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Estudantes da Engenharia Mecânica iniciam novo ciclo de preparação para competições

Equipes da PUC-Campinas desenvolvem projetos de Fórmula SAE e foguete, além de estudos voltados a drones, reunindo estudantes de diferentes períodos e cursos

Estudantes da PUC-Campinas iniciam um novo ciclo de preparação e desenvolvimento de projetos voltados a desafios de engenharia e competições nacionais e internacionais. Atualmente vinculadas ao curso de Engenharia Mecânica, as atividades envolvem as equipes Hornet Motorsport, de Fórmula SAE, e Genesis, de lançamento de foguetes, além de um grupo dedicado ao desenvolvimento de soluções para drones.

As iniciativas são abertas a estudantes de diferentes períodos e cursos da Universidade. Para participar, os interessados precisam passar pelos processos seletivos realizados pelas equipes. A proposta vai além da aplicação dos conhecimentos técnicos desenvolvidos em sala de aula, permitindo aos estudantes vivenciar situações que envolvem planejamento, gestão, trabalho em equipe e busca por resultados.

Segundo o coordenador dos cursos de Engenharia de Controle e Automação e Engenharia Mecânica da PUC-Campinas, Prof. Dr. Fábio Menegatti de Mello, as atividades possuem um caráter multidisciplinar.

Atualmente vinculadas ao curso de Engenharia Mecânica, essas três atividades são destinadas a todos os estudantes da PUC-Campinas, pois, além da parte técnica, as equipes demandam outras competências como marketing e gestão.

Prof. Dr. Fábio Menegatti de Mellocoordenador dos cursos de Engenharia de Controle e Automação e Engenharia Mecânica da PUC-Campinas

Fórmula SAE e foguetes

A equipe Hornet Motorsport participa da competição Fórmula SAE, organizada pela SAE Brasil, capítulo brasileiro da SAE International, entidade voltada à engenharia da mobilidade. A competição é realizada anualmente e envolve uma série de requisitos e critérios que precisam ser atendidos pelas equipes participantes.

Já a equipe Genesis tem como foco a participação na Latin American Space Challenge (LASC), competição voltada ao desenvolvimento e lançamento de foguetes. O evento reúne equipes interessadas no setor espacial e conta com o apoio da Agência Espacial Brasileira.

Além das competições, a Universidade também mantém uma frente de estudos e desenvolvimento relacionada a drones. Nesse caso, a proposta não está direcionada à participação em uma competição, mas à pesquisa e criação de soluções envolvendo áreas como mobilidade, visão computacional e manutenção preditiva.

Experiência prática

A participação nos projetos não está vinculada a uma disciplina específica da graduação. Trata-se de uma atividade extracurricular que complementa a formação acadêmica e possibilita aos estudantes aplicar, na prática, conhecimentos relacionados à engenharia.

Os grupos contam com uma estrutura de liderança formada pelos próprios estudantes. Cada equipe possui um capitão e/ou líderes de área, responsáveis pela organização das atividades relacionadas ao projeto e à construção das máquinas.

Por reunirem estudantes de diferentes períodos e áreas, as equipes também proporcionam um ambiente de troca de conhecimentos e experiências. A atuação em projetos de maior complexidade exige organização das tarefas, cumprimento de prazos e integração entre diferentes frentes de trabalho.

Foguetes

A equipe Genesis surgiu a partir da iniciativa dos próprios estudantes. Um dos responsáveis pela criação do projeto é o estudante Eduardo Gouvêa Marquesini, do quarto semestre de Engenharia Mecânica. Segundo ele, a proposta nasceu em 2025, quando ingressou na PUC-Campinas, com o objetivo de criar uma equipe voltada à participação em competições internacionais de foguetes.

“Eu cheguei com essa proposta de criar na Universidade uma equipe de foguetes voltada para competições internacionais. Isso é algo que não existia aqui, então é um projeto pioneiro, que está sendo desenvolvido agora, do zero”, conta.

O principal objetivo da equipe é participar da Latin American Space Challenge (LASC), competição que reúne estudantes e equipes de diferentes países. Para Eduardo, a dimensão internacional do evento amplia o desafio para os integrantes da Genesis.

“Ela era uma competição latino-americana, porém ganhou tanta repercussão que se tornou algo internacional. Tem alunos da Argentina, Chile, Peru, Colômbia, México, Taiwan, China, França e Estados Unidos. Então, a gente vai acabar entrando nesse cenário em que estão inseridos alunos do mundo inteiro, praticamente”, explica.

Atualmente, os estudantes estão na etapa de estruturação da equipe e desenvolvimento do projeto. O trabalho é dividido em diferentes áreas, responsáveis por etapas específicas da construção do foguete, como estrutura, motor, sistemas eletrônicos e paraquedas. Há ainda a área de marketing, que também atua na busca por patrocínios, gestão de recursos e relacionamento com empresas.

Para Eduardo, a divisão de tarefas permite que estudantes com diferentes conhecimentos contribuam para a construção do projeto. “Cada área vai ser responsável por uma parte do foguete. Não é a equipe desenvolvendo tudo ao mesmo tempo; cada um vai focar em alguma parte”, explica.

Entre os desafios está o desenvolvimento do sistema de recuperação do foguete. Após atingir a altura máxima, chamada de apogeu, o equipamento precisa retornar ao solo de maneira controlada para preservar os componentes e os dados coletados durante o voo. “Uma das áreas mais importantes é o nosso paraquedas, porque o nosso foguete, por enquanto, não dá ré e não pousa de pé”, brinca o estudante.

A construção do foguete também permite aos estudantes aplicar, na prática, os conhecimentos adquiridos ao longo do curso. Segundo Eduardo, conteúdos de diferentes disciplinas são utilizados nas etapas de desenvolvimento do projeto, desde a modelagem em 3D até os cálculos de estabilidade e a escolha dos materiais.

Absolutamente todas as matérias que aprendemos até agora, aplicamos na construção do foguete. Na Engenharia Mecânica, temos a disciplina de Modelagem 3D para Engenharia, na qual aprendemos a utilizar o software para desenvolver o projeto. Também aplicamos conhecimentos de mecânica dos fluidos para determinar a estabilidade do foguete e de mecânica dos sólidos para definir os materiais, as espessuras e os formatos das estruturas.

Eduardo Gouvêa Marquesinialuno do 4º semestre de Engenharia Mecânica

O estudante destaca ainda a utilização de conhecimentos de programação em C e de circuitos elétricos, necessários para o desenvolvimento da placa eletrônica do foguete. “Tudo isso vimos aqui. Então, tudo o que vamos aprendendo, aplicamos de forma prática no nosso projeto”, completa.

Desenvolvimento de competências

Para além do conhecimento técnico, a experiência contribui para o desenvolvimento de competências que fazem parte da formação profissional dos estudantes. Liderança, trabalho em equipe, organização e capacidade de lidar com diferentes perspectivas estão entre as habilidades desenvolvidas ao longo dos projetos.

“Ações desse tipo funcionam de maneira complementar à sala de aula, ajudando no desenvolvimento técnico dos estudantes e permitindo que eles também cresçam em competências socioemocionais como liderança, trabalho em equipe, organização, respeito às diferenças, trabalho orientado ao resultado, entre outras”, afirma Fábio Menegatti.

Com o início de um novo ciclo de preparação, os estudantes passam a trabalhar no desenvolvimento e aprimoramento dos projetos que representarão a PUC-Campinas nas próximas atividades e competições, conciliando conhecimentos acadêmicos com a experiência prática de desenvolver soluções de engenharia em equipe.



Carlos Giacomeli
8 de outubro de 2026

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