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Projeto Vozes pela Igualdade premia músicas de estudantes em festival

Projeto, que tem a parceria da PUC-Campinas, realizou evento no Centro de Convivência com produções musicais, poesias e artes visuais sobre igualdade de gênero e enfrentamento à violência

O projeto Vozes pela Igualdade – Edição Campinas realizou na quinta-feira, 29 de outubro, um festival para premiar as músicas vencedoras do concurso estudantil que tem como tema “Se a dor é singular, a voz é coletiva”. A programação foi realizada no Teatro do Centro de Convivência Cultural de Campinas, e incluiu uma exposição de poesias e artes visuais produzidas pelos estudantes participantes. A PUC-Campinas participa do projeto como parceira, com o CEAAB (Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Dra. Nicéa Quintino Amauro), a Faculdade de Direito e a Faculdade de Psicologia.

A iniciativa marca os 20 anos da Lei Maria da Penha e propõe uma reflexão sobre igualdade de gênero, enfrentamento à discriminação e construção de redes de apoio e cuidado coletivo.

O prefeito de Campinas, Dário Saadi, destacou que o projeto é necessário e elogiou o resultado. “Foi um processo de entender os nossos adolescentes, os nossos alunos, não só os alunos da rede municipal, mas também os estudantes da rede estadual, e a partir daí transformar experiências em arte”, falou. Ele foi acompanhado pela primeira-dama, Maria Giovana Fortunato.

Para a comendadora Edna de Almeida Lourenço, coordenadora do CEAAB, o projeto é importante para trazer à tona um tema tão caro para a sociedade. “O Projeto Vozes Pela Igualdade Edição Campinas, traz nas composições das músicas dos estudantes, a realidade que ‘Se a Dor é Singular, a Voz é Coletiva’, apontando sobre o combate às violências de gênero, nos 20 anos da Lei Maria da Penha. Dados do Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) do Senado Federal de 2025, estimou que cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar. A maioria das agressões, cerca de 7 em cada 10 casos foram presenciados por crianças. As composições musicais retratam fielmente esta realidade”, afirmou.

Participar do projeto foi uma experiência que possibilitou conhecer ‘outra’ realidade e que precisamos contribuir para a mudança.

Comendadora Edna de Almeida Lourençocoordenadora do CEAAB

A promotora de Justiça do MP-SP Cristiane Hillal chamou a experiência de maravilhosa e ressaltou que o projeto sinaliza a necessidade de união entre diferentes esferas para o enfrentamento da violência contra as mulheres.

“É sempre um desafio a gente juntar vários órgãos públicos, a sociedade civil, as universidades. E foi uma experiência maravilhosa. A Prefeitura entrou de cabeça nesse projeto, o Estado de São Paulo já fazia parte desse projeto na edição estadual. Aí a gente ainda juntou a PUC, Fundação Educar e foram surgindo outros parceiros também da iniciativa privada, junto com estudantes, professores e promotores de Justiça. Acho que esse é mesmo o caminho se a gente pretende mudar as estruturas, se a gente pretende mudar a forma de viver o mundo de uma forma mais justa, mais solidária, com menos violência”, ressaltou.

Concurso musical

Os dez trabalhos finalistas foram apresentados ao vivo pelos estudantes participantes no palco do Teatro do Centro de Convivência, que ganhou cenografia especial. Houve entrega de medalhas para reconhecer a classificação para a última etapa do concurso. Além disso, o festival contou com exposição de poesias e artes visuais criadas nas escolas.

Duas músicas sobre o tema foram premiadas. A primeira canção foi escolhida por júri popular, após três semanas de votação em uma página especial do portal da Prefeitura. Foram registradas 8.805 participações, sendo que 3.194 (36,27%) escolheram a composição “Voz Coletiva” como a vencedora.

A música foi elaborada por alunos da Escola Estadual PEI (Programa de Ensino Integral) Orlando Signorelli, sob a orientação do professor Igor Furtado Morais. Os participantes foram: Pedro Henrique Barbosa (3DS), ⁠Vinicius Melchior (3DS), ⁠Vitória Doré (3A), ⁠João Pedro Mattos (3A) e ⁠Murilo Rocha – (9º ano B).

