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Simpósio debate desafios da moradia no Brasil

Encontro reuniu pesquisadores, docentes, estudantes e representantes de comunidades para discutir a moradia a partir de diferentes perspectivas e da Campanha da Fraternidade 2026

A PUC-Campinas realizou, entre os dias 26 e 28 de outubro, o I Simpósio Transdisciplinar Fraternidade e Moradia. Organizado em parceria com a Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (SOTER), o evento foi realizado de forma híbrida, no espaço Tamurá-Comunidade, no Campus I, tendo como referência a temática da Campanha da Fraternidade 2026, dedicada à moradia

A programação articulou conhecimentos acadêmicos, experiências de extensão universitária e saberes populares, aproximando diferentes perspectivas sobre questões como população em situação de rua, territórios vulnerabilizados, direitos sociais, sustentabilidade e mobilização comunitária.

A diversidade de participantes e abordagens reforçou o papel da Universidade como espaço de articulação entre diferentes áreas do conhecimento e de aproximação com as demandas da sociedade. Para Reitor da PUC-Campinas, Prof. Dr. Victor de Barros Deantoni, o encontro também representa um investimento na formação dos estudantes e na construção de uma consciência social que pode produzir resultados a longo prazo.

“A Universidade tem um papel fundamental ao promover o intercâmbio entre diferentes áreas do conhecimento e ajudar os estudantes a compreender temas que atravessam a sociedade, como o direito à moradia. Nossa expectativa é que as reflexões realizadas no Simpósio continuem produzindo efeitos ao longo do tempo, inspirando os estudantes a contribuir, em suas trajetórias profissionais e pessoais, para uma sociedade mais justa”, ressaltou.

Ao longo dos três dias, o evento promoveu painéis com representantes da comunidade externa, apresentações de experiências extensionistas desenvolvidas pela Universidade e discussões acadêmicas. A programação também contou com conferências de especialistas convidados, que abordaram a temática sob perspectivas históricas, urbanísticas e sociais.

A proposta de ampliar o debate para além dos limites da Universidade foi um dos aspectos centrais do encontro. “Pensar a moradia a partir da fraternidade exige reconhecer que o conhecimento não é produzido apenas dentro da universidade. Os saberes das comunidades, construídos na vida cotidiana e nas experiências de resistência e organização popular, também são fundamentais para compreender a realidade e buscar respostas para os desafios sociais”, destacou o Coordenador do Núcleo de Fé e Cultura, Prof. Dr. Pe. Matheus da Silva Bernardes

Campanha da Fraternidade e compromisso social

A conferência de abertura foi conduzida pelo Pe. Jean Poul Hansen, secretário executivo das Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que apresentou o percurso histórico da Campanha da Fraternidade e sua relação com a doutrina social da Igreja. A reflexão destacou a importância de manter as questões sociais propostas pela iniciativa em debate ao longo de todo o ano, para além do período da Quaresma.

“A Campanha da Fraternidade propõe, há décadas, uma reflexão sobre questões humanitárias e sociais que dizem respeito a toda a sociedade. Trazer esse debate para a Universidade é uma forma de ampliar essa reflexão, envolver os estudantes e estimular a busca por alternativas diante de desigualdades tão profundas, como as que marcam o acesso à moradia no Brasil”, afirmou.

No segundo dia, a Profa. Dra. Ermínia Maricato, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), contribuiu com a discussão sobre urbanização e moradia no Brasil, trazendo a perspectiva do planejamento urbano e dos desafios relacionados à desigualdade socioespacial.

“Os Cursos de Extensão podem mudar o papel das universidades brasileiras desde que a gente se aproxime da realidade e comece a trabalhar soluções adequadas, invertendo prioridades e combatendo a desigualdade histórica”, disse.

O encerramento do Simpósio contou com a presença de Evaniza Lopes Rodrigues, integrante da Pastoral da Moradia e Favela da CNBB, cuja atuação aproxima a reflexão sobre o direito à moradia das experiências de mobilização popular e organização comunitária.

“Moradia não é um privilégio. O direito à moradia integra o direito a um padrão de vida adequado. Não se resume a apenas um teto e quatro paredes, mas ao direito de toda pessoa ter acesso a um lar e a uma comunidade seguros para viver em paz, dignidade e saúde física e mental”, destacou.

Produção científica e participação estudantil ampliam o debate

Além das conferências e dos painéis temáticos, o I Simpósio Transdisciplinar Fraternidade e Moradia abriu espaço para a apresentação de trabalhos científicos de estudantes de Graduação, Pós-Graduação e pesquisadores de diferentes instituições. As comunicações contemplaram seis eixos temáticos: moradia e direito à vida digna; vulnerabilidade social; territórios, memória e resistência popular; sustentabilidade e novas economias; universidade, extensão e transformação social; e fé, fraternidade e compromisso social.

A iniciativa buscou incentivar a produção científica, valorizar pesquisas desenvolvidas em diferentes etapas da formação acadêmica e promover o intercâmbio entre pesquisadores que investigam a questão habitacional sob distintas perspectivas. Os textos aprovados serão publicados nos Anais dos Cadernos de Fé e Cultura, publicação do Núcleo de Fé e Cultura da PUC-Campinas.

A avaliação dos trabalhos é responsabilidade de uma Comissão Científica composta por pesquisadores com atuação nas áreas de Teologia, Arquitetura e Urbanismo, Direito, Sustentabilidade e Ciências Sociais. O grupo reúne docentes da PUC-Campinas e de instituições como PUC-SP, USP, UNIJUÍ, UNINOVE e FURB, assegurando a diversidade de perspectivas e o rigor acadêmico na análise das pesquisas.



Jean Spaduzano
30 de outubro de 2026

/* CONTEUDO PROGRAMATICO*/