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Vestibular 2022

O Palácio de Itapura

 

O monumental Palácio de Itapura teve suas obras iniciadas em 1880, tendo o proposito de ser a residência de Joaquim Policarpo Aranha, o Barão de Itapura, sendo inaugurado em 1883. A missão de projetar e construir a residência do Barão ficou a cargo do italiano Luigi Pucci, um construtor não diplomado, se destacando mais tarde também pela construção da Chácara do Carvalho e o Museu do Ipiranga, projetado pelo engenheiro e arquiteto Tommaso Gaudenzio Bezzi (MENEGALDO, 2019, p.132 e 136-137). O Palácio de Itapura, também conhecido como Solar do Barão de Itapura, nos possibilita vislumbrar, pelas suas dimensões e características estilísticas, a sumptuosidade em que vivia a aristocracia cafeeira no final do séc XIX:

E, assim sendo, quem percorre aquelas enormes salas e quartos confortáveis, tão bem forrados e pavimentados, contemplando-lhes as pinturas e ornamentações, a boa qualidade das madeiras e ferragens ali empregadas, além de tudo admirar, verifica logo que, nos dias que correm, ninguém teria a coragem de se abalançar à factura de uma construção congênere. (OLIVEIRA, 1921, apud PUPO, 1983, p. 52).

Com a morte do Barão em 1903, sua filha, Izolete Augusta de Souza Aranha viria a herdar o Palácio, o alugando para a então Diocese de Campinas em 1937, planejando acomodar as Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado até que, em 1941, é instalada ali a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, o berço do que viria a ser a Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Dez anos mais tarde, no dia 12 de abril de 1951, Izolete Aranha transfere para a Diocese de Campinas o Palácio de Itapura em um acordo com condições de caráter financeiro e também religioso com que a Diocese deveria arcar.

Por conta do crescente número de alunos e para comportar novos cursos que iam sendo criados, logo foi necessário adquirir imóveis que estavam ao redor do Solar e de pontos mais distantes, também foram construídos edifícios no entorno da área do solar.

Entre os imóveis adquiridos se destaca o histórico edifício que serviu de residência ao irlandês Dr. Ricardo Glumbeton Daunt, médico e político radicado em Campinas, uma das grandes figuras da cidade no século XIX. Este edifício é hoje conhecido como “Casa Azul”, localizado ao lado do Palácio de Itapura. A partir da sua aquisição passou a abrigar o Instituto de Psicologia e nos últimos anos acomodava o Museu Universitário da PUC-Campinas.

Com o desenvolvimento atingido pela Universidade, mesmo com os edifícios construídos e incorporados, o campus do antigo Palácio de Itapura chegou a seu limite de expansão. Na década de 70 dois novos campi foram inaugurados para suprir as necessidades da instituição, o Campus I em 1972 e o Campus II em 1977, realizando, assim, o antigo sonho de se construir uma Cidade Universitária.

Em 1984 o Solar é tombado na esfera estadual pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT) e em 1988 na esfera municipal pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (CONDEPACC). No ano de 2015 o curso de direito, o ultimo que ainda permanecia nas dependências do Solar, é transferido para o Campus I. Em 2021 o Museu Universitário da PUC-Campinas, que ainda ocupava a Casa Azul, também é transferido, encerrando um grande ciclo na história da Universidade e do Solar do Barão de Itapura.

Agora começa uma nova página na história do Palácio de Itapura e da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Tendo em vista a preservação da história e da memória, o Solar passará por um grande projeto de restauro, tornando-se, em um futuro próximo, um grande referencial histórico e cultural para Campinas e toda a região.

 

Bibliografia

MENEGALDO, Ana Beatris Fernandes. Entre o rural e o urbano: o barão de itapura como agente modelador da cidade de campinas, SP (1869 – 1902). 2019. 287 f. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologias, Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas, 2019.

PUPO, Celso Maria de Mello. Campinas, Município no Império. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado S.A, 1983.



mayla
15 de setembro de 2021