
Estudantes de Odontologia desenvolvem TCC sobre células-tronco da polpa dentária
Pesquisa reúne revisão científica e experiência prática para ampliar o conhecimento sobre o potencial das células-tronco mesenquimais
A coleta e preservação de células-tronco provenientes da polpa dentária foi o tema escolhido por oito estudantes do último ano do Curso de Odontologia da PUC-Campinas para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do grupo. A proposta do trabalho surgiu do interesse da equipe pelo estudo das células-tronco mesenquimais presentes na polpa de dentes decíduos (dentes de leite) e pelo potencial de aplicação dessas células em pesquisas na área de medicina regenerativa.
De acordo com a Profa. Dra. Sandra Echeverria, docente da Faculdade de Odontologia e orientadora do TCC, a polpa dentária apresenta características que despertam o interesse da comunidade científica.
“É importante que os estudantes tenham essa visão ainda na Graduação. A polpa do dente é um tecido rico em células mesenquimais, que apresentam capacidade de diferenciação em diferentes tipos celulares. Atualmente, a utilização clínica dessas células ainda é restrita, mas existe um potencial importante para aplicações futuras, o que torna o tema relevante para a pesquisa e para a formação dos nossos estudantes. Ter contato com esses conhecimentos desde a Universidade contribui para uma formação mais ampla”, explicou.
Experiência prática
Uma das etapas de desenvolvimento do trabalho envolveu uma atividade prática, realizada na Clínica de Atendimento Infantil da Universidade: a extração de dois dentes de leite do pequeno Valentim, de 6 anos, primo de uma das integrantes do grupo.
A participação da criança foi viabilizada pelo interesse da família em preservar as células-tronco presentes na polpa dentária, com a perspectiva de uma possível utilização futura. A iniciativa também permitiu que os estudantes acompanhassem, na prática, o procedimento estudado ao longo da pesquisa.
Para Bianca Favero, mãe de Valentim, a decisão representa uma forma de precaução em relação ao futuro do filho. “É uma precaução para o futuro dele. Como não fizemos isso no nascimento, essa foi uma segunda oportunidade que tivemos. Recebemos todas as explicações sobre o procedimento e seus benefícios e decidimos fazer”, disse.
Após a extração, o dente foi acondicionado em um recipiente próprio para transporte e encaminhado ao laboratório especializado contratado pela família do menino, onde a polpa foi separada para a expansão celular e posterior criopreservação.
Formação acadêmica e pesquisa
Para a estudante Mariana Junqueira, a realização da atividade contribuiu para complementar a pesquisa e possibilitou conhecer, na prática, as diferentes etapas envolvidas no processo.
“Nosso objetivo é ampliar o conhecimento sobre as células-tronco provenientes dos dentes e sobre o potencial que elas apresentam para o futuro. É um tema que ainda é pouco conhecido por muitas pessoas e que consideramos importante para a formação dos futuros cirurgiões-dentistas”, afirmou.
A partir da experiência, o grupo poderá acompanhar os resultados das diferentes etapas do processo por meio dos relatórios disponibilizados pela empresa responsável pela criopreservação. As informações serão incorporadas ao desenvolvimento do trabalho acadêmico.
Integração entre ensino e inovação
A realização do procedimento na Clínica de Atendimento Infantil também representa uma experiência inédita para a Faculdade de Odontologia. Segundo Sandra Echeverria, a atividade amplia as possibilidades de integração entre ensino, pesquisa e prática profissional, ao permitir que os estudantes acompanhem uma tecnologia relacionada a um campo em desenvolvimento.
“É uma experiência importante para a Universidade e para a formação das estudantes. Não são todos os profissionais da Odontologia que já tiveram a oportunidade de acompanhar um procedimento como esse. É importante esclarecer que estamos falando de uma perspectiva futura. Hoje, as aplicações clínicas ainda são limitadas. Existem pesquisas muito promissoras, mas não é possível afirmar quais serão as utilizações dessas células daqui a alguns anos. Por isso, é fundamental que os estudantes tenham contato com o tema de forma responsável e baseada em evidências científicas”, finalizou.






