
Mochila Jovens da Paz: projeto de Extensão encerra capacitação com alunos da rede pública
Iniciativa formou multiplicadores no Campo Belo utilizando Comunicação Não Violenta e promoveu o protagonismo juvenil por meio da arte
A Extensão da PUC-Campinas concluiu o ciclo de atividades do projeto “Mochila Jovens da Paz”, fruto de edital contemplado pela CNBB. A iniciativa atendeu adolescentes de 15 a 17 anos de duas escolas públicas de Campinas, localizadas na região do Campo Belo. O objetivo central da ação foi atuar em um território marcado por vulnerabilidades sociais para promover a autonomia, o protagonismo e a cidadania, capacitando os jovens para atuarem como multiplicadores de práticas de diálogo.
Pautado em metodologias participativas e na Comunicação Não Violenta (CNV), o percurso formativo descentralizou suas ações. Os encontros ocuparam o próprio território, no espaço das escolas e paróquias, e os laboratórios e salas dos Campi I e II da Universidade.
A Pró-Reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão da PUC-Campinas, Profa. Dra. Carla Cristina Enes Gomes destacou como a iniciativa consolida o objetivo do trabalho extensionista. “Esse encontro entre Comunidade e Universidade ganha sentido quando vemos as possibilidades de troca. Nós compartilhamos conhecimentos e aprendemos muito também. Esperamos que as práticas se multipliquem, se fortaleçam”.
Durante os encontros, dinâmicas sensíveis permitiram aos jovens refletir sobre suas realidades. Na oficina “O que pesa na sua mochila?”, os estudantes debateram metaforicamente sobre as bagagens emocionais e os desafios sociais que carregam ao longo da vida. Esse processo de autoconhecimento refletiu na criação coletiva da identidade visual do grupo: a união de uma flor de lótus e uma fênix, símbolos escolhidos por eles para representar força, transformação e a capacidade de florescer e recomeçar diante das adversidades.
O protagonismo juvenil também foi exercitado na prática por meio da exposição fotográfica “As belezas do Campo Belo”. Em vez de serem apenas observados, os alunos foram convidados a registrar o próprio território sob suas perspectivas. A mostra foi exposta na PUC-Campinas, com os próprios jovens assumindo o papel de autores e narradores de suas histórias para a comunidade acadêmica.
A aproximação contínua com a infraestrutura universitária foi estratégica para o desenvolvimento de carreiras. A participação em uma Feira de Ciências, conduzida pelo grupo PET-Biologia da Universidade, foi apontada como um dos momentos de maior impacto do ciclo. Para muitos, foi o primeiro contato prático com o universo científico, experiência que despertou o desejo de cursar o Ensino Superior e demonstrou a viabilidade do acesso à educação continuada.
O impacto da ampliação de perspectivas refletiu na forma como os estudantes passaram a enxergar a ação: durante as vivências, o grupo rebatizou carinhosamente o projeto para “Mochila Jovem Sem Fronteiras”, simbolizando o rompimento de barreiras territoriais.
A Profa. Dra. Caroline Cristiane de Sousa, Docente do Curso de Psicologia e integrante da iniciativa, explica que a vivência desconstruiu estigmas e evidenciou as habilidades do grupo. “A mensagem que fica é a do potencial que esses jovens têm e da importância de acreditarmos neles. Fica a possibilidade de contribuirmos com esse movimento de ampliar horizontes, mas também de recebermos o que eles têm a nos ensinar. Eles são muito criativos e bem articulados. Foi uma troca legítima”, destacou.
Os resultados já refletem na trajetória dos participantes e são percebidos pelas famílias. Cátia Cristina Vieira, mãe de uma das jovens que integrou o projeto, relata o impacto direto da iniciativa no desenvolvimento da adolescente, que recentemente foi aprovada em uma instituição de ensino técnico. “Com esse projeto ela se desenvolveu bem, foi uma evolução muito boa e ela conseguiu atingir o que esperava. Essa parceria é muito importante porque consegue mostrar para a periferia que todos têm a oportunidade de estudar e ser alguém. Não importa onde a pessoa more, o estudo é uma coisa que ninguém tira deles”, afirmou Cátia.



