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Ritmo de oferta será menor na Bolsa


02/01/2007
 
Apesar de todo o mercado comemorar o crescimento do segmento de ofertas de ações, uma ressalva também se faz sempre presente: em relação aos níveis atingidos em 2006, com 42 distribuições e R$ 30,5 bilhões captados, 2007 deverá manter crescimento, mas em ritmo menor. As razões são claras: desde a retomada, em 2004, o volume de operações tem dobrado ano a ano e a base comparativa se alargou. Além disso, o mercado precisa de uma pausa de consolidação para que a sua infra-estrutura consiga suportar a demanda.

“Na minha avaliação, com o patamar atingido em 2006 começa a ficar complicado para as corretoras. Estamos já no limite”, diz Eduardo Kondo, chefe do Departamento de Análise Setorial da Concórdia. Ele se refere à capacidade operacional que os profissionais têm de absorver as operações, ou seja, tempo para ler prospectos com calma e decidir pela adesão ou não à oferta e repassá-las aos clientes.

Pedro Thomazoni, gerente de renda variável do Banco Votorantim, espera que o mercado de IPOs repita a performance de 2006 ou cresça apenas um pouco mais. “Acho que no próximo ano haverá a consolidação deste segmento, que não conseguirá dobrar de tamanho novamente em volume.”

A palavra dos especialistas pode soar estranha diante das sinalizações deste fim de ano. Na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), 12 empresas aguardam pelo registro inicial de companhia aberta. Outras três, já listadas, esperam autorização para ofertas. As informações do mercado são de que o UBS Pactual tem 25 operações agendadas; o Credit Suisse, outras 10 — esses números já podem incluem algumas das transações em análise na CVM.

Apesar do aparente fôlego que se desenha para 2007, especialistas destacam que essa enxurrada inicial de operações espelha, particularmente, o momento atual da Bolsa, que opera próxima de patamares históricos. “Está ocorrendo o recorde de colocações porque a Bolsa está em níveis históricos e de quatro anos consecutivos de alta. É isso o que anima as empresas a acessarem os mercados”, lembra Thomazoni. Todos os players ainda têm em mente a movimentação do ano passado — após uma média de uma oferta por semana no primeiro trimestre, a bolsa afundou a partir de maio, com a redução da liquidez internacional, o que resultou no cancelamento de algumas operações, adiamento de outras e também em distribuições colocadas abaixo do valor mínimo inicialmente desejado pelas companhias.

“Aparentemente, deverá haver uma corrida para as colocações neste início de ano, em razão do bom momento de mercado”, comentou um gestor de um grande banco estrangeiro. “O que não quer dizer que este mesmo ritmo se manterá durante todo o ano.” Se do lado externo a liquidez de recursos segue farta, por aqui também o cenário é favorável, pois os juros básicos da economia estão em queda, o que diminui a rentabilidade da renda fixa e tende a fazer com que investidores migrem para a variável.

“De fato, houve um avanço muito forte este ano nas ofertas e esperar por um crescimento mais moderado em 2007 me parece mais razoável”, diz o estrategista da Itaú Corretora, Tomás Awad.

Cada operação de abertura de capital, em se tratando da rotina de um grande banco, exige uma média de pelo menos 5 reuniões entre os executivos com coordenadores, empresas e a própria equipe. Além da estrutura física, que nos níveis atuais já opera carregada, há uma outra ponta que envolve não apenas o antes, mas também o depois — ou o momento em que as ações chegam ao mercado. Cada vez mais, as grandes casas demandam pela formação de boas equipes de análise para o acompanhamento constante dos novos papéis e setores.

“O que se vê hoje é que o próprio coordenador do IPO divulga o relatório de início de cobertura da ação, observado o Chinese Wall entre as diversas áreas do banco. O ideal seria que outras corretoras e bancos fizessem isso e só não fazem porque, no momento, falta pessoal”, avalia Álvaro Maia, superintendente da Unibanco Corretora. “Hoje, por exemplo, é inconcebível nã
 
Fonte: Correio Popular