Acessibilidade  
Central de Atendimento ao Aluno Contatos oficiais Área do aluno

Reverbera 2026 reúne estudantes e profissionais em três dias de encontros sobre linguagens e transformação 

Programação da Escola de Linguagem e Comunicação teve o rapper Rael na abertura e contou com palestras, painéis, bate-papos e o 1º Ideathon do evento

A música, a cultura negra e as diferentes formas de expressão deram o tom da abertura do Reverbera 2026, realizado pela Escola de Linguagem e Comunicação da PUC-Campinas entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro. Com o tema “Linguagens que transformam o mundo”, o evento reuniu estudantes, professores e profissionais em uma programação voltada à comunicação, às artes, à criatividade, à cultura e às transformações do mercado. 

O primeiro encontro teve como convidado o cantor, compositor e rapper Rael, que compartilhou experiências de sua trajetória e falou sobre a presença da cultura preta em diferentes dimensões da sociedade. Ao abordar a música, a arte e outras formas de criação, o artista destacou que a produção cultural negra está presente no cotidiano, ainda que nem sempre sua origem e seus criadores recebam a devida visibilidade. 

“A gente consome a cultura preta há muito tempo. Está no nosso dia a dia, às vezes a gente não sabe. O Brasil é muito preto, né? De vários sentidos: na culinária, na música, nas artes. A gente consome tudo isso, mas na hora de mostrar, de colocar o holofote de quem criou essa coisa, isso se dissipa, isso some”, afirmou Rael. 

Segundo ele, sua própria trajetória na música foi construída a partir dessa relação com a cultura e com diferentes linguagens. “Eu quero estar aqui para mostrar o que eu vivi, o que aconteceu comigo, mas também para mostrar essa potência que é a música, a música preta brasileira, a arte de um modo geral”, explicou. Para o artista, a música também teve papel importante na maneira como passou a compreender a si próprio e suas possibilidades. “Me deu uma visão de que eu merecia amor, eu merecia ser bem pago, eu merecia uma vida criativa gratificante.” 

Rael também falou sobre a formação construída fora dos espaços acadêmicos. “Eu não tenho nada acadêmico, eu não tive formação acadêmica, mas Hip Hop foi minha formação acadêmica”, afirmou. A experiência acumulada ao longo de sua trajetória, segundo ele, é o que levou para o encontro com os estudantes.

Durante a conversa com os alunos, Rael também falou sobre sua participação na série “Música Preta Brasileira”, exibida pelo Fantástico. “Eu tive essa oportunidade de selecionar os artistas, de participar da edição também, e a Maju me acolheu, porque eu não sou jornalista. Eu sabia um pouco de música e ela me passou um pouco do jornalismo e é um dos programas que eu tive orgulho de fazer parte. Viva a música preta brasileira!”, afirmou. 

Cultura e representatividade 

A presença de Rael na abertura também foi relacionada à importância de ampliar os espaços de discussão sobre a cultura negra. Comendadora Edna Almeida Lourenço, coordenadora do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros Dra. Nicéa Quintino Amauro, destacou a relevância de uma programação que colocasse essa pauta em diálogo com as linguagens e a comunicação. 

“É muito rico poder estar aqui hoje nesse Reverbera. Para nós, povo preto, reverbera é podermos gritar sobre tudo, todos os problemas, todas as práticas racistas, tudo que nós sofremos em todos os lugares”, afirmou. 

Para Edna, a participação de Rael contribuiu para esse debate ao aproximar a discussão sobre cultura negra da música e de outras formas de expressão. “Ter uma pauta preta com o nosso querido Rael faz a diferença. Eu também parabenizo pela iniciativa de trazer essa pauta. E falar de linguagens, expressões é muito importante”, disse. 

Ela também ressaltou a necessidade de olhar para a história para além das situações de enfrentamento ao racismo, reconhecendo as contribuições da população negra para a formação da sociedade brasileira. “Pautar uma história de luta, mas também de contribuição que o povo negro deu para nossa sociedade”, afirmou. 

