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Vestibular 2022

             A educação superior no Brasil no início do século XIX era concentrada em escolas de formação superior de ensino profissional, não havendo nelas espaço para a reflexão e a pesquisa. Porém, a efervescência política e social da época lançou as bases para uma mudança e o estado e São Paulo foi pioneiro com a fundação da Universidade de São Paulo em 1934, abrindo o caminho para futuros projetos educacionais.

Um desses projetos seria idealizado em Campinas, uma das primeiras cidades do interior do país a pensar em ensino universitário, a partir da histórica relação da Igreja Católica com a educação e com papel fundamental do então bispo de Campinas, Dom Francisco de Campos Barreto, que já no início da década de 1940 vislumbrava a criação de uma Universidade Católica na cidade.

Nascido em Sousas, distrito de Campinas em 1877 e após concluir seus estudos, Dom Barreto é nomeado vigário da Matriz de Santa Cruz, atual Basílica de Nossa Senhora do Carmo. De espírito acético e sempre ligado à instrução educacional, fundou diversas instituições ligadas à Igreja para a formação do clero e de leigos católicos. Sua postura e liderança o levaram ao cargo de bispo de Pelotas em 1911 e, após a morte de Dom Nery, retornaria à sua cidade natal para assumir Cátedra da Diocese campineira.

De volta a Campinas, continuou desenvolvendo o seu dever pastoral e nomeou outra figura de singular importância para a fundação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Campinas: Monsenhor Emílio José Salim, que já possuía experiência no ambiente educacional como diretor do Colégio Santa Maria, atual Colégio Pio XII. Por essa vivência no âmbito do ensino, coube a Monsenhor Salim a missão de pleitear junto ao Ministro da Educação no Rio de Janeiro, a criação de uma faculdade em Campinas.

A empreitada foi bem-sucedida, porém como relata o próprio Monsenhor Salim, não foi sem dificuldades, às quais correu em seu auxílio o bispo auxiliar de Campinas nos tempos de Dom Nery, Dom Joaquim Mamede. Figura conhecida e respeitada na esfera governamental e conhecedor da realidade campineira e a relação da cidade com a cultura, Dom Mamede falou diretamente ao Ministro dando-lhe as credencias que concediam à Campinas uma capacidade reconhecida de abrigar uma faculdade.

Mesmo com a autorização concedida, infelizmente não pôde Dom Barreto ver o seu trabalho concluído pois faleceu antes da inauguração da faculdade, em decorrência de uma pneumonia em 22 de agosto de 1941.

Coube então a Dom Paulo de Tarso Campos a missão de dar continuidade ao projeto educacional de Dom Barreto e concretizar a fundação daquela que viria a ser a PUC-Campinas. Natural de Jaú, Dom Paulo foi nomeado primeiramente bispo de Santos em 1935 e posteriormente, no dia 17 de dezembro de 1941, bispo de Campinas.

Em novembro de 1941, Monsenhor Salim foi uma vez mais ao Rio de Janeiro, mas dessa vez para assistir no dia 18 daquele mês, a cerimônia de assinatura do decreto lei nº 8.232, pelo então Presidente da República Getúlio Vargas, que aprovava a criação das Faculdades Campineiras.

Por fim, realizou-se no dia 15 de março de 1942, no Teatro Municipal de Campinas, a sessão solene de instalação da faculdade e a aula inaugural proferida pelo escritor Alceu Amoroso Lima.



mayla
15 de setembro de 2021