A segunda música vencedora foi escolhida por um júri técnico, com seis profissionais, durante as apresentações do festival. A composição “Somos a Mudança”, da E.E. Reverendo Eliseu Narciso, embalou o público com uma formação de 17 integrantes.

Os critérios considerados foram: adequação ao tema, comunicação e expressividade, coerência conceitual, qualidade artística, pertinência aos direitos humanos, compromisso com o enfrentamento das discriminações e responsabilidade no cuidado com a saúde mental.

Parceria entre instituições

O concurso é voltado a estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e do Ensino Médio da rede estadual. A proposta utiliza a música, a poesia e as artes visuais como instrumentos de expressão e reflexão sobre questões sociais relacionadas à igualdade de gênero e ao enfrentamento da violência.

O projeto é realizado em parceria pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), pela Secretaria Municipal de Educação de Campinas, pela Fundação Educar, pela PUC-Campinas e pela Secretaria Estadual de Educação. Também participam as secretarias municipais de Políticas para as Mulheres, Cultura e Turismo, Saúde e Comunicação.

Como parte da mobilização, promotores de Justiça visitaram pelo menos 40 escolas municipais e estaduais para apresentar a iniciativa e incentivar a participação dos estudantes.

PUC-Campinas

A PUC-Campinas também contribuiu para o projeto por meio da participação do CEAAB, de estudantes da Faculdade de Direito e da Psicologia.

Os estudantes do Direito participaram de atividades educativas realizadas em escolas públicas de Campinas. A atuação foi articulada pelo Prof. Dr. José Eduardo Martins, docente da Faculdade e responsável pela integração acadêmica da graduação, após uma solicitação do Ministério Público de São Paulo, em parceria com o Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Dra. Nicéa Quintino Amauro (CEAAB).

A proposta foi levar informações sobre racismo, bullying, discriminação, direitos das mulheres e outros assuntos relacionados aos direitos de grupos vulneráveis. Ao todo, quase 30 estudantes de Direito participaram das atividades, organizadas com o apoio do Centro Acadêmico XVI de Abril.

“Entendo que o Vozes Pela Igualdade é bastante importante pelo impacto que gera tanto nos alunos de escolas públicas, que têm a oportunidade de adquirir conhecimento sobre direitos que se aplicam tanto a eles como a pessoas de sua convivência, como também aos próprios alunos do Direito, que puderam aplicar o conhecimento adquirido em sala de aula na prática”, afirma o professor.

Antes do início das visitas, os universitários participaram de dois encontros de orientação com representantes do Ministério Público de São Paulo. Um foi realizado na sede do órgão e o outro na PUC-Campinas. Na sequência, começaram as atividades nas escolas.

Segundo Martins, a experiência também contribuiu para o desenvolvimento de habilidades profissionais dos estudantes, que precisaram adaptar conteúdos jurídicos para uma linguagem acessível a públicos sem formação na área.

“Estes puderam entender melhor as aflições do cotidiano dos alunos de escola pública, treinar a oratória e transmitir informações técnico-jurídicas em uma linguagem de fácil compreensão para aqueles que não possuem formação jurídica”, destaca. “Com isso, há o cumprimento de um dos pilares da PUC-Campinas, que é a extensão: levar o conhecimento acadêmico para além dos muros da universidade”, completou.

A Faculdade de Psicologia também participou das ações. No dia 29 de maio, a Profa. Alunos apresentaram trabalhos desenvolvidos no curso na área em questão. “Apoiar o projeto ‘Vozes pela Igualdade’ é importante, pois trata-se de uma ação de grande relevância no enfrentamento da violência de gênero e outras violências discriminatórias. A Psicologia estuda o impacto destas violências e sabe que afeta a vida social, emocional e psicológica das pessoas envolvidas. A Lei Maria da Penha fez 20 anos, mas o número de ações de violência de gênero continua crescendo, o que evidencia a necessidade de ampliar as ações, incluindo também medidas socioeducativas eficientes e que ajudem na conscientização desta problemática e dos impactos visíveis e invisíveis na saúde mental.”, afirma a Profa. Dra. Luciana Gurgel, diretora da Faculdade de Psicologia.

Fotos: Carlos Bassan/PMC



Carlos Giacomeli
30 de outubro de 2026

/* CONTEUDO PROGRAMATICO*/