
Escalada indoor desafia estudantes da Educação Física
Atividade prática possibilitou contato com técnicas, desafios motores e diferentes possibilidades de atuação profissional
Os estudantes do último ano do Curso de Educação Física da PUC-Campinas participaram de uma experiência prática de escalada indoor em uma academia especializada na modalidade.
A atividade, realizada na PowerBloc, permitiu que os futuros profissionais conhecessem técnicas e diferentes níveis de dificuldade da escalada, além de vivenciarem, na prática, aspectos relacionados à força, flexibilidade, coordenação motora, equilíbrio e resistência.
Segundo o Prof. Dr. István de Abreu Dobránszky, docente da Faculdade de Educação Física, a experiência prática é fundamental para ampliar o repertório dos estudantes e aproximá-los de modalidades que podem fazer parte de sua atuação profissional.
“A importância dessas atividades é que o aluno conheça o ambiente, a técnica da própria escalada e também como, fisiologicamente, isso afeta o corpo humano. No ambiente escolar, por exemplo, a escalada pode contribuir para o desenvolvimento da coordenação motora e do condicionamento físico das crianças. Já para o Bacharel em Educação Física, abre possibilidades relacionadas ao treinamento e à preparação de praticantes e atletas”, explicou.
Resolução de problemas com o corpo
Durante a atividade, os estudantes tiveram contato com o Boulder, modalidade de escalada realizada em paredes de menor altura e que não utiliza cordas. O desafio consiste em encontrar a melhor estratégia para completar um percurso utilizando diferentes agarras distribuídas pela parede.
Cada percurso funciona como um problema motor a ser solucionado. As diferentes formas, tamanhos, texturas e posições das agarras fazem com que o praticante precise planejar os movimentos antes e durante a subida.
“Quanto mais difícil, mais vai exigir um planejamento para resolver esse problema antes de tentar subir. Depois, é preciso colocar isso em prática, o que envolve resistência de força, flexibilidade e também saber qual movimento fazer em cada momento. Dessa forma, posso trabalhar com eles fisiologia, sistema cardiovascular, resistência de força, potência, coordenação motora e flexibilidade”, complementou o Prof. István.
Para a estudante Natália Marchiori Zanotto, o grande desafio foi experimentar movimentos e exigências musculares diferentes das encontradas em outras modalidades. “Foram vários níveis e consegui fazer os desafios mais difíceis. É muita força no braço, força na perna e usamos uma musculatura que a gente nunca usou. É bem desafiador”, relatou.
Além do esforço físico, a atividade também despertou nos estudantes a percepção sobre a importância de conhecer o próprio corpo. Giovanna Nascimento Cezario destaca que a vivência permitiu perceber que a modalidade exige muito mais do que parece.
“A gente acha que é algo fácil, só que existem técnicas e situações diferentes. Quando você vai pegando os detalhes, sempre quer avançar o nível e testar você mesmo. Você conhece o corpo, conhece as suas dificuldades e trabalha a coordenação. Ter essa vivência dá um bônus e pode trazer mais chances em outras áreas de trabalho”, afirmou.
Para Luiza Amantini, a experiência também foi marcada pela colaboração entre os colegas. “A gente se desafia, se ajuda bastante. Estávamos tentando subir, juntava um grupinho e a gente tentava se ajudar. Acho isso muito importante e muito gostoso essa vivência fora da sala de aula”, disse.
- Natália Marchiori Zanotto
- Giovanna Nascimento Cezario
- Luiza Amantini
Modalidade Olímpica
A experiência com a escalada indoor também ganha relevância diante da presença da modalidade no programa olímpico. A escalada esportiva estreou nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, e também esteve em Paris 2024, ampliando a visibilidade e as possibilidades relacionadas ao treinamento esportivo.
A escalada esportiva é disputada em três disciplinas, cada uma com características e desafios específicos. Na velocidade (Speed), dois escaladores competem simultaneamente em paredes verticais de 15 metros, buscando completar o percurso no menor tempo possível. No Boulder (Bouldering), os atletas enfrentam paredes de até 4,5 metros, sem cordas, utilizando colchões de proteção no solo, e precisam solucionar rotas complexas dentro de um limite de quatro minutos. Já na Guiada (Lead), os competidores escalam paredes com mais de 15 metros, prendendo a corda às proteções instaladas ao longo do percurso. Nessa prova, cada atleta tem apenas uma tentativa para alcançar a maior altura possível.
“É um campo de atuação muito importante para o profissional. O fato de os alunos virem aqui, participarem e experimentarem essas atividades faz com que eles sintam no corpo o que é e, depois, possam levar isso para a teoria. Quanto maior o repertório de possibilidades que a gente oferece, mais amplo ele fica. Ele não fica preso ao tradicional. Pensa: ‘isso aqui é legal, isso aqui é diferente, deixa eu experimentar’. E, de repente, uma nova modalidade pode aparecer daqui a 25 anos. Ele não vai ter receio de experimentar, porque teve esse estímulo durante a formação”, afirmou.









