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Uma vez por ano, os alunos da Faculdade de Ciências Biológicas da PUC-Campinas, trocam a sala de aula pela cidade de Cananéia, no litoral sul, em São Paulo. A atividade, chamada “Aula de Campo”, tem como objetivo colocar em prática tudo o que os alunos estudam dentro de sala e nos laboratórios. O local visitado apresenta um ambiente rico em biodiversidade, ou seja, fauna e flora que oferecem amplos estudos num só local.

Neste semestre, a “Aula de Campo” foi realizada no mês de maio e todos os alunos do 3º ano foram convidados. Bruna Aparecida Strazza não perdeu a oportunidade e embarcou com a turma. “Achei superinteressante. Na Faculdade temos todos os organismos para estudo, mas mortos. Lá pude vê-los vivos e em seus habitats naturais. Além disso, houve mais integração entre os professores e alunos”, contou a estudante. A aluna Danielle Sousa Pereira disse que a atividade superou suas expectativas. “Vivenciar o que estudo, me fez entender melhor a profissão que escolhi”, disse.

Antes e depois

A “Aula de Campo” é realizada pelo quinto ano consecutivo, em Cananéia, e tem despertado preocupação com o gerenciamento costeiro, haja vista as mudanças identificadas pelos professores que acompanham a atividade. O professor Jodir Pereira da Silva visita o local, desde 1992, e conta que há uma especulação imobiliária na região. “Naquela época, existiam apenas duas pousadas e um hotel. Hoje, são mais de vinte instalados, além da concentração de condomínios e residências”, comentou.

Com o aumento na quantidade de visitantes, também cresce a interferência que eles provocam no ambiente, a começar pela quantidade de lixo espalhado na água e no solo. Segundo a professora Luciane Kern Junqueira, o plástico é o material mais encontrado, principalmente em garrafas. “Essa falta de cuidado com o mangue pode fazer com que os caranguejos, por exemplo, desapareçam e provoquem um desequilíbrio, já que eles estão na base da cadeia alimentar”, alertou a professora.

O excesso de turistas também tem provocado o desaparecimento de algumas plantas nativas, como os xaxins e as baunilhas naturais. Elas têm dado lugar à plantas “invasoras”, levadas pelos próprios visitantes. “Durante as atividades encontramos grama no lugar de samambaias, que ocupavam a área anos anteriores. Essa substituição de espécies quebra a hegemonia de sucessões ecológicas”, revelou a professora Gislei Cristina Gonçalves. Ela também conta que os fungos bioindicadores apontam para uma forte poluição no local. “A cor natural deles é vermelha, mas estão marrons e verdes. Isso significa, por exemplo, o excesso de gás carbônico no ambiente e uma das maneiras de ser emitido é por meio dos veículos que vão até lá”, acrescentou a professora.

Apesar da urbanização e de suas consequências, Cananéia reserva grandes espetáculos naturais. O professor Jodir relata que, desde a primeira visita, encontra uma população de golfinhos e nessa última, ainda foi surpreendido. “Pela primeira vez encontramos guarás – aves de coloração rosa. Os moradores locais me contaram que eram apenas duas ou três aves e, agora, já são pelo menos vinte”, relatou. Esses atrativos naturais seduzem ainda mais os turistas. “Essa região não tem tratamento de esgoto e se o turismo continuar crescendo, o ecossistema poderá sofrer danos irreparáveis. É preciso gestão pública, imediatamente, antes que um problema se instale”, advertiu o professor.

Ainda assim, todas as transformações, mudanças e adaptações da biodiversidade de Cananéia contribuem para a formação dos alunos da Faculdade de Ciências Biológicas. A região é considerada pelos professores ideal para estudos multidisciplinares, pois apresenta diferentes tipos de ecossistemas terrestres e aquáticos e deve continuar recebendo os estudantes pelos próximos anos, como uma forma de aproximá-los de uma vivência prática da profissão. “Naquela época (1992), existiam apenas duas pousadas e um hotel. Hoje, são mais de vinte instalados, além da concentração de condomínios e residências”, explicou o professor.

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Adriana Furtado
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Portal Puc-Campinas
15 de junho de 2010