A relação entre cultura, criação e formação esteve presente também na fala do Prof. Dr. Caio Lazaneo, coordenador do curso de Cinema e Audiovisual. Ao apresentar Rael, o professor destacou características da cultura preta relacionadas à transmissão de saberes, à oralidade, à música, à dança, à imagem, à festa, à rua e à comunidade. 

“Uma cultura que nos ensina sobre a colaboração, sobre a criação coletiva, sobre a possibilidade de transformar uma experiência meramente individual em algo que passa a pertencer a muitas pessoas”, afirmou. 

A trajetória de Rael, segundo o coordenador, também evidencia como uma linguagem pode se transformar em ponto de partida para outros encontros. “Uma trajetória que mostra que uma linguagem pode ser o ponto de partida de conexão de roda. E é justamente por isso que essa conversa faz tanto sentido dentro de uma universidade”, afirmou. 

A partir dessa perspectiva, o professor relacionou o encontro à formação oferecida pela Escola de Linguagem e Comunicação. “Formar profissionais da comunicação, das artes, do audiovisual, com ênfase no pensamento crítico e reflexivo, não deveria significar apenas ensinar o domínio de algumas linguagens, teorias, métodos e técnicas, mas significar também, sobretudo, perguntar-se sempre sobre o que fazemos com essas linguagens depois que aprendemos a utilizá-las”, disse. 

A proposta dialoga com o próprio tema escolhido para a edição 2026. Ao longo dos três dias, a programação reuniu 16 atividades, entre palestras, painéis e bate-papos sobre comunicação, cultura, diversidade, audiovisual, esporte, influência digital, linguagem, inovação e mercado. 

Uma ideia que reverberou 

A história do evento também esteve presente na abertura. De acordo com o Prof. Me. Carlos Eduardo Pizzolatto, decano da Escola de Linguagem e Comunicação, a primeira edição do Reverbera surgiu em 2017 a partir de um projeto desenvolvido por duas estudantes do curso de Relações Públicas. 

“Foi uma ideia que surgiu dos estudantes, ganhou espaço, envolveu os professores, cursos e diferentes áreas do conhecimento e, ao longo dos anos, transformou-se nesse encontro que reúne toda a nossa escola”, contou. 

Para Pizzolatto, a própria trajetória do evento guarda relação com o significado de seu nome. “Há algo de muito simbólico nisso. O Reverbera nasceu justamente daquilo que seu próprio nome sugere. Uma ideia surgiu, encontrou outras pessoas, ganhou novas vozes, aderência, começou a reverberar e continua reverberando”, afirmou. 

O decano também destacou que a Escola de Linguagem e Comunicação reúne áreas com especificidades e campos profissionais distintos, mas que têm como ponto de encontro o trabalho com diferentes linguagens. 

“Não somente com a palavra, também com a imagem, com o som, narrativa, a informação, a criação, entre tantas outras formas pelas quais nos comunicamos, construímos sentidos e nos relacionamos uns com os outros”, explicou. 

Segundo Pizzolatto, é justamente no encontro entre essas áreas que está uma das características do Reverbera. “As linguagens não servem apenas para representar uma realidade que já existe. Elas também podem questionar essa realidade, ampliar perspectivas, aproximar pessoas, dar visibilidade a diferentes experiências e produzir novas formas de compreender o mundo”, ressaltou. 

Do debate à prática 

A proposta interdisciplinar esteve presente também nas atividades realizadas ao longo do evento. Entre os convidados estiveram a influenciadora Gabi Brandt, o redator Felipe Valério, a representante do Google Carol Cardoso, além de profissionais da EPTV e do Portal Dibradoras, entre outros participantes. 

A programação envolveu estudantes dos cursos de Cinema e Audiovisual, Jornalismo, Letras, Mídias Digitais, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas, criando diferentes possibilidades de contato com profissionais e temas relacionados à formação e ao mercado. 

Uma das novidades desta edição foi o 1º Ideathon da Escola de Linguagem e Comunicação, que encerrou a programação. Realizado em parceria com o Mescla e a agência Arpejo, tendo o Pague Veloz como cliente, o desafio reuniu estudantes em grupos para desenvolver propostas criativas e inovadoras a partir de uma demanda apresentada pela empresa. 

 

 



Thayla Ramos
2 de outubro de 2026

/* CONTEUDO PROGRAMATICO*/