
Estudantes de Pedagogia resgatam a memória do brincar em projeto com Museu Universitário
Atividade discute a atuação do pedagogo para além da sala de aula e vai resultar em uma exposição física, tridimensional e imersiva
Brinquedos que atravessaram gerações e guardam a memória da infância estão sendo resgatados pelas alunas do último semestre do Curso de Pedagogia da PUC-Campinas em parceria com o Museu Universitário da Instituição. A atividade faz parte do Projeto Integrador do Ciclo 3, que discute a atuação do pedagogo para além da sala de aula, explorando a presença e a importância deste profissional em novos campos de trabalho, como os museus, hospitais e a pedagogia social.
O trabalho tem como base a coleção “Brinquedos e Brincadeiras”, acervo do Museu da PUC-Campinas criado no final da década de 1980 e início de 1990 pela então professora da Universidade Regina Márcia. Guardada há anos, a coleção voltou a ganhar vida e agora passa por um trabalho de curadoria, catalogação e estudo histórico-cultural feito pelas estudantes.
De acordo com a Profa. Dra. Ana Paula Fraga Bolfe, docente do Curso de Pedagogia da PUC-Campinas, a proposta central do estudo busca analisar o brinquedo não apenas pelo viés lúdico, mas como um elemento de patrimônio cultural e historicidade. “A ideia é trazer à tona qual a importância do brincar, num mundo que hoje é rodeado de tecnologias e de outros atrativos, qual o papel do brincar no desenvolvimento da criança e no desenvolvimento da pessoa humana”, pontuou a professora.
Para realizar a curadoria, as estudantes vêm realizando visitas ao museu, consultando fichas catalográficas e organizando o acervo, que reúne desde carrinhos e bonecas até fantoches e jogos manuais feitos com tampinhas de garrafa.
Segundo o Prof. Me. José Donizeti de Souza, docente do Curso de Pedagogia da PUC-Campinas, o projeto tem múltiplos impactos, “para as alunas, é a oportunidade de pensar didaticamente como levar o repertório do brinquedo para diferentes públicos. Elas estão entendendo na prática qual é o papel do pedagogo no museu. O museu não é uma escola, ele é um espaço de educação não formal, muito mais livre, sem aquelas dimensões de currículos fechados. Estamos fazendo uma espécie de desescolarização do museu, onde estamos trabalhando pedagogicamente em um espaço livre em que o imaginário é aberto”, completou.
Uma experiência transformadora
Para as alunas, a atividade tem sido um reencontro com a própria infância e uma ampliação do repertório profissional. A estudante Amanda Imperi relatou que tem sido enriquecedor ver peças antigas, criadas por crianças e adultos em diferentes épocas, e descobrir novas possibilidades de atuação da Pedagogia para além da sala de aula.
“A brincadeira vai muito além do brinquedo estruturado, ela nasce da imaginação e da criatividade. Para mim, tudo está sendo fascinante. Como futura professora, perceber que a Pedagogia se estende para museus e hospitais mostra que ensinamos nas pequenas coisas”, explicou a estudante.
A aluna Maria Eduardo Oliveira reforça o mesmo sentimento. “Estamos resgatando o contexto histórico e cultural desses brinquedos. É muito gratificante ver como as teorias de alfabetização e desenvolvimento que estudamos ao longo do curso se conectam na prática. Isso mostra que a Pedagogia não precisa ficar presa numa caixinha ou numa bolha escolar”, contou.
O ensino ganhará vida
O ponto alto do projeto será no mês de novembro deste ano, com a inauguração de uma exposição física, tridimensional e imersiva.
A mostra será aberta para crianças, adolescentes e para o público da Educação de Jovens e Adultos (EJA), e todo o material produzido fará parte permanentemente da coleção do Museu da PUC-Campinas. A ação envolve ainda o Programa Manacás e professores das áreas de arte e tecnologia, reforçando o caráter interdisciplinar.
“Nós estamos ansiosos pelo resultado final. É uma ação que vai deixar uma marca muito importante tanto nas nossas alunas, que são formandas, quanto na nossa instituição, porque a gente renova a coleção. E, além disso, proporcionar às pessoas a experiência, um convite para brincar, para lembrar, trazer à tona a memória, porque a gente se constrói enquanto sujeito a partir das memórias que a gente consegue trabalhar”, finalizou a professora Ana Bolfe.




