
Docente e alunos da PUC-Campinas participam do Congresso Brasileiro de Informática em Saúde
Professor da Escola Politécnica atuou na Comissão Científica do CBIS’26, enquanto dois trabalhos de iniciação científica foram apresentados no principal evento de Saúde Digital do país
A PUC-Campinas esteve presente no XXI Congresso Brasileiro de Informática em Saúde (CBIS’26), realizado entre os dias 23 e 25 de setembro, em Brasília (DF). Promovido pela Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS), o evento reuniu profissionais de saúde, pesquisadores, gestores e formuladores de políticas públicas para discutir os avanços e desafios da Saúde Digital no Brasil, com o tema “Inovação Ética e Sustentável na Saúde Digital Brasileira”.
A participação da Universidade ocorreu em duas frentes. O Prof. Dr. Wemerson Delcio Parreira, docente da Escola Politécnica, atuou como vice-coordenador da Comissão Científica do congresso. Por parte dos alunos, dois trabalhos desenvolvidos no âmbito da iniciação científica da Escola Politécnica, com aplicações na área da saúde, foram aprovados para apresentação oral. Um deles foi selecionado para a sessão de melhores trabalhos do evento.
Os estudantes Diego Henrique Costa de Souza, do curso de Engenharia de Computação, e Pedro Augusto Pereira de Góes, de Engenharia de Controle e Automação, acompanharam o professor durante o congresso. Além das apresentações dos trabalhos, os alunos participaram da organização do evento e acompanharam diferentes atividades da programação científica.
“Participar do CBIS’26, tanto na Comissão Científica quanto na apresentação de trabalhos, foi uma oportunidade de evidenciar a qualidade do ensino e da pesquisa desenvolvidos na Escola Politécnica em um dos principais fóruns de Saúde Digital do país. Ver nossos alunos apresentando suas pesquisas a especialistas e gestores de todo o Brasil, com um dos trabalhos selecionados entre os melhores do evento, é o reconhecimento da dedicação e do empenho que tiveram ao longo da iniciação científica”, destaca o Prof. Wemerson.
Tecnologia aplicada aos cuidados paliativos
Um dos trabalhos apresentados foi “Irya: A Digital Health Approach for Structured Pain Documentation and Medication Management in Palliative Care”, desenvolvido a partir da proposta de criação de uma ferramenta digital para o acompanhamento da dor de pacientes em cuidados paliativos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Apresentado por Diego Henrique Costa de Souza, o estudo descreve o desenvolvimento do Irya, aplicativo que permite ao próprio paciente registrar a intensidade da dor, utilizando escalas de avaliação já validadas na prática clínica, além de informar os horários em que tomou seus medicamentos.
São coautores do trabalho Gabriel Medeia de Campos (Engenharia de Software), Diego Henrique Costa de Souza (Engenharia de Computação) e Prof. Wemerson Delcio Parreira (Escola Politécnica), da PUC-Campinas; Jane C. Rodrigues Magalhães, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da PUC-Campinas; Profa. Gisele M. Silva Gonçalves, docente do mesmo programa; Prof. Fábio Pires Itturiet e Profa. Renata Coelho Borges, docentes do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica da UTFPR; e Prof. Juliano de Souza Gaspar, da UFMG.
As informações são disponibilizadas à equipe de saúde por meio de uma plataforma na internet, permitindo o acompanhamento da evolução do paciente ao longo do tempo por meio de gráficos e resumos que podem auxiliar nas decisões relacionadas ao tratamento.
O sistema foi desenvolvido considerando padrões que permitem a troca de informações com outros sistemas de saúde e os requisitos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A proposta também levou em conta a facilidade de uso, inclusive para pessoas com baixa escolaridade. Como resultado, foi desenvolvido um protótipo funcional que demonstra a viabilidade da solução.
O projeto conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), por meio dos processos nº 2025/13455-3, 2025/13465-9 e 2026/00132-4, e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Pesquisa busca aprimorar análise de eletrocardiogramas
O segundo trabalho apresentado foi “Uma Análise Comparativa Entre Funções Kernel no Algoritmo ALDKRLS para Filtragem em ECG”, de autoria de Pedro Augusto Pereira de Góes e do Prof. Wemerson Delcio Parreira, da PUC-Campinas, em parceria com pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
São autores do trabalho Pedro Augusto Pereira de Góes (Engenharia de Controle e Automação) e Prof. Wemerson Delcio Parreira (Escola Politécnica), da PUC-Campinas; Prof. Fábio Pires Itturiet e Profa. Renata Coelho Borges, docentes do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica da UTFPR.
Selecionado para a sessão de melhores trabalhos do CBIS’26, o estudo foi apresentado oralmente por Pedro Augusto. A pesquisa aborda um desafio relacionado ao eletrocardiograma (ECG), exame que registra a atividade elétrica do coração e cujos sinais podem apresentar interferências, conhecidas como ruídos, que dificultam sua interpretação.
O trabalho avaliou um algoritmo destinado à filtragem desses ruídos e comparou duas diferentes formas de configurá-lo. Os testes foram realizados em computador utilizando registros reais de ECG da base de dados internacional MIT-BIH, aos quais foram adicionados ruídos em níveis elevados.
Os resultados mostraram que uma das configurações preservou melhor o formato original do sinal, característica importante para aplicações que exigem maior precisão. A outra alternativa, por sua vez, apresentou uma demanda de processamento significativamente menor, podendo ser utilizada em equipamentos com menor capacidade computacional e que necessitam reduzir o consumo de energia. A pesquisa é desenvolvida com bolsa de iniciação científica PIBIC/CNPq.
Experiência acadêmica
Para o professor, a participação no congresso também representa uma oportunidade de formação para os estudantes, ao permitir o contato direto com pesquisadores e profissionais de diferentes áreas da Saúde Digital.
“Experiências como essa, de expor resultados, dialogar com especialistas e vivenciar os bastidores de um evento científico, certamente farão diferença na trajetória acadêmica e profissional de cada um. Elas mostram, ainda, como a engenharia e a computação podem contribuir com soluções tecnológicas éticas e voltadas ao SUS”, afirma.


