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A população está perplexa com a ousadia e a violência das ações praticadas por criminosos contra as forças policiais, ônibus e agências bancárias desde a última sexta-feira, juntamente com rebeliões em várias instituições prisionais do interior paulista. Para a população a sensação é de desamparo, expectativa e medo. A pergunta que a maioria das pessoas faz: se são capazes de matar policiais, o que podem fazer conosco?

Maria de Fátima dos Santos, professora de Psicologia Forense pela PUC-Campinas, não se mostra surpresa com o que está acontecendo. Segundo ela, os indícios do conflito vem sendo fornecidos pelos próprios presos em seguidas rebeliões, que antecederam os episódios deste final de semana. E suas causas prováveis já tinham sido anunciados no Seminário Nacional Crime Organizado e Direitos Humanos, evento realizado pela PUC-Campinas em 17 e 18 de maio de 2005, que reuniu os principais especialistas, autoridades, pesquisadores, representantes da sociedade civil e organizações não-governamentais:

1. Ausência de programas para reabilitação dos prisioneiros nos presídios;

2. A pouca importância dada à educação formal dos prisioneiros;

3. Poucas oportunidades de trabalho dentro das prisões. Em muitas unidades, trabalhar é um privilégio, quando deveria ser a norma;

4. Superlotação das unidades prisionais;

5. Prisioneiros são tratados com descaso em reivindicações simples, porém justas, para que se cumpra a pena com o mínimo de condições necessárias à dignidade humana;

6. Pouco controle do Estado dentro das unidades prisionais, nas quais cresce a influência das facções criminosas, ditando regras e intimidando os funcionários prisionais;

7. A redução do número de funcionários prisionais que colabora com esta realidade, na medida em que inviabiliza maior vigilância dentro das celas;

8. O Estado nada faz para evitar que os celulares entrem e funcionem dentro das unidades prisionais;

9. A prisão restrita ao caráter punitivo;

10. O ócio, por falta de programas de reabilitação, de educação formal, de trabalho, de atendimentos terapêuticos e de outra natureza, induz o preso a se aproximar das organizações criminosas.

Na entrevista abaixo a professora responde a algumas indagações sobre os episódios que estão ocorrendo no Estado de São Paulo.

Onde os bandidos pretendem chegar com tudo isso?

Professora Maria de Fátima dos Santos – Eles querem demonstrar que detém o poder, tanto dentro quanto fora das prisões.

O PCC está se tornando uma força política pela violência?

Maria de Fátima – Não acredito que queiram melhorias para a população em geral e nem acredito que sejam politizados. Alguns até demonstram consciência política, mas são poucos, e não creio que teriam capacidade de articular o restante dos membros das facções criminosas para ações voltadas com esse intuito.

Já se vêm nos presídios bandeiras do agrupamento com imagens do Che Guevara. Esse é um sinal de que o crime possa estar se politizando?

Maria de Fátima – Acho difícil que eles se espelhem em movimentos políticos e em suas estratégias. Parece-me que usam a imagem de Che Guevara mais no sentido de mostrar um mártir que foi aniquilado pelos militares. Os militares são tidos pelos criminosos como inimigos, assim como as polícias Civil e Militar, guardas municipais, vigilantes particulares e outros. Não acredito que a maioria dos criminosos que participa dos ataques e rebeliões seja de um grupo politizado.

Estaria o PCC adotando estratégias de grupos guerrilheiros colombianos que caíram na criminalidade?

Maria de Fátima – A convivência nas prisões pode, sim, propiciar esse tipo de aprendizagem. Afinal, não existe preocupação do Estado em separar aqueles que participaram de crimes com estratégias mais complexas dos criminosos comuns. Mas as principais causas, acredito, estão dentro da própria prisão e por ineficiência do Estado.

Políticos de esquerda continuam com o argumento de que as políticas sociai



Portal Puc-Campinas
16 de maio de 2006