 anos e escrevo desde os meus 11 anos de idade. E as minhas publicações sempre foram publicações independentes. Então, quando eu tentei escrever para esse edital, foi justamente por ter um livro publicado por uma editora, que era o meu grande sonho desde menina. Então, quando eu tive essa notícia, foi um dos momentos mais felizes e incríveis da minha vida. Compartilhar isso também com a minha família, que também sonhava desse mesmo sonho comigo, pra mim foi um momento potente demais”, comentou Julia Ferreira Mota, autora de Poesias de uma mãe preta.
O processo seletivo envolveu análise editorial, avaliação de consistência teórica e literária, relevância temática e diálogo com a sociedade. Após a escolha das obras, as autoras passaram ainda pela banca de heteroidentificação, etapa que garante a integridade do processo e reafirma o compromisso institucional com políticas de inclusão racial.
Com a criação deste selo, a PUC-Campinas reforça seu papel na democratização do conhecimento, amplia o acesso de novas autoras ao mercado editorial e fortalece a pluralidade de vozes que compõem a literatura brasileira contemporânea. O projeto seguirá com a próxima edição no ano que vem.
Cultura, memória e diversidade em destaque
Após a apresentação das publicações, o público aproveitou a atmosfera que unia música, literatura e patrimônio histórico para acompanhar a Orquestra Sinfônica de Cosmópolis, que trouxe um repertório diverso de canções, inclusive de Natal.
O Pátio dos Leões segue com programação contínua ao longo do ano. Em dezembro, o espaço recebe duas edições da Cantata de Natal, nos dias 10 e 17 de dezembro, às 19h. A entrada é gratuita. No dia 17, também haverá a abertura da Exposição Arquitetos Negros, mostrando os “mestres de obra” no Brasil colonial.
Revitalização
A programação integra o processo de revitalização do Solar do Barão, prédio histórico de Campinas que está se consolidando como um centro cultural vivo, acolhendo espetáculos, exposições, feiras e ações formativas abertas à população. A entrada gratuita reforça o caráter democrático da agenda e sua vocação para aproximar a comunidade do patrimônio histórico da cidade.